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Intolerância religiosa: restaurante é alvo de vandalismo em Belém

Empresária relata pressão para retirar imagem de entidade religiosa, tem espaço depredado e polícia investiga autoria do crime ocorrido no bairro do Reduto.

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A liberdade religiosa, garantida pela Constituição Federal, ainda enfrenta desafios no cotidiano de milhares de brasileiros. Em um país marcado pela diversidade de crenças e manifestações de fé, episódios de intolerância religiosa continuam sendo registrados e atingem, sobretudo, adeptos de religiões de matriz africana. Em Belém, um caso ocorrido no bairro do Reduto reacendeu o debate sobre respeito à pluralidade religiosa e os limites do preconceito.

A proprietária do estabelecimento, Jennifer Dias, denunciou ter sido vítima de intolerância religiosa após sofrer pressão para retirar a imagem de uma entidade espiritual exposta na fachada do seu comércio e, dias depois, ter o local alvo de vandalismo. O caso aconteceu na manhã da última quarta-feira (3).

Segundo Jennifer, o conflito começou após a instalação da pintura que representa o Zé Malandro, entidade ligada à sua espiritualidade e que também inspira o nome do empreendimento. Ela afirma que, desde a inauguração do espaço, recebeu reclamações indiretas de moradores da área por meio da corretora responsável pela locação do imóvel.

De acordo com o relato da empresária, a corretora informou que alguns vizinhos estariam incomodados com a imagem e teria sugerido sua retirada para evitar problemas na vizinhança.

“Você falou para mim que ia ser pintado, que ia fazer desenho, mas em nenhum momento da nossa conversa você falou que ia ter entidade aí na porta. (…) Só tu trocar essa pintura aí. As imagens estão chamando atenção, passa sua tinta, tira isso”, reproduziu Jennifer ao relatar a conversa.

Ainda segundo ela, a corretora também teria alertado que a permanência da imagem “ia arrumar uma briga grande com os vizinhos”.

Jennifer afirma que se recusou a retirar a representação religiosa por entender que ela faz parte da identidade do negócio e da própria trajetória espiritual.

“Se fosse uma imagem de Jesus Cristo ou de Nossa Senhora, eu tenho certeza que não estaria tendo todo esse problema para retirar”, declarou.

Espaço foi depredado

Dias depois da discussão, o estabelecimento foi alvo de um ato de vandalismo ocorrido entre 6h e 7h da manhã da última quarta-feira.

Segundo a empresária, os invasores não demonstraram interesse em dinheiro ou objetos de valor. O alvo principal teria sido justamente o espaço dedicado à espiritualidade.

“Eles simplesmente não queriam dinheiro. Quebraram toda a minha mesa de baralho, todas as minhas imagens, levaram minhas guias. Não é sobre dinheiro. É sobre a falta de respeito com a religião das pessoas”, afirmou.

Jennifer relatou que imagens religiosas, objetos utilizados em atendimentos espirituais e materiais ligados à sua prática religiosa foram destruídos. Ela destacou que o dinheiro existente no local não foi levado, reforçando sua suspeita de motivação intolerante.

“Levaram tudo que eu demorei muito tempo para conquistar. Não se respeita porque você segue uma religião que nem todas as pessoas estão acostumadas”, desabafou.

Fonte:DOL e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 05/06/2026/14:32:10

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