Com a disparada de infecções nos Estados Unidos e em países da América Latina, o Ministério da Saúde reforçou a vigilância para impedir que o vírus do sarampo volte a circular no Brasil. Atualmente, o país é considerado livre da transmissão interna da doença e trabalha ativamente para blindar sua população contra a onda de contágios no exterior.
Os Estados Unidos enfrentam hoje o maior surto da infecção em mais de 35 anos, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Os dados apontam que a doença se espalha de forma veloz entre os não imunizados, que representam mais de 90% dos doentes. O cenário continental também preocupa: a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) adverte que o sarampo já avança sobre nações como Peru, Guatemala, México e Canadá.
No território nacional, o cenário atual é de contenção. Até a última semana, o Ministério da Saúde contabilizou 52 casos, todos importados (contraídos fora do país). O estado de São Paulo concentra a maior parte (41 registros), seguido pelo Rio de Janeiro e Amazonas. Graças ao monitoramento e bloqueio vacinal, o Brasil continua livre da circulação local do vírus.
Esse status é uma conquista recente. Em 2019, o país registrou mais de 20 mil casos, o que resultou na perda da certificação internacional de eliminação do vírus. O quadro começou a mudar quando o número de crianças não vacinadas caiu 86% a partir de 2023, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Essa recuperação tirou o Brasil do ranking das 20 nações com mais crianças desprotegidas, garantindo a retomada do certificado de país livre do sarampo.
Estratégias de prevenção e a “dose zero”
Para garantir que a doença não retorne, o Sistema Único de Saúde (SUS) já realizou quatro grandes mobilizações ao longo deste ano. Apenas em São Paulo, foram aplicadas 3,8 milhões de doses. No Amazonas, foram 192 mil aplicações, com foco especial nas fronteiras com Colômbia e Peru. Essas ações incluem busca ativa, investigação de suspeitas e rastreamento de contatos.
Para respostas rápidas sobre como proteger as crianças, a saúde pública adota a estratégia da “dose zero”. Direcionada a bebês a partir dos 6 meses de idade, essa aplicação funciona como uma proteção extra e não anula a necessidade das doses de rotina do calendário oficial, que devem ser tomadas a partir dos 12 meses. A vacina é totalmente gratuita no SUS e continua sendo a estratégia definitiva para manter o sarampo longe do Brasil.
Fonte: Agência Brasil e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 08/10/2026/16:48:08
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