Especialistas afirmam que esse tipo de arma aparece com frequência nos casos de feminicídio por estar geralmente disponível no ambiente doméstico e representar uma violência mais próxima da vítima. Elas também alertam para a possível subnotificação de casos e de tentativas de feminicídio.
Entre os nove feminicídios registrados até maio, quatro tiveram arma branca como instrumento do crime, dois ocorreram por meio de agressões físicas e, em outros dois casos, o meio utilizado não foi identificado.
Um dos crimes aconteceu no dia 8 de março, quando se celebra o Dia Internacional da Mulher. A vítima, Roseane Nicolau Canuto, de 39 anos, foi morta a facadas. O marido dela, Hiure Felintro da Silva, de 28 anos, foi preso cerca de uma hora depois e confessou o crime, que, segundo ele, foi motivado por ciúmes.
Os dados são baseados em boletins de ocorrência registrados nas delegacias da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) e em laudos do Instituto Médico Legal (IML).
Crime passou a ter registro específico em 2015
A partir da criação da lei, os registros passaram a identificar esses casos de forma separada. A série histórica abaixo reúne os feminicídios registrados no Amazonas entre janeiro e maio dos últimos anos.
Feminicídios registrados no Amazonas entre janeiro e maio (2016 a 2026)
Especialistas alertam para subnotificação
A presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Amazonas (OAB-AM), Alessandrine Silva, afirma que o uso de arma branca nos casos de feminicídio mostra uma violência direcionada contra a vítima.
Segundo ela, por ser um objeto de fácil acesso dentro de casa, a faca acaba sendo usada como instrumento de agressão em muitos crimes.
“Essa arma branca, a faca, que é doméstica e está ali de fácil acesso, é também esse objeto que esse violentador vai depositar todo o ódio e violência que ele obtém contra essa mulher. E aí a gente fala da misoginia embutida nessas violências”, afirmou.
A advogada criminalista Natividade Maia também alerta para a subnotificação, principalmente em casos de tentativa de feminicídio.
Segundo ela, como muitas agressões acontecem dentro das próprias casas, familiares, vizinhos ou pessoas próximas podem tentar resolver a situação sem que o caso chegue às autoridades.
A especialista cita ainda fatores como dependência econômica do agressor, crenças religiosas e falta de alternativas de moradia para mulheres com filhos como dificuldades para romper o ciclo de violência.
“Creio firmemente que há muitos casos de tentativa de feminicídio que são subnotificados, porque essas situações ocorrem dentro do lar, na maioria das vezes, e a própria família, vizinhos ou pessoas mais próximas interferem no evento e se ‘resolvem’ em família”, disse.
O que diz a SSP-AM
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas informou que o combate à violência contra a mulher é feito de forma integrada entre a Polícia Militar do Amazonas (PMAM), por meio da Ronda Maria da Penha, a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), o Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC) e outros órgãos da rede de proteção.
Segundo a pasta, nenhuma mulher acompanhada pela Ronda Maria da Penha foi vítima de feminicídio. O resultado, de acordo com a secretaria, está relacionado ao acompanhamento das vítimas, à fiscalização do cumprimento de medidas protetivas e ao atendimento prestado às mulheres em situação de violência.
A SSP-AM informou ainda que, apesar do aumento de casos em relação ao mesmo período de 2025, quando foram registrados seis feminicídios, o número atual permanece abaixo dos maiores acumulados da série histórica.
A projeção da secretaria é de que o Amazonas registre 20 feminicídios até o fim de 2026, mantendo o mesmo total contabilizado em 2025.
Fonte: g1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 16/07/2026/07:15:53
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