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Mulheres no Irã: entre a resistência e a luta por direitos

No Irã e no Afeganistão, mulheres enfrentam restrições, repressão e desafios diários enquanto lutam pelo direito à liberdade, educação e igualdade.

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A trajetória das mulheres iranianas é marcada por mudanças políticas, desafios sociais e uma luta constante pelo direito de escolher seus próprios caminhos.

A história das mulheres no Irã é marcada por contrastes. Ao mesmo tempo em que o país possui mulheres altamente qualificadas, presentes em universidades, na ciência, na literatura e em diferentes áreas profissionais, muitas ainda enfrentam restrições impostas por leis e normas sociais que influenciam diretamente sua autonomia e participação na sociedade.

Desde a Revolução Islâmica de 1979, quando o Irã passou a ser governado por uma República Islâmica, diversas mudanças foram implementadas na legislação do país. Uma das principais alterações envolveu a obrigatoriedade do uso do hijab (véu islâmico) em espaços públicos para mulheres e meninas acima da idade estabelecida pelas autoridades. A regra tornou-se um dos símbolos mais conhecidos do controle estatal sobre a vida feminina e, ao longo dos anos, gerou debates dentro e fora do país.

Além das normas relacionadas à vestimenta, organizações internacionais de direitos humanos apontam que as mulheres iranianas enfrentam desigualdades em diferentes áreas, como leis familiares, direitos relacionados ao casamento, divórcio, guarda dos filhos e herança. Essas diferenças são frequentemente questionadas por ativistas, que defendem mudanças na legislação e maior igualdade entre homens e mulheres.

Apesar dos obstáculos, as mulheres iranianas conquistaram importantes espaços na sociedade. O acesso à educação aumentou significativamente ao longo das últimas décadas, e muitas mulheres passaram a ocupar universidades e profissões consideradas de grande relevância. Elas atuam como médicas, pesquisadoras, jornalistas, artistas, advogadas e empresárias, demonstrando uma participação ativa no desenvolvimento social do país.

Entretanto, a relação entre essas conquistas e as limitações impostas pelo governo criou uma realidade complexa. Muitas mulheres possuem formação acadêmica e independência profissional, mas ainda enfrentam barreiras relacionadas às suas escolhas pessoais e à liberdade de expressão.

A morte de Mahsa Amini e o movimento “Mulher, Vida, Liberdade”

Um dos acontecimentos mais marcantes da história recente do Irã ocorreu em setembro de 2022, com a morte de Mahsa Amini, uma jovem curda iraniana de 22 anos. Ela foi detida pela chamada “Polícia da Moral”, órgão responsável por fiscalizar regras de comportamento e vestimenta, sob a acusação de não usar o hijab de maneira considerada adequada pelas autoridades.

Após sua morte, protestos se espalharam pelo país e ganharam repercussão internacional. O movimento ficou conhecido pelo lema “Mulher, Vida, Liberdade”, uma frase que passou a representar a luta de muitas iranianas por autonomia, dignidade e direitos básicos.

As manifestações reuniram principalmente mulheres jovens, mas também contaram com a participação de homens que apoiavam as reivindicações. Para muitas participantes, o protesto ia além da questão do véu: representava uma crítica mais ampla às restrições impostas sobre a vida das mulheres.

A resposta do governo iraniano aos protestos foi marcada por repressão. Organizações internacionais denunciaram prisões, perseguições contra ativistas, restrições ao acesso à internet e punições contra pessoas envolvidas nas manifestações. Mesmo diante dos riscos, muitas mulheres continuaram demonstrando resistência.

Resistência cotidiana

A resistência das mulheres iranianas não acontece apenas nas grandes manifestações. Muitas delas também expressam suas posições por meio da arte, da escrita, do jornalismo e das redes sociais. Algumas desafiam publicamente as regras de vestimenta, enquanto outras utilizam espaços digitais para compartilhar relatos e denunciar situações que consideram injustas.

Essa resistência também aparece em pequenas atitudes do cotidiano: escolher como se vestir, defender o direito de estudar, trabalhar ou participar da vida pública são formas de reivindicar autonomia.

Para ativistas de direitos humanos, a luta das mulheres iranianas está relacionada a uma questão fundamental: o direito de cada pessoa participar das decisões sobre sua própria vida.

O futuro das mulheres iranianas

A situação das mulheres no Irã continua sendo acompanhada por organizações internacionais, governos e entidades de defesa dos direitos humanos. Embora mudanças ainda sejam consideradas difíceis devido ao cenário político do país, a mobilização feminina demonstra que as demandas por igualdade permanecem presentes.

A história das mulheres iranianas revela uma sociedade em transformação, onde diferentes gerações continuam debatendo o papel da mulher, seus direitos e sua participação no futuro do país.

Mais do que uma discussão sobre roupas ou costumes, a questão envolve liberdade individual, igualdade perante a lei e o direito de ter voz dentro da própria sociedade. A trajetória dessas mulheres mostra uma luta marcada por desafios, mas também por coragem e persistência.

Mulheres no Afeganistão: uma luta silenciosa por direitos e liberdade

Sob um dos regimes mais restritivos do mundo, mulheres afegãs enfrentam limitações severas enquanto continuam resistindo pela garantia de seus direitos fundamentais.

A história das mulheres no Afeganistão é marcada por mudanças políticas, conflitos e uma constante luta por espaço dentro da sociedade. Durante décadas, muitas afegãs conquistaram avanços no acesso à educação, ao trabalho e à participação pública. No entanto, após o retorno do Talibã ao poder em 2021, diversas dessas conquistas foram interrompidas.

Desde então, o governo talibã estabeleceu uma série de restrições que afetam diretamente a vida das mulheres. Entre as medidas adotadas estão a proibição da educação secundária e universitária para meninas e mulheres, limitações ao trabalho feminino em diversas áreas e regras rígidas sobre vestimenta e circulação em espaços públicos.

A exclusão das mulheres da educação tornou-se uma das maiores preocupações de organizações internacionais. Para muitas afegãs, a impossibilidade de estudar representa não apenas a perda de oportunidades profissionais, mas também a retirada de um direito básico de construir o próprio futuro.

Mesmo diante das restrições, muitas mulheres continuam buscando formas de resistência. Algumas organizam escolas secretas para meninas, outras denunciam a situação por meio das redes sociais e de organizações de defesa dos direitos humanos. Essas atitudes, porém, podem trazer grandes riscos em um ambiente onde manifestações contrárias ao governo são fortemente reprimidas.

A situação das mulheres afegãs é considerada uma das maiores crises de direitos humanos da atualidade. Sua luta representa o desejo de milhões de mulheres pelo direito de estudar, trabalhar e participar plenamente da sociedade.

Mais do que uma questão política, a realidade do Afeganistão revela uma batalha por dignidade e autonomia. Mesmo diante de grandes desafios, mulheres afegãs continuam mostrando resistência e defendendo o direito de escolher seus próprios caminhos.

Fonte: ONU,ONU Mulheres,Amnesty International,Human Rights Watch,BBC, Reuters e Associated Press e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 22/07/2026/18:12:09

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