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Mais de 600 mil óvulos já foram congelados no Brasil; conheça o procedimento

Com a maternidade cada vez mais adiada, o congelamento de óvulos ganha espaço no Brasil. Saiba como funciona a técnica, para quem ela é indicada e quanto custa.

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sta, a ciência avalia que a mulher costuma manter uma boa quantidade de óvulos até aproximadamente os 30 ou 35 anos. Após esse período, ocorre um declínio gradual da quantidade e da qualidade dos óvulos, que se torna mais acentuado depois dos 40 anos.

Consequentemente, à medida que a mulher adia a gravidez, as chances de engravidar diminuem e o risco de abortamentos aumenta.

Em quais situações o congelamento é indicado?

Para contornar esse cenário, o médico destaca duas possibilidades principais.

Quando a mulher possui um relacionamento estável e deseja adiar a gravidez, ela pode coletar os óvulos, fertilizá-los com o espermatozoide do parceiro e congelar os embriões para utilização futura.

Já a outra alternativa consiste em estimular os ovários, coletar os óvulos e congelá-los para fertilização posterior. Segundo o especialista, é comum que as pacientes interessadas no congelamento de óvulos não estejam em um relacionamento estável.

Dessa forma, mulheres entre 30 e 35 anos que não pretendem engravidar no curto ou médio prazo podem recorrer ao chamado congelamento eletivo de óvulos.

Além disso, pacientes diagnosticadas com doenças oncológicas também podem receber indicação para o procedimento. Nesses casos, os médicos recomendam a estimulação ovariana e o congelamento dos óvulos antes do início de tratamentos como quimioterapia ou radioterapia.

Como funciona o preparo?

Independentemente da indicação, a mulher precisa passar por uma avaliação ginecológica completa antes da coleta dos óvulos.

O processo inclui exames hormonais para avaliar a reserva ovariana e identificar se ela está normal, baixa ou elevada. Os profissionais realizam essas análises por meio de exames de sangue, preferencialmente durante o período menstrual.

Além disso, os médicos costumam solicitar uma ultrassonografia pélvica transvaginal. Com esse exame, eles avaliam os ovários e realizam a contagem dos folículos antrais, informação que também ajuda a medir a reserva ovariana.

A partir desses resultados, o especialista consegue definir a dose de medicação mais adequada para cada paciente.

O ideal, segundo o médico, é realizar a coleta até os 38 anos, faixa etária em que ainda existe um prognóstico reprodutivo considerado adequado com os óvulos congelados. Depois dos 39 anos, a mulher geralmente precisa congelar uma quantidade maior de óvulos.

“Quando a paciente tem em torno de 35 anos é necessário congelar em torno de 10 a 15 óvulos. Já a paciente que tem idade acima de 39 anos, teria que congelar 20 a 25 óvulos”, considera o Dr. Alvaro Pigatto Ceschin.

Após o congelamento, os óvulos podem permanecer armazenados por muitos anos.

Quanto custa congelar óvulos?

O processo é dividido em três etapas.

A primeira envolve as medicações e o controle da ovulação. O valor varia conforme a reserva ovariana da paciente e a quantidade de medicamentos necessária.

Os custos com medicação podem variar entre R$ 2 mil e R$ 15 mil. Quanto menor a reserva ovariana, maior tende a ser a necessidade de medicamentos.

Além disso, existe o custo do acompanhamento da ovulação e da coleta dos óvulos, procedimento realizado com auxílio de ultrassonografia transvaginal e sedação.

Após a coleta, os profissionais avaliam os óvulos em laboratório e realizam o congelamento. Juntas, essas etapas costumam custar entre R$ 10 mil e R$ 15 mil.

Depois do congelamento, os óvulos permanecem armazenados em recipientes com nitrogênio líquido a -196°C. Nessa fase, a paciente paga uma taxa anual que varia de R$ 1 mil a R$ 2 mil para manutenção do material.

No total, um ciclo de congelamento de óvulos custa, em média, entre R$ 18 mil e R$ 30 mil.
Total de óvulos congelados no Brasil

  • 2025: 147.015
  • 2024: 117.865
  • 2023: 111.687
  • 2022: 90.130
  • 2021: 92.921
  • 2020: 56.710

FONTE: Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 05/06/2026/17:15:15

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