O município de Melgaço, no arquipélago do Marajó, está entre as três cidades paraenses contempladas com a Medalha Paulo Freire, premiação nacional concedida pelo Ministério da Educação (MEC) a experiências de destaque na Educação de Jovens e Adultos (EJA). Também receberam o reconhecimento as secretarias municipais de Educação de Paragominas e Vitória do Xingu.
A conquista de Melgaço veio por meio do programa “Alfabetiza Melgaço EJA – Movimento Rios que Alfabetizam”, idealizado pelo professor Agenor Sarraf e desenvolvido pela Secretaria Municipal de Educação do município.
Segundo Agenor, a ideia surgiu após levantamento de dados do MEC apontar que o arquipélago do Marajó, formado por 18 municípios, concentra mais de 60 mil pessoas não alfabetizadas acima de 15 anos. Desse total, cerca de 50 mil vivem nos chamados “territórios das florestas”, grupo formado por 11 municípios da região.
O professor afirmou que apresentou o projeto à gestão municipal como uma proposta voltada à realidade amazônica e ribeirinha.
“A ideia foi criar um programa conectado à realidade das comunidades ribeirinhas, considerando os saberes locais e as necessidades dos alunos”, disse.
Em 2024, o município tinha apenas 164 estudantes matriculados na EJA. Após a implantação do programa, foram criadas 49 turmas em comunidades rurais dos territórios do Tajapuru, Anapu, Campinas e Lagunas, mobilizando mais de 60 profissionais e chegando a mais de 900 alunos matriculados em 2025.
Já em 2026, segundo a coordenação do programa, o número de turmas cresceu para 73, com mais de 80 profissionais envolvidos.
O resultado final da Medalha Paulo Freire foi divulgado pelo Ministério da Educação e reconheceu 20 iniciativas de alfabetização de jovens, adultos e idosos em todo o país.
Educação ligada à realidade ribeirinha
Inspirado na pedagogia de Paulo Freire e na filosofia da “Mãe-Terra”, o programa foi pensado para aproximar a alfabetização da realidade das populações ribeirinhas do Marajó.
Além das aulas de leitura e escrita, os estudantes participam de atividades voltadas ao cotidiano das comunidades, como manejo de açaizais, criação de peixes e camarão, sistemas hidropônicos e outras práticas agroflorestais.
O programa também promove feiras da agricultura familiar organizadas por alunos e professores, reunindo produção local, troca de conhecimentos e participação comunitária.
Segunda a gestão do projeto, foi criada uma bolsa de incentivo de R$ 200 para estudantes que mantêm frequência mínima de 75% nas aulas, como forma de estimular a permanência dos alunos no processo de alfabetização. A estrutura do programa inclui ainda merenda escolar e apoio ao transporte dos estudantes.
Fonte: G1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 03/06/2026/17:06:55
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Reconhecimento nacional
Em 2025, um levantamento feito feito a pedido do g1 pelo Cemaden com dados do Inpe apontou que Melgaço teve o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país desde 2013.
A cerca de 250 quilômetros de Belém , Melgaço é cercada pela floresta, sem acesso por terra, onde a maior parte das moradias é de palafita – casas erguida em estacas de madeira sobre as águas – e nem todas elas com acesso à energia elétrica.
Para disputar a Medalha Paulo Freire, os municípios precisam aderir ao Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo, ampliar matrículas na EJA, atingir metas no Índice de Esforço de Alfabetização (IEA) e apresentar uma experiência educacional considerada bem-sucedida.
A experiência apresentada ao MEC destacou critérios como:
- aumento expressivo das matrículas;
- formação de turmas em comunidades rurais;
- valorização profissional;
- currículo adaptado à realidade amazônica;
- integração entre educação e atividades agroflorestais;
- incentivo financeiro aos estudantes.
Melgaço foi um dos municípios considerados aptos. Além da medalha, o município deve receber cerca de R$ 200 mil do Plano de Ações Articuladas (PAR), recurso destinado ao fortalecimento da EJA.
A gestão do projeto afirma que o reconhecimento representa uma mudança simbólica para o município, que aparece entre os menores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do país.
“Melgaço ficou marcado historicamente pelos baixos indicadores sociais. Agora, passa a ser reconhecido nacionalmente por uma experiência inovadora na educação”, destacou o professor.

