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Trump diz que Arábia Saudita deve aderir aos Acordos de Abraão após tratado

Exigência vem após a assinatura formal de pacto nuclear que permite programa atômico civil

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impôs uma nova condição a um acordo nuclear com a Arábia Saudita, um dia após aprová-lo formalmente, afirmando que o país agora deve aderir aos Acordos de Abraão.

Trump escreveu em uma publicação nas redes sociais, nesta quinta-feira (23), que o acordo assinado “será aprovado”, mas acrescentou que ele “depende totalmente da adesão da Arábia Saudita aos muito respeitados e bem-sucedidos Acordos de Abraão”.

Na quarta-feira (22), o secretário de Energia, Chris Wright, e seu homólogo saudita assinaram o acordo, que proporciona à Arábia Saudita um programa nuclear para fins civis.

O caso já provocou críticas de autoridades israelenses e deve atrair a atenção do Congresso americano. A CNN noticiou anteriormente que o governo deixou o acordo estagnado por meses devido a preocupações com a guerra envolvendo o Irã e à possibilidade de rejeição pelo Congresso.

Trump enfatizou em sua publicação que não haverá “nenhum enriquecimento” de material nuclear. A Arábia Saudita vinha resistindo a esforços para aderir aos Acordos de Abraão — uma iniciativa iniciada durante o primeiro mandato de Trump e ampliada durante o segundo para estabelecer laços diplomáticos entre Israel e seus vizinhos no Oriente Médio.

Não está claro qual impacto a mensagem de Trump nas redes sociais terá sobre o acordo assinado.

A CNN entrou em contato com a embaixada da Arábia Saudita para obter comentários e com a Casa Branca para solicitar informações adicionais.

Assinados inicialmente em setembro de 2020, ainda no primeiro mandato de Trump, os Acordos de Abraão tinham, em princípio, e não oficialmente, a missão de formar um bloco de contenção contra o Irã no mundo árabe e conter a influência de Teerã na região.

O nome Abraão é uma referência ao patriarca que é figura central na história do judaísmo e do islã e reflete o elo entre os dois povos.

No começo, o pacto foi assinado em uma cerimônia na Casa Branca com líderes de Israel, dos Emirados Árabes Unidos e do Bahrein. Pouco depois, Sudão e Marrocos também aceitaram fazer parte.

Com isso, países signatários passaram a normalizar relações com os israelenses, mesmo sem garantias de que um Estado palestino seria reconhecido e criado.

Relações comerciais foram ampliadas, principalmente nas áreas de ciência, defesa e segurança, embaixadores foram nomeados oficialmente e voos diretos passaram a operar entre alguns dos países.

À época, a proposta dos Estados Unidos mostrou às nações a necessidade de se posicionar contra o Irã e de que relações lucrativas no comércio bilateral poderiam ser formadas, mesmo que a questão palestina não fosse resolvida.

Quais são os países que assinaram?

Israel é considerado o pivô dos acordos. Para o país, a assinatura significava o fim do isolamento regional e a abertura de novos mercados bilionários para muitas empresas.

Por outro lado, os israelenses ofereceram acesso maior à tecnologia de ponta, principalmente em questões hídricas, no agronegócio e na cibersegurança.

A entrada dos Emirados Árabes foi por um motivo pragmático.

O país ganhou, ao assinar, uma autorização inédita do Congresso dos Estados Unidos para a compra de caças invisíveis F-35 e drones armados MQ-9 Reaper, duas ferramentas estratégicas de posicionamento bélico na região e de dissuasão militar.

Já a assinatura do Bahrein foi por motivos estratégicos de sobrevivência.

O país é governado por uma família real sunita, mas tem uma população de maioria xiita, a mesma vertente do islamismo do Irã.

O Bahrein teme que Teerã incite rebeliões que possam derrubar a realeza e fazer parte dos Acordos de Abraão seria uma forma de mitigar esse risco.

Marrocos e o Sudão entraram também com recompensas por parte dos americanos.

No caso do Marrocos, os Estados Unidos garantiram o reconhecimento de um território disputado chamado de Saara Ocidental.

Já o Sudão aceitou assinar com a promessa de que Washington retiraria o país da lista de Estados Patrocinadores do Terrorismo, o que liberou acesso a empréstimos do FMI.

Quais países faltam assinar?

Não existe de fato uma lista oficial de países que não assinaram, mas existem aqueles que passaram a entrar na mira da diplomacia americana para serem integrantes.

Entre eles, com certeza, a Arábia Saudita aparece no topo das prioridades. Os sauditas seriam as grandes “joias da coroa” dos Acordos de Abraão.

O país é considerado o grande berço do islamismo no mundo e abriga as cidades mais sagradas para a religião.

No entanto, assinar um pacto que reconhece a legitimidade de Israel, normaliza relações com os israelenses e que, ainda por cima, não prevê garantias para a criação de um Estado palestino, poderia ser considerado uma grande traição à causa no mundo árabe e comprometer a autoridade e a posição dos sauditas na região.

A assinatura dos sauditas exigiria grandes recompensas por parte do lado americano, como um acordo de defesa mútua entre os dois países nos moldes da Otan.

O Catar também está na mira dos Estados Unidos, mas o país do Golfo tem uma situação atípica em relação a Teerã.

Historicamente, o Catar tem acesso e trânsito fácil entre grupos militantes, como o Hamas, financiado pelos iranianos, o Talibã e o próprio Irã.

Ao fazer parte dos Acordos de Abraão, um grupo para conter a influência iraniana na região, o país estaria quebrando a suposta neutralidade que tem.

O Paquistão, embora não faça parte do Oriente Médio, também é citado como um dos exemplos de futura integração ao acordo. Mesmo assim, há dificuldades.

O país tem uma situação social interna muito volátil e um sentimento significativo anti-Israel entre a população.

A adesão aos acordos poderia incitar revoltas internas, aumentando os riscos de derrubada do governo.

Além disso, o Paquistão tem se aproximado cada vez mais da China, sobretudo na questão comercial, e entrar para um pacto intermediado pelos Estados Unidos poderia colocar em risco a relação.

Entenda o acordo nuclear entre EUA e Arábia Saudita

O documento assinado entre os Estados Unidos e a Arábia Saudita pode permitir o enriquecimento de combustível para reatores nucleares civis sem adotar o “padrão-ouro” de supervisão internacional, segundo duas autoridades americanas e uma fonte a par do assunto.

O documento, conhecido como “acordo 123”, teria duração de 30 anos, segundo uma autoridade americana, que acrescentou que ele envolveria empresas dos EUA fornecendo tecnologia e expertise para desenvolver o programa saudita.

Qualquer acordo que conceda à Arábia Saudita acesso à tecnologia nuclear pode gerar controvérsia, tanto internamente quanto em toda a região do Oriente Médio, uma vez que a capacidade de enriquecer combustível nuclear poderia, em teoria, levar eventualmente à criação de armas nucleares.

Na declaração de anúncio da assinatura, o secretário de Energia americano, Chris Wright, argumentou que “os acordos mantêm os mais altos padrões de segurança nuclear e não proliferação”.

A CNN havia noticiado anteriormente que o governo deixou o acordo parado por meses devido a preocupações com a guerra envolvendo o Irã e a possibilidade de rejeição pelo Congresso.

Antes que o enriquecimento de urânio possa começar, uma equipe conjunta dos EUA e da Arábia Saudita avaliaria se a medida é justificada e comercialmente viável, e os americanos construiriam a instalação sem transferir a tecnologia sensível para o país do Oriente Médio.

Além disso, o acordo proíbe Riad de desenvolver sua própria tecnologia de enriquecimento ou de adquiri-la de outros países por uma década, segundo o Wall Street Journal, que noticiou em primeira mão a aprovação do acordo.

O pacto inclui limitações quanto às inspeções que poderiam ser realizadas no programa saudita, segundo autoridades e fontes, o que pode suscitar ceticismo entre legisladores.

A Arábia Saudita não é obrigada a assinar um acordo padrão conhecido como Protocolo Adicional com a Agência Internacional de Energia Atômica — ao contrário do que fizeram os Emirados Árabes Unidos em 2009, ao assinarem um acordo de cooperação nuclear de “padrão ouro” com os EUA —, afirmou uma autoridade.

Os sauditas resistiram por muito tempo a assinar o protocolo, receosos de que ele pudesse, teoricamente, permitir a entrada de inspetores na cidade sagrada de Meca ou em palácios reais.

Em vez disso, o documento inclui um pacto bilateral de salvaguardas que se assemelha ao protocolo-modelo, mas não contém as cláusulas que desagradaram a Riad, segundo informou uma autoridade dos EUA à CNN.

O Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica terá de ratificar os termos do acordo.

Os defensores do texto afirmam que ele oferecerá uma oportunidade comercial lucrativa para a indústria nuclear americana — que vive um momento de retomada —, ao mesmo tempo em que poderá excluir concorrentes como a Rússia e a China.

O comunicado do Departamento de Energia afirmou que os acordos marcam o início de “uma parceria multibilionária de várias décadas” e argumentou que o pacto irá “gerar empregos bem remunerados nos EUA e promover o crescimento econômico a longo prazo”.

Dan Joyner, consultor de regulamentação nuclear e professor de direito da Universidade do Alabama, disse à CNN que o entendimento abrirá caminho para que “empresas americanas e de países aliados” vendam “reatores, componentes, serviços de combustível, treinamento e assistência técnica”, mediante aprovação governamental para exportação.

O acordo poderia beneficiar estrategicamente os EUA, argumentou Joyner, caso vincule os sauditas ao uso de tecnologia americana e proporcione a Washington uma “influência contínua sobre as práticas de segurança, proteção e não proliferação” associadas a ela.

Se o acordo fracassar, disse ele, “a Arábia Saudita poderá voltar-se para a Rússia ou a China, conferindo a esses países influência de longo prazo sobre infraestruturas sauditas críticas”.

É provável que outros países da região acompanhem de perto o andamento do acordo.

Israel, país que, segundo se acredita amplamente, possui armas nucleares não declaradas, vê com desconfiança o acesso da Arábia Saudita à tecnologia nuclear.

O Irã, principal rival da Arábia Saudita na região, possui um estoque de urânio enriquecido e prometeu manter seu programa nuclear mesmo após meses de bombardeios dos EUA, alegando que o programa tem fins civis.

O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, disse que buscaria ter uma arma nuclear caso o Irã venha a produzir uma.

Fonte: CNN e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 23/07/2026/16:39:51

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