GERALPARÁ

Terremoto na Venezuela: famílias relatam medo e correria durante tremores sentidos em Belém; ‘extremo desespero’

Moradores relataram mal-estar e correria pelas escadas após notarem lustres balançando em apartamentos da capital paraense.

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Em entrevista ao g1, a médica Andréa Miranda, de 40 anos, descreveu um mal-estar que, a princípio, ela acreditou ser um problema de saúde pessoal, mas que tomou conta de todos na sala do apartamento dos pais, no edifício Île de Palais, no bairro Umarizal.

“A impressão é que todo mundo estava com uma labirintite, aquela sensação de instabilidade, de tontura. Quando olhei para minha irmã e meus pais, percebi que todos estavam tendo aquele desconforto”, contou.

Ao perceberem que o lustre da sala balançava, a família seguiu o protocolo de emergência e desceu pelas escadas. “Muitas pessoas com animais de estimação e idosos com dificuldade de mobilidade. Foi uma sensação de extremo desespero até entendermos que não era algo exclusivo do prédio”, completou Andréa.

A também médica Bruna Fernandes viveu uma experiência semelhante no edifício Athenas Future, no bairro Pedreira, onde moram a mãe a irmã.

“Eu havia acabado de chegar e comentei com meu filho: ‘Nossa, filho, estou tonta’. Achei que estava com fome. Minha irmã gritou na cozinha: ‘Corre que o lustre está balançando!'”, relembrou Bruna, que disse que o pânico foi imediato. A família desceu 27 andares correndo pelas escadas.

“Lá embaixo, a área de lazer estava lotada com o pessoal assistindo ao jogo; eles não sentiram nada, mas quem estava nos andares altos viveu um momento desesperador.”

Equipes do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil realizaram vistorias em edifícios nos bairros do Umarizal, Nazaré, Pedreira e Cremação e na cidade de Santarém, no oeste de Pará. Os agentes informaram que não há registros de danos estruturais ou vítimas.

O que diz a geofísica e a engenharia

Segundo o geofísico Marcos Ferreira, do Serviço Geológico do Brasil, eventos de alta magnitude distribuem energia em todas as direções.

“Essas ondas vão trafegando pela Terra e chegam a cidades como Belém. Como a distância é grande, o nível de vibração é menor e geralmente não causa danos, mas é percebido nitidamente em prédios altos”, explicou.

O professor doutor em engenharia civil com ênfase em estruturas e geotécnica, Fábio Leitão, da Universidade Federal do Acre, esclareceu que construções altas tendem a balançar mais porque são estruturas mais flexíveis e possuem um “período natural de vibração” maior.

“O período de vibração é o tempo que uma estrutura leva para completar um movimento de ida e volta quando oscila. Estruturas mais rígidas fazem esse movimento rapidamente. Já estruturas mais flexíveis, como prédios altos são projetados para ser, demoram mais tempo para completar essa oscilação”, detalhou Fábio.

Também em entrevista ao g1, o engenheiro civil pela Universidade Federal do Pará (UFPA) Leon Lobo pontuou que as construções no Brasil não são preparadas para resistir às ações sísmicas, como terremotos, mas são projetadas para resistir a cargas laterais, como as fortes rajadas de vento e chuvas da região amazônica, o que oferece certa proteção contra abalos.

Leon fez um alerta para o chamado “estado de limite de serviço”, referente ao conforto psicológico e à segurança do morador.

“Se as pessoas começarem a ver rachaduras ou fissuras em pilares de garagem, por exemplo, é necessário chamar um especialista técnico. O síndico deve fiscalizar e reportar qualquer anomalia que afete a sensação de segurança”, orientou o engenheiro.

Fonte: g1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 25/06/2026/15:30:39

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