Gasolina pode ficar 2% mais barata com mais etanol; veja quando o preço deve cair
O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina para 32% a partir de agosto de 2026. A medida busca reduzir a dependência de importações e pode gerar uma pequena queda nos preços, embora o impacto real no consumo diário seja questionado por especialistas.
A gasolina vendida no Brasil passará a ter 32% de etanol anidro na composição a partir de 1º de agosto de 2026, após decisão aprovada nesta terça-feira (14) pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). A expectativa do governo é reduzir a dependência de combustível importado e provocar uma pequena queda nos preços, embora especialistas alertem que a economia real para o motorista pode ser limitada.
A mistura obrigatória subirá dos atuais 30% para 32% e terá validade inicial de 180 dias, com possibilidade de uma única prorrogação pelo mesmo período. Para o consumidor, a mudança será automática, já que a mistura é feita antes de o combustível chegar aos postos.
Impacto no preço e no consumo
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou após a reunião do CNPE que o novo percentual poderá reduzir o preço do litro da gasolina em cerca de R$ 0,03. Executivos do setor estimam uma queda de aproximadamente 2% na bomba.
A redução, porém, pode não se transformar integralmente em economia no uso diário. Como o etanol possui menor densidade energética que a gasolina, o veículo pode consumir mais combustível para percorrer a mesma distância.
“Neste momento, o preço pode cair um pouco na bomba. Mas, com o aumento da mistura, o consumo do carro também aumenta. No fim do dia, o motorista pode não perceber uma queda relevante no gasto com combustível”, afirmou Pedro Rodrigues, sócio da consultoria CBIE.
Estratégia de autossuficiência e demanda
A medida integra a estratégia do governo para reduzir os impactos da alta internacional do petróleo e diminuir a dependência de importações. O Brasil importa atualmente cerca de 15% da gasolina que consome.
Segundo cálculos do Ministério de Minas e Energia, a ampliação da mistura poderá evitar a importação de aproximadamente 450 milhões de litros de gasolina. Alexandre Silveira afirmou que a política pode contribuir para levar o país à autossuficiência no abastecimento.
A União da Indústria de Cana-de-Açúcar estima que a mudança elevará a demanda anual por etanol anidro em cerca de 1 bilhão de litros. O consumo atual é de aproximadamente 12,5 bilhões de litros por ano, e o setor afirma ter capacidade para atender ao crescimento.
Testes e preocupações do setor
O governo também já estuda elevar a mistura para 35%. Segundo o Ministério de Minas e Energia, os testes realizados para a adoção dos 32% não apontaram impactos relevantes nos veículos, inclusive nos modelos não flex.
Entidades que representam distribuidores, importadores e postos, porém, demonstraram preocupação com a mudança. Brasilcom, Abicom, Fecombustíveis e SindTRR alertaram para possíveis efeitos sobre veículos exclusivamente movidos a gasolina e motocicletas, especialmente em desempenho, durabilidade de componentes e custos de manutenção.
Já a União Nacional do Etanol de Milho classificou a medida como um avanço para a segurança energética e para a redução da dependência de combustíveis fósseis importados.
Fonte: DIARIO DO PARÁ e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 15/07/2026/15:23:17
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