Supertufão chega a 296 km/h e forma olho gigante no Pacífico
'Champi' chegou à força equivalente à categoria máxima de furacões; fenômeno segue em deslocamento pelo oceano
Imagens de satélite revelaram uma mudança impressionante na estrutura do supertufão Champi, que se fortaleceu sobre o Oceano Pacífico e atingiu ventos sustentados de aproximadamente 296 km/h. No auge, registrado nesta semana, o fenômeno alcançou intensidade equivalente à categoria 5 de furacões, o nível mais alto da escala Saffir-Simpson.
O que chamou a atenção dos meteorologistas foi a transformação do centro da tempestade. Quando passou nas proximidades de Guam, território dos Estados Unidos na Micronésia, o olho do ciclone media entre 8 e 10 quilômetros de largura. Dias depois, imagens mostraram que essa região havia aumentado para cerca de 56 quilômetros.
O olho é a parte central do sistema, onde os ventos costumam ser relativamente mais fracos. Ao redor dele fica a chamada parede do olho, uma faixa de nuvens densas que concentra os ventos mais intensos e as chuvas mais fortes.
A mudança está relacionada a um processo de reorganização interna que pode ocorrer em ciclones tropicais muito intensos. Nesse mecanismo, uma nova faixa de tempestades se forma ao redor da parede do olho original e começa a ganhar força.
Com o avanço desse processo, a estrutura externa passa a substituir a parede interna, fazendo com que o olho central aumente de tamanho. Durante essa transição, a intensidade dos ventos pode oscilar, com uma redução temporária antes de uma possível nova intensificação.
No caso do Champi, meteorologistas identificaram sinais compatíveis com essa reorganização. A transformação ajuda a explicar como o centro do ciclone cresceu significativamente mesmo enquanto a tempestade continuava extremamente poderosa.
A dimensão do olho também despertou discussões entre especialistas sobre os limites físicos da intensidade que um sistema desse porte pode alcançar. Essa hipótese, no entanto, não foi apresentada como conclusão oficial pelos principais centros de monitoramento meteorológico.
O Champi alcançou pressão atmosférica estimada em 895 hectopascais (hPa) no centro durante o período de maior intensidade. Valores tão baixos são característicos de ciclones tropicais muito fortes e indicam um sistema com uma diferença acentuada de pressão em relação às áreas ao redor.
Com ventos sustentados próximos de 300 km/h, o fenômeno foi apontado como o ciclone tropical mais intenso de 2026 até aquele momento, conforme levantamento citado pela agência espacial americana Nasa.
Na quarta-feira (21), porém, o sistema já apresentava sinais de enfraquecimento. Mesmo com a perda de força, a tempestade continuava perigosa por causa da intensidade dos ventos e dos efeitos que pode provocar no mar e nas áreas costeiras.
A trajetória prevista mantinha o ciclone sobre o Pacífico Ocidental, com atenção voltada à região de Taiwan e ao sul do Japão. A evolução do sistema poderia alterar o risco de ventos fortes, ondas elevadas e chuvas intensas nas áreas próximas ao seu deslocamento.
O que diferencia tufão, furacão e ciclone?
Os três nomes designam o mesmo tipo de fenômeno meteorológico: um sistema de baixa pressão que se organiza sobre águas oceânicas quentes e pode produzir ventos intensos e precipitação volumosa.
A nomenclatura varia de acordo com a região em que a tempestade se forma. No noroeste do Pacífico, onde está o Champi, esses sistemas são chamados de tufões. No Atlântico e no nordeste do Pacífico, são conhecidos como furacões.
A expressão “supertufão” é usada pelo Centro Conjunto de Alerta de Tufões dos Estados Unidos para ciclones que ultrapassam determinados limites de velocidade dos ventos. O Champi superou esse patamar e chegou à intensidade equivalente à categoria máxima dos furacões.
A temperatura do oceano e as condições da atmosfera ajudam a determinar a força que uma tempestade pode alcançar. Águas muito quentes fornecem energia para o sistema, enquanto fatores como a variação dos ventos em diferentes altitudes podem favorecer ou dificultar seu desenvolvimento.
Fonte: Dol e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 22/10/2026/07:18:01
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