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Semaglutida supera tirzepatida no Brasil após Ozivy vender 200 mil unidades em julho

A Ozivy, primeira caneta de semaglutida fabricada no Brasil, vendeu 200 mil unidades em julho, seu primeiro mês completo de comercialização, e inverteu a disputa com a tirzepatida no mercado brasileiro.

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A Ozivy, primeira caneta de semaglutida fabricada no Brasil, vendeu 200 mil unidades em julho, seu primeiro mês completo de comercialização nas farmácias, e ajudou a inverter a disputa entre semaglutida e tirzepatida no mercado brasileiro. Com o desempenho, o medicamento da EMS alcançou participação de 28% entre as canetas de semaglutida, segundo dados da auditoria CloseUP divulgados pela farmacêutica nesta quarta-feira (19).

Em julho, a semaglutida respondeu por 56% do volume comercializado entre as duas principais moléculas da categoria, enquanto a tirzepatida ficou com 44%. Um mês antes, em junho, a relação era inversa: a tirzepatida representava 51% das vendas, contra 49% da semaglutida.

O avanço da Ozivy também aparece nos números financeiros. As vendas cresceram 264,55% em relação a junho, mês em que o produto começou a chegar às farmácias. Em faturamento, a caneta movimentou R$ 91,46 milhões em julho, alta de 268,16%, e ocupou a quinta posição entre todos os medicamentos comercializados pela indústria farmacêutica em faturamento no período.

Ozivy e o mercado de semaglutida

A Ozivy utiliza semaglutida, mesmo princípio ativo do Ozempic. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu o registro ao medicamento em 26 de maio de 2026, após análise de eficácia, segurança e qualidade. O produto é indicado oficialmente para adultos com diabetes mellitus tipo 2 insuficientemente controlado, como complemento à dieta e aos exercícios.

A caneta é aplicada uma vez por semana e foi registrada como uma versão sintética análoga ao medicamento biológico de referência. Segundo a Anvisa, a Ozivy foi a primeira caneta de semaglutida sintética desse tipo aprovada para comercialização no país.

Novos usuários impulsionam o mercado

Outro dado destacado pela fabricante mostra que aproximadamente 65% dos pacientes que adquiriram Ozivy ainda não utilizavam medicamentos da classe GLP-1. A estimativa é de levantamento da consultoria Dunnhumby e, segundo a EMS, indica que a entrada do produto ampliou o mercado ao alcançar pessoas que anteriormente não utilizavam tratamentos dessa categoria.

A Ozivy chegou às farmácias em junho, após o fim da patente da semaglutida no Brasil, ocorrido em 20 de março. O medicamento passou a ser comercializado por até R$ 333 por caneta nas condições oferecidas pelo programa Vida + Leve, da EMS.

Expansão e regulamentação

O fim da patente abriu espaço para novos fabricantes e aumentou a concorrência no mercado brasileiro. Em julho, a Anvisa aprovou outras cinco canetas injetáveis de semaglutida: Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy e Orsema. Todos os medicamentos receberam indicação para tratamento de diabetes tipo 2 e foram registrados após comparação com o Ozempic.

O Ministério da Saúde considera que a ampliação do número de fabricantes pode fortalecer a produção nacional, reduzir a dependência de importações, aumentar a concorrência e contribuir para uma eventual redução dos preços. Apesar da expansão da oferta, os medicamentos da classe GLP-1 ainda não são disponibilizados de forma regular pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Alerta para uso correto

Embora medicamentos à base de semaglutida sejam popularmente chamados de “canetas emagrecedoras”, a indicação aprovada para a Ozivy é especificamente o tratamento do diabetes tipo 2 nas condições estabelecidas pela Anvisa. O registro não deve ser confundido com autorização automática para tratamento da obesidade.

A expansão do mercado também ocorre em meio à preocupação das autoridades e das empresas com a comercialização de produtos falsificados, contrabandeados ou sem autorização sanitária. Marcus Sanchez, vice-presidente da EMS, afirmou que o aumento das opções regularizadas e mais acessíveis pode ajudar no combate ao mercado ilegal.

Com 200 mil unidades comercializadas apenas em julho, a estreia da Ozivy coloca a produção nacional no centro de um dos segmentos que mais crescem na indústria farmacêutica e ajuda a explicar por que a semaglutida voltou a ultrapassar a tirzepatida nas vendas brasileiras.

Fonte: Diário do Pará e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 19/08/2026/16:38:39

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