Menos de cinco horas depois de receber o benefício da prisão domiciliar, ele rompeu a tornozeleira eletrônica e desapareceu. Até hoje, é considerado foragido.
A decisão foi dada durante um plantão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul pelo desembargador Divoncir Maran, que agora foi punido pelo Conselho Nacional de Justiça com aposentadoria compulsória.
Segundo o CNJ, o magistrado concedeu habeas corpus a um traficante apontado como liderança criminosa sem analisar adequadamente o processo.
Mensagens trocadas entre assessores mostram que o gabinete já esperava a chegada do pedido antes mesmo de ele entrar oficialmente no sistema. Em uma das conversas, um assessor escreveu: “Vai entrar esse HC, chefe pediu para prover.”
Segundo as investigações, os advogados de Palermo alegaram que ele tinha problemas de saúde no início da pandemia da Covid-19, mas não apresentaram laudos médicos. Mesmo assim, o benefício foi concedido em cerca de 40 minutos.
O próprio assessor Fernando Carlana assinou eletronicamente a decisão usando a assinatura digital do desembargador — prática que, segundo ele, era comum no gabinete.
Palermo ficou conhecido nacionalmente por participar, em 2000, do sequestro de um avião comercial usado para roubar malotes do Banco do Brasil.
Depois, segundo a Polícia Federal, passou a atuar no tráfico internacional de cocaína, fazendo ligação entre facções brasileiras e cartéis da Bolívia e da Colômbia.
O desembargador Divoncir Maran também é investigado por suspeitas de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A defesa dele nega irregularidades.
O caso reacendeu o debate sobre a aposentadoria compulsória como punição máxima para magistrados. Atualmente, o Supremo Tribunal Federal e o Congresso discutem mudanças nas punições aplicadas a juízes em casos disciplinares graves.
Fonte: g1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 25/05/2026/07:29:52
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