Queimadas destroem lavouras, matam animais e levam Alenquer a decretar emergência
Fogo atingiu residências, matou criações e provocou 32 focos simultâneos na zona rural do município, que já enfrentava forte estiagem.
Em uma das propriedades rurais atingidas, as chamas mataram quatro porcos, feriram outros animais e danificaram estruturas, incluindo casas, uma casa de farinha e caixas d’água. Cultivos de milho e cebola também foram consumidos pelo fogo, gerando perdas e desespero para os moradores da área.
Uma moradora da localidade gravou imagens da destruição para relatar o impacto sofrido pela família. Visivelmente abalada, ela descreveu o cenário encontrado logo após a passagem do fogo.
“Matou quatro porcos do papai, queimados. Dois nós conseguimos salvar. Galinha da mamãe morrendo. Gente, queimou muita coisa, muita coisa mesmo”, relatou a moradora.
Os dois porcos resgatados com vida tiveram queimaduras graves pelo corpo e foram encontrados debilitados, com dificuldades para respirar. Diante das perdas, familiares lamentaram os prejuízos e criticaram a ação de pessoas que ateiam fogo na vegetação sem considerar os riscos para a comunidade e para os animais.
Prejuízos e combate às chamas
De acordo com o coordenador da Defesa Civil de Alenquer, Roger Costa, o avanço rápido dos incêndios superou a capacidade imediata de controle das equipes locais. O calor intenso, a baixa umidade do ar e os ventos fortes têm acelerado a propagação do fogo pelas matas e pastagens.
“Chegamos a ter 32 focos simultaneamente de incêndio. Humanamente, com os recursos que a gente tem, é impossível combater e controlar todos”, afirmou o coordenador.
Segundo o coordenador, os estragos atingem diferentes setores da zona rural, comprometendo a produção e a integridade de moradores.
“Lavouras inteiras, criações de animais estão sendo perdidas no município de Alenquer. Isso tem causado prejuízos ambientais na fauna e na flora, prejuízo privado, lavouras, pastagem, animais, até mesmo casas já foram incendiadas”, relatou Costa.
Os danos atingem tanto a flora quanto a fauna silvestre, que acaba encurralada pelas chamas ou forçada a fugir para outras áreas. As equipes de resgate também registraram ocorrências de animais selvagens feridos em decorrência do fogo florestal.
A operação de resposta reúne brigadistas municipais, secretarias municipais e equipes do 4º Grupamento de Bombeiros Militar (4º GBM), que atuam na região há dois meses. A força-tarefa conta ainda com integrantes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), maquinários da prefeitura e de particulares, e apoio de aeronaves e helicópteros, além do auxílio de moradores de comunidades vizinhas.
Agravamento pela estiagem
Diante do volume de chamados, as frentes de trabalho concentram esforços prioritariamente na proteção de áreas residenciais para evitar que moradias sejam queimadas. A crise ambiental ocorre de forma associada a uma seca rigorosa enfrentada no município.
A estiagem reduziu o nível dos rios, secou poços e açudes, além de isolar comunidades ribeirinhas e causar mortandade de peixes. Além disso, reservatórios usados para abastecer rebanhos e tanques de criação de peixes também estão secando.
A Prefeitura de Alenquer já havia publicado um decreto de emergência por seca há menos de 20 dias e, com o novo decreto voltado aos incêndios, busca articular suporte financeiro e logístico junto aos governos estadual e federal.
Caminhões-pipa passaram a abastecer as regiões mais castigadas, mas a Defesa Civil alerta que a estrutura atual não consegue atender a toda a demanda.
Fonte: g1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 05/11/2026/07:19:00
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