Naraguaçu Pureza, educadora de rua do Emaús com a Pastoral Povo na Rua, confirma que a vítima tem saúde mental fragilizada e vive há anos no bairro do Umarizal, dormindo há anos frequentemente em frente à faculdade.
“Ele não tem condições de se defender”, relata.
Durante o protesto, a própria vítima apareceu vagando pela calçada. Leila Palheta, do Coletivo Fala Perita, estava na manifestação e pede investigação séria da polícia e expulsão imediata. Os manifestantes cobraram providências da faculdade particular e responsabilização criminal por lesão corporal.
Em nota, o Cesupa informou que procedeu com o afastamento cautelar dos alunos envolvidos e instaurou Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD), formando comissão interna para apurar os fatos no âmbito acadêmico e notificando os alunos.
“O procedimento apuratório seguirá em curso, e o seu resultado será devidamente comunicado à comunidade, observados os prazos estabelecidos no PAD, com a urgência que o caso requer”, diz a nota.
Entenda o caso
De acordo com as investigações, os suspeitos foram identificados como Altemar Sarmento Filho, apontado como a pessoa que usa a arma de choque, e Antônio Coelho, que teria registrado a ação.
Vídeos amplamente compartilhados mostram Altemar Sarmento aproximando-se por trás e descarregando o taser nas costas do homem, que cambaleia. Antônio Coelho, colega de turma, grava e ri da situação
Outro vídeo gravado em fevereiro mostra agressão com extintor de incêndio contra o mesmo homem, em frente ao prédio da instituição.
Testemunhas relatam que Antônio Coelho exibia o taser frequentemente na faculdade, desafiando colegas: “Leva um choque por X reais”. Altemar participava das “brincadeiras”.
O caso só chegou à polícia porque dois entregadores de aplicativo presenciaram uma agressão na segunda-feira (13) e seguiram os agressores até a universidade, onde houve uma confusão. Altemar Sarmento e Antônio Coelho prestaram depoimento na terça-feira (14), acompanhados de advogados, e foram liberados após menos de 30 minutos.
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OAB aponta racismo
A Ordem dos Advogados do Brasil seção do Pará apontou racismo em uma nota de repúdio publicada na segunda-feira (13). Na nota, a OAB-PA afirmou que “não se pode ignorar a dimensão racial do caso”.
Não se pode ignorar, ainda, a dimensão racial do caso. A naturalização da violência contra pessoas em situação de rua, em especial negras está inserida em um contexto estrutural de racismo que histociamente desumaniza corpos negros e os submete a reiteradas formas de violencia”, afirmou.
A OAB-PA disse ainda que “exige apuração rigorosa pelos órgãos competentes, bem como a responsabilização e punição dos envolvidos.
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Fonte: g1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 14/04/2026/18:06:09
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