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MP denuncia plantonista por homicídio, tortura e fraude após morte de paciente em clínica de reabilitação em MT

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Inicialmente, a Polícia Civil foi acionada com a informação de que Alessandro havia cometido suicídio. No entanto, a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) identificou inconsistências entre a cena encontrada e a versão apresentada pelos responsáveis pela clínica, o que levou à abertura de investigação.

Segundo a denúncia do Ministério Público, Alessandro era dependente químico, tinha diagnóstico de esquizofrenia e estava internado na unidade para tratamento. Conforme as investigações, pacientes considerados mais agitados eram mantidos durante a noite em um cômodo conhecido como “quartão”, cuja chave ficava sob responsabilidade do plantonista.

Ainda de acordo com o MPMT, na noite do crime, a vítima apresentou comportamento agitado, gritando, batendo na porta e pedindo medicação para dormir. Após ser acionado por outros internos, o plantonista entrou no quarto para contê-lo.

A denúncia afirma que Odiley submeteu Alessandro a sucessivas agressões físicas, incluindo manobras de estrangulamento, além de tapas e chutes.

Conforme o Ministério Público, por volta das 3h, Alessandro voltou a se agitar e foi novamente contido pelo plantonista, que teria provocado outra perda de consciência da vítima. Em seguida, ela foi amarrada com os braços para trás por uma corda e permaneceu imobilizada durante a madrugada.

As agressões teriam sido presenciadas por outros internos que, além de pacientes da clínica, atuavam como “monitores” em apoio aos plantonistas. Segundo a denúncia, aproveitando-se da impossibilidade de reação da vítima, que já estava imobilizada, o plantonista a matou por estrangulamento utilizando um cinto.

O laudo da Politec apontou que Alessandro morreu em decorrência de estrangulamento, que provocou uma grave lesão interna na região do pescoço.

O Ministério Público denunciou Odiley pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, tortura e fraude processual. Também foram aplicadas as agravantes de violação do dever inerente à função e do fato de o crime ter sido praticado contra uma pessoa enferma.

Entenda o caso

Alessandro estava internado na clínica para um tratamento para esquizofrenia e havia tido um surto psicótico e, por isso, foi necessário contê-lo, segundo a polícia. O funcionário admitiu ter pedido a uma testemunha que confirmasse a versão inicial apresentada à polícia. A testemunha, no entanto, negou a narrativa.

O g1 teve acesso a parte do vídeo do interrogatório em que Odiley apresenta contradições. Em um trecho, ele afirma ter retirado Alessandro de uma janela. No entanto, segundo a polícia, a vítima nunca esteve pendurada no local.

“Eu tinha visto a corda lá na janela. Eu fiquei com medo porque isso nunca aconteceu em nenhum plantão meu”, disse.

O funcionário, que era o único responsável pelo plantão noturno da ala que abriga mais de 42 internos, alegou inicialmente que Alessandro teria cometido suicídio por enforcamento. A versão, porém, passou a ser questionada após a perícia identificar inconsistências na cena.

Durante o depoimento, o funcionário afirmou ainda que decidiu forjar o suposto suicídio, mas negou que ele ou qualquer outro integrante da equipe tenha participado da morte do paciente. No entanto, segundo a Polícia Civil, depois de ser questionado, confessou o crime.

Fonte: g1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 08/07/2026/07:28:36

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