Mais do que uma estética, o movimento se transformou em estratégia de negócio e tem ajudado pequenos empreendedores a vender mais ao transformar símbolos, hábitos e memórias afetivas do país em produtos desejados.
A lógica é simples: aquilo que antes era visto como comum no cotidiano brasileiro passou a ser encarado como diferencial.
Não se trata apenas da camisa da seleção ou das cores verde e amarelo. Cadeiras de praia, filtro de barro, comidas típicas, expressões populares e até o famoso “jeitinho brasileiro” ganharam espaço na moda, no design e no consumo.
Impulsionada pela visibilidade internacional da cultura brasileira, pelas redes sociais e por grandes eventos esportivos, a tendência abriu oportunidades para quem consegue traduzir essa identidade em produtos com personalidade.
Foi exatamente o que aconteceu com a empreendedora Andréia Maia, de Salvador.
O que começou como um hobby acabou se tornando um negócio. Com cerca de R$ 1 mil investidos em fios, ela decidiu apostar no crochê em um momento em que o trabalho artesanal começava a ganhar valorização entre consumidores e grandes marcas.
No início, fazia tudo sozinha: produção, atendimento, divulgação, vendas e entrega. Mas a trajetória do negócio mudou quando ela passou a testar peças inspiradas em elementos brasileiros.
A aposta veio no momento certo.
Pochetes, tops, blusas, shorts e acessórios feitos à mão, com referências às cores e à cultura do país, passaram a chamar a atenção dos clientes. Em poucos meses, o faturamento mensal chegou a aproximadamente R$ 20 mil, e a procura cresceu de forma significativa.
O sucesso não está apenas na estética das peças. Para muitos consumidores, especialmente brasileiros que vivem no exterior, os produtos representam uma forma de manter viva a conexão com as origens.
Esse componente afetivo ajuda a explicar por que a tendência ganhou força tão rapidamente.
Ao mesmo tempo, o crescimento trouxe novos desafios. Diferentemente de uma produção industrial, o crochê exige tempo. Cada peça é feita manualmente, o que limita a velocidade de expansão do negócio.
Ainda assim, Andréia optou por manter o cuidado artesanal como parte da proposta da marca. Com o aumento dos pedidos, passou a contar com o apoio de pessoas próximas para dar conta da demanda sem perder as características que atraíram os clientes.
O caso ilustra um movimento mais amplo. O Brazil Core combina três forças que vêm moldando o comportamento do consumidor: a valorização da cultura local, o apelo emocional dos produtos e o interesse crescente por itens com história e significado.
Para quem deseja empreender, a tendência mostra que nem sempre é necessário começar com grandes investimentos. Em muitos casos, identificar mudanças de comportamento e criar produtos capazes de gerar identificação pode ser mais importante do que ter uma estrutura robusta.
Com a chegada da Copa do Mundo, a visibilidade da cultura brasileira tende a aumentar ainda mais. Mas o fenômeno vai além do futebol.
O que está em alta não é apenas uma combinação de cores ou um estilo visual. É a ideia de transformar a identidade brasileira em valor de mercado.
Fonte: g1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 11/06/2026/07:25:43
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