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1,8 milhão de toneladas de açaí, 140 mil de cacau e safras de grãos devem movimentar verão agrícola

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O período menos chuvoso no Pará deve impulsionar a produção de ao menos cinco cadeias estratégicas do campo — açaí, cacau, arroz, feijão-caupi e hortaliças — que juntas movimentam milhões de toneladas e reorganizam o abastecimento no segundo semestre. Segundo estimativas da Conab (Central de Abastecimento do Pará), apenas o açaí pode alcançar cerca de 1,8 milhão de toneladas, enquanto o cacau chega a 140 mil toneladas, em um cenário também marcado por colheitas de arroz irrigado do Marajó (21 mil toneladas) e feijão-caupi (11 mil toneladas), além da maior oferta de hortaliças no período seco.

Apesar do aumento da produtividade e da melhora logística com estradas mais trafegáveis, o setor ainda convive com pressões de custo, oscilação de preços e gargalos estruturais. Para a Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa) e produtores ligados à Associação dos Produtores de Açaí da Amazônia (Amaçaí), o verão favorece a colheita e reduz perdas no campo, mas expõe desigualdades entre produtores com e sem acesso a tecnologia, irrigação e melhores condições de escoamento.

Safra de verão movimenta grãos, açaí e pecuária

Segundo o diretor da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa), Guilherme Minssen, o calendário agrícola de julho destaca a colheita de açaí, milho, feijão, arroz e soja, além da fase de parição na pecuária do Arquipélago do Marajó.

Ele ressalta, porém, que o setor rural vive um momento de apreensão. “Há aumento dos combustíveis, dos insumos e dificuldades de logística nas estradas no fim do período de chuvas”, aponta. Para ele, o cenário pressiona custos e reduz a margem de produtores em diversas cadeias.

Menos chuva reduz perdas e melhora hortaliças

Com a diminuição das chuvas, culturas mais sensíveis, como hortaliças e frutas dos cinturões verdes das cidades, tendem a ganhar produtividade e estabilidade. O próprio dirigente da Faepa destaca que a oferta desses produtos melhora no período seco, reduzindo perdas causadas por excesso de umidade e doenças no campo.

Esse comportamento também é reforçado pelo produtor rural de Acará e consultor do Amaçaí (Associação dos Produtores de Açaí da Amazônia), Emerson Menezes. Ele afirma que o verão é o melhor período para produção de hortifrutis no solo, enquanto sistemas com irrigação e tecnologia conseguem manter estabilidade durante todo o ano. “Hoje produzir sem irrigação no verão é prejuízo certo”, avalia.

Açaí lidera safra e cacau acompanha ritmo de recuperação

Entre os principais destaques do período seco está o açaí, que se consolida como uma das principais safras do estado. Segundo análise do técnico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Alexandre Cidon, o fruto forma-se durante as chuvas e é colhido entre julho e dezembro em grande parte do Pará.

O cacau também aparece como cultura relevante, com estimativa de 140 mil toneladas de amêndoas no segundo semestre. Já o arroz irrigado do Marajó deve alcançar cerca de 21 mil toneladas, enquanto o feijão-caupi chega a aproximadamente 11 mil toneladas. A mandioca mantém produção ao longo do ano, mas tem maior oferta no período seco.

Custos altos e mercado pressionam produtores

Apesar do avanço produtivo, o setor enfrenta desafios. A queda no preço pago ao produtor de cacau, a volatilidade do mercado do açaí e a redução na produção da pimenta-do-reino preocupam entidades como a Federação da Agricultura e Pecuária do Pará.

Minssen também destaca que o açaí segue caro para o consumidor, mas com remuneração baixa ao produtor, enquanto a mandioca apresenta sinais de recuperação de mercado.

Segundo semestre com produção forte, mas cenário de atenção

Para o segundo semestre, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta produção de 1,8 milhão de toneladas de açaí, 140 mil toneladas de cacau, além da consolidação das safras de grãos e hortaliças.

Fonte: oliberal e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 30/06/2026/07:59:42

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