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PF cumpre mandados de busca e apreensão contra o ex-secretário do Maranhão em caso de suposta perseguição a Dino

A defesa de Raimundo Cutrim afirmou, em nota, que o ex-secretário é visto pelos autores dos mandados "como fonte jornalística" do jornalista Luis Pablo.

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A ação foi pedida pela PF e teve aval da Procuradoria-Geral da República (PGR) em um desdobramento do caso do jornalista Luis Pablo, acusado de perseguir o ministro Flávio Dino, do STF.

A defesa de Cutrim afirmou, em nota, que o ex-secretário é “visto pelos autores dos mandados de busca e apreensão como fonte jornalística” do jornalista Luis Pablo.

A PF afirmou ao STF que, desde novembro de 2025, Luis Pablo passou a publicar conteúdos com fotos e dados do veículo funcional do ministro.

Ainda de acordo com a PF, o jornalista também publicou a informação de que o veículo, que oficialmente pertence ao Tribunal de Justiça do Maranhão, vinha sendo usado por integrantes da família do ministro.

Uso do cargo público

A PF apontou que Cutrim usou o cargo público para obter as informações e as imagens dos veículos posteriormente divulgadas por Luis Pablo. Os dados, segundo a PF, teriam sido obtidos a partir de sistemas com acesso controlado.

Os investigadores também localizaram conversas entre Luis Pablo e Diogo Lima, ex-secretário municipal de Urbanismo e Habitação de São Luís (MA), e uma transferência bancária no valor de R$ 100 mil em benefício do jornalista.

“No contexto da relação entre LUÍS PABLO e DIOGO DINIZ LIMA, de acordo com a Polícia Federal, também foram identificadas trocas de mensagens em que se constatou uma transferência bancária, no valor de R$ 100.000,00 (cem mil reais) de DIOGO LIMA em favor de LUIS PABLO, mas depositada na conta de um terceiro, DANILO CUTRIM BEZERRA. O transferência seria para quitar parte do valor referente à compra de um imóvel pertencente a pessoa de DANILO CUTRIM, efetuada por LUIS Pablo” , diz trecho da decisão que autorizou as buscas.

Decretação de prisão

Em julho, o ministro Flávio Dino decretou a prisão domiciliar do então secretário extraordinário de Assuntos Legislativos do Maranhão, Raimundo Cutrim.

O caso está sob sigilo no STF. Segundo a PF, são apurados fatos que, entre 2022 e 2026, “poderiam caracterizar obstrução à Justiça e coação no curso do processo, crimes estes supostamente conexos com homicídio, corrupção e peculato, dentre outras hipóteses delitiva”.

Dino nega uso irregular de veículos oficiais

A assessoria do ministro Flávio Dino divulgou uma nota. “A assessoria do ministro Flávio Dino, em face da repetição de inverdades, informa que jamais houve uso irregular de veículos oficiais do Tribunal de Justiça do Maranhão”.

“Um carro blindado foi cedido por solicitação da Secretaria de Segurança do STF, no âmbito de acordo de cooperação vigente com todos os tribunais do país. A assessoria não pode transmitir detalhes de segurança do ministro e de sua família, inclusive porque ele é alvo constante de agressões e ameaças, como é público e notório”, acrescentou a assessoria do ministro Dino.

O texto segue afirmando que, “nesse sentido, investigações recentes demonstraram que até mesmo os veículos particulares do ministro e sua família eram “monitorados” e seguidos”.

A assessoria concluiu afirmando que “não possui outras informações, tendo em vista que os processos tramitam em segredo de justiça” e que “em face de fatos novos, o gabinete já solicitou providências adicionais de segurança para o ministro e sua família, também de natureza reservada”.

A defesa de Cutrim afirmou que “não teve acesso aos processos, nem sobre as operações anteriores nem sobre as de hoje” e que “observa-se que as operações de hoje dizem respeito às notícias divulgadas pelo jornalista Luís Pablo referentes ao uso irregular, pela família do ministro Flávio Dino, de viaturas de Tribunal de Justiça do Maranhão, denúncias estas que seguem sem apuração”.

Os advogados dizem ainda que “Raimundo Cutrim é visto pelos autores dos mandados de busca e apreensão como fonte jornalística do jornalista Luís Pablo. A decisão quanto a operação hoje foi expedida pelo ministro Alexandre de Moraes em atendimento a denúncia formulada pelo ministro Flávio Dino”.

Criminalização do exercício da profissão

Luis Pablo divulgou nota em que manifestou “preocupação com os rumos da investigação conduzida pela Polícia Federal e, especialmente, com a tentativa de criminalizar o exercício da minha atividade jornalística”.

Segundo posicionamento divulgado pelo jornalista, “causa perplexidade que, após a identificação e violação do sigilo de uma fonte jornalística — garantia expressamente protegida pela Constituição Federal —, fatos e relações de natureza estritamente privada, sem qualquer vínculo com a produção ou publicação de conteúdo jornalístico, estejam sendo utilizados para tentar me atribuir uma conduta criminosa”.

Fonte: G1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 12/08/2026/14:37:09

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