Durante a visita, que contou com a participação de vereadores, representantes da Secretaria Municipal de Urbanismo e Serviços Públicos (Semurb), lideranças comunitárias e catadores, a promotora afirmou ter encontrado irregularidades graves, principalmente relacionadas ao descarte de lixo hospitalar.
Segundo Lilian Braga, seringas e outros materiais perfurocortantes estavam espalhados na área de circulação do aterro.
“Encontramos seringas e outros resíduos hospitalares espalhados no entorno da área. Nós mesmos estávamos pisando nesse material durante a visita. Isso demonstra que o descarte está sendo feito de forma inadequada e precisa ser corrigido imediatamente”, afirmou a promotora.
Outro ponto que motivou a atuação do Ministério Público é a área de armazenamento do chorume, líquido altamente poluente produzido pela decomposição do lixo.
Embora, no dia da inspeção, a bacia de contenção apresentasse aspecto de estabilidade, moradores relataram que já houve episódios de extravasamento, principalmente durante o período chuvoso.
Segundo a promotora, existe preocupação com a possível contaminação de um igarapé localizado abaixo da área do lixão, utilizado por moradores das comunidades vizinhas.
“Foi relatado que já houve extravasamento dessa bacia e há um igarapé que passa logo abaixo, afetando comunidades que convivem com essa situação”, disse.
Ela destacou ainda que o Ministério Público acompanha o caso há anos e cobra o cumprimento de uma decisão judicial que determinou o encerramento das atividades irregulares no local.
Moradores denunciam impactos ambientais
A situação preocupa moradores de diversas comunidades próximas ao lixão, como Perema, Miritituba, Estrada Nova, Castela, Cristo Rei e Bom Gosto.
Raimundo Bezerra, representante da Associação de Moradores da comunidade Miritituba, afirma que o problema é antigo e que, durante as chuvas, o chorume invade o igarapé utilizado pela população.
“Esse problema existe há muitos anos. Quando chove forte, o chorume desce e ocupa o igarapé. As famílias usam essa água e as crianças tomam banho ali. É um descaso que causa enormes prejuízos para várias comunidades”, relatou.
Catadores denunciam mistura de lixo hospitalar
Quem trabalha diariamente na separação de materiais recicláveis também relata riscos constantes.
A catadora Raimunda Mota afirma que resíduos hospitalares chegam misturados ao lixo doméstico, expondo trabalhadores a acidentes.
“A gente encontra agulhas, panos com sangue e outros materiais perigosos. Pessoas já se furaram nas mãos e nos pés. Esse lixo deveria ter uma coleta separada. Precisamos de um trabalho mais digno”, disse.
Segundo ela, o problema ocorre há anos e coloca em risco a saúde dos trabalhadores que atuam no local.
Sentença reconheceu danos ambientais
A situação do lixão do Perema é alvo de uma Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Público ainda em 2009.
Em sentença proferida em julho de 2025, a Vara da Fazenda Pública e Execução Fiscal de Santarém reconheceu a responsabilidade solidária do Município de Santarém e da empresa Clean Gestão Ambiental Serviços Gerais Ltda. pelos danos ambientais e sanitários causados pela operação do lixão.
Na decisão, o juiz destacou que perícias técnicas identificaram:
contaminação do solo e dos recursos hídricos;
ausência de sistema adequado de tratamento de chorume;
descarte irregular de resíduos hospitalares;
emissão de gás metano com risco de explosão;
poluição atmosférica provocada por fumaça;
riscos à saúde das comunidades vizinhas.
A sentença determinou, entre outras medidas:
interrupção do recebimento de novos resíduos no lixão;
implantação de sistema de contenção e tratamento do chorume;
drenagem e queima controlada do gás metano;
elaboração de Plano de Recuperação da Área Degradada (PRAD);
apresentação de projeto para implantação de um aterro sanitário licenciado.
O descumprimento das determinações prevê multas diárias que variam entre R$ 10 mil e R$ 50 mil, conforme cada obrigação imposta.
O que dizem os envolvidos
A reportagem também tentou contato com a empresa Clean Gestão Ambiental Serviços Gerais Ltda., responsável pela operação do aterro, mas não conseguiu localizar representantes da empresa. O espaço permanece aberto para manifestação.
Fonte: g1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 05/08/2026/06:52:29
O formato de distribuição de notícias do Jornal Folha do Progresso pelo celular mudou. A partir de agora, as notícias chegarão diretamente pelo formato Comunidades, ou pelo canal uma das inovações lançadas pelo WhatsApp. Não é preciso ser assinante para receber o serviço. Assim, o internauta pode ter, na palma da mão, matérias verificadas e com credibilidade. Para passar a receber as notícias do Jornal Folha do Progresso, clique nos links abaixo siga nossas redes sociais:
Apenas os administradores do grupo poderão mandar mensagens e saber quem são os integrantes da comunidade. Dessa forma, evitamos qualquer tipo de interação indevida. Sugestão de pauta enviar no e-mail:folhadoprogresso.jornal@gmail.com.
Envie vídeos, fotos e sugestões de pauta para a redação do JFP (JORNAL FOLHA DO PROGRESSO) Telefones: WhatsApp (93) 98404 6835– (93) 98117 7649.
“Informação publicada é informação pública. Porém, para chegar até você, um grupo de pessoas trabalhou para isso. Seja ético. Copiou? Informe a fonte.”
Publicado por Jornal Folha do Progresso, Fone para contato 93 981177649 (Tim) WhatsApp:-93- 984046835 (Claro) -Site: www.folhadoprogresso.com.br e-mail:folhadoprogresso.jornal@gmail.com/ou e-mail: adeciopiran.blog@gmail.com

