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Pará não registra casos graves da vacina contra dengue suspensa

Pará aplicou mais de 3,4 mil doses do imunizante contra a dengue do Instituto Butantan; vacinação foi interrompida preventivamente em todo o país.

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A suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan foi anunciada na última segunda-feira (8) pelo Ministério da Saúde e tem caráter preventivo. A decisão ocorre após a identificação de eventos adversos raros em pessoas imunizadas, incluindo três casos que demandaram internação hospitalar e dois óbitos. A suspensão não registrou reflexos negativos no Pará.

Ao DOL na manhã desta terça-feira, 9 de junho, a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) informou que nenhuma ocorrência grave foi identificada entre os paraenses vacinados até o momento.

No Pará, a vacina Butantan-DV foi destinada exclusivamente aos profissionais da Atenção Primária à Saúde, conforme estratégia definida pelo Ministério da Saúde para imunizar trabalhadores da linha de frente do Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo a Sespa, o Estado recebeu 23.840 doses do imunizante desde fevereiro deste ano. Desse total, 3.470 doses já foram aplicadas. A secretaria afirma que, até o momento, não houve registro de reações severas pós-vacinação.

Apesar da interrupção temporária da estratégia nacional, a Sespa ressaltou que as ações de combate à dengue seguem normalmente em parceria com os municípios, incluindo vigilância epidemiológica, prevenção, assistência aos pacientes e controle do mosquito transmissor.

O órgão também reforçou que a vacinação com a Qdenga, produzida pelo laboratório Takeda, permanece disponível em todos os 144 municípios paraenses para adolescentes de 10 a 14 anos, público-alvo definido pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI).

Desde 2024, o Pará recebeu 261.124 doses da Qdenga. Segundo a Sespa, foram aplicadas 142.538 primeiras doses e 42.571 segundas doses do esquema vacinal.
Belém também não registrou reações fora do esperado

Na capital paraense, a Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma) informou que seguiu imediatamente a determinação do Ministério da Saúde e suspendeu a aplicação da vacina do Instituto Butantan.

A imunização estava sendo realizada exclusivamente entre trabalhadores da Atenção Primária à Saúde (APS), Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes de Controle de Endemias (ACE).

De acordo com a Sesma, 292 doses haviam sido aplicadas em Belém até a suspensão da estratégia. Assim como no restante do Estado, não houve notificações de reações adversas fora do esperado.

A secretaria destacou ainda que a vacinação de adolescentes de 10 a 14 anos continua normalmente, uma vez que utiliza a vacina Qdenga, da farmacêutica Takeda, que não foi afetada pela decisão do Ministério da Saúde.

Ministério suspende vacinação

O anúncio da suspensão foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que afirmou que a medida busca garantir a máxima segurança da população enquanto são aprofundadas as investigações sobre os eventos adversos registrados.

“Essa descontinuidade tem um objetivo, que é a ação de precaução, para que o Ministério da Saúde, a Anvisa e o Butantan aprofundem a investigação nos 42 casos, que são episódios de reações adversas da vacina, para buscar fatores de risco nessas pessoas, fazer uma espécie de estudo de caso-controle”, declarou o ministro.

Padilha ressaltou ainda que o governo federal mantém confiança na capacidade técnica do Instituto Butantan e reforçou que a suspensão não representa uma perda de eficácia do imunizante.

Até 30 de maio, pouco mais de 500 mil doses da vacina Butantan-DV haviam sido aplicadas no país. Segundo o Ministério da Saúde, 3.703 vacinados apresentaram sintomas semelhantes aos da dengue, o equivalente a cerca de 0,7% do total.

Entre esses casos, 42 pessoas desenvolveram sinais de alerta, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes ou sangramentos. Três pacientes evoluíram para quadros graves que exigiram hospitalização. Dois deles morreram, mas ainda não há comprovação de que os óbitos tenham sido causados pela vacina.

As investigações irão analisar o histórico clínico, doenças preexistentes, fatores de risco individuais, possíveis erros de imunização e outras causas que possam explicar os episódios registrados.

Quem já tomou a vacina deve se preocupar?

O Ministério da Saúde afirma que as pessoas que receberam a vacina continuam protegidas contra os quatro sorotipos da dengue e que a suspensão da estratégia não invalida a eficácia do imunizante.

Segundo a pasta, mais de 90% dos vacinados não apresentaram qualquer efeito colateral após a aplicação. Os eventos considerados graves são raros e seguem sob investigação.

A orientação é que os vacinados observem seu estado de saúde durante os 21 dias seguintes à aplicação da dose. Em caso de febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura, sonolência excessiva, sinais de desidratação ou piora do estado geral, a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente.

O Ministério destaca ainda que, após 21 dias, não há mais componente ativo da vacina detectável no organismo.
Efeitos adversos mais comuns

Conforme a bula da vacina do Instituto Butantan, os efeitos adversos mais frequentemente observados são considerados leves ou moderados e costumam desaparecer espontaneamente após alguns dias.

Entre os sintomas esperados estão dor de cabeça, dores musculares, dor atrás dos olhos, manchas na pele, cansaço intenso, coceira, náuseas, sensibilidade à luz e calafrios.

Casos semelhantes aos sintomas da dengue, acompanhados de febre, também foram observados, mas de forma muito rara, segundo o Ministério da Saúde.

Fonte: DOL e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 09/06/2026/17:06:54

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