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Filha de pastores e mais 5 se tornam réus por esquema em presídios; pena pode chegar a 18 anos de cadeia

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A Justiça de Mato Grosso recebeu a denúncia do Ministério Público e tornou Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida e outras cinco pessoas rés no processo que apura suposta lavagem de dinheiro e atuação em benefício de uma facção a partir de um projeto missionário que dava acesso a presídios do Estado.

Somadas as penas-base dos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro, Rhavenna pode ser condenada a até 18 anos de cadeia, além de multa.

Além de Rhavenna, passam a responder à ação penal Renildo da Silva Rios, o “Velhote”; Orminda Carlos de Barcelos Almeida; Rhuan Barcelos da Conceição; Anatany Nina de Barcelos Souza Alves; e Lo Rhuama Barcelos de Almeida Gobbi. A decisão é do juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, e foi disponibilizada nessa quinta-feira (17).

Segundo a decisão, Rhavenna, Renildo e Orminda foram denunciados pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Já Rhuan, Anatany e Lo Rhuama respondem, nessa ação, por lavagem de dinheiro.

Ao receber a acusação, o magistrado afirmou que os elementos citados pelo Ministério Público são suficientes, neste momento processual, para permitir o início da ação penal. O juiz destacou que a denúncia atende aos requisitos legais e está amparada em indícios de autoria e materialidade.

Os seis réus deverão ser citados e terão 10 dias para apresentar resposta à acusação.

Projeto missionário

O caso é resultado da Operação Fariseus, deflagrada pela Polícia Civil em julho. Conforme já foi mostrado, as investigações apontaram que integrantes de uma mesma família utilizavam o projeto religioso “Resgatando Vidas” para entrar em unidades prisionais. Segundo a Polícia Civil, o acesso que deveria ser destinado à assistência religiosa teria sido usado para manter contato com presos, transmitir recados e dar suporte a integrantes de uma organização criminosa.

As investigações também identificaram movimentações financeiras atribuídas a integrantes da facção, com utilização de contas de familiares e terceiros, fracionamento de recursos, depósitos e sucessivos repasses. A Polícia Civil apontou ainda indícios de que dinheiro relacionado ao grupo teria custeado viagens, procedimentos estéticos e aquisição de veículos.

Rhavenna é apontada na investigação como uma das principais personagens do esquema. Relatório policial mostrou registros dela aos beijos, dentro de uma unidade prisional, com Renildo Silva Rios, o “Velhote”, apontado pela investigação como uma das antigas lideranças da facção em Mato Grosso. Os documentos também registraram troca de presentes, dinheiro e contatos frequentes entre os dois.

Outra apuração revelada mostrou que Rhavenna teria recorrido a integrantes da organização criminosa após sua casa ser furtada. Em uma das conversas analisadas pela polícia, um interlocutor informou que integrantes do grupo estavam procurando o suspeito do furto e chegou a enviar a imagem de um homem amarrado.

O material reunido pelos investigadores também revelou conversas envolvendo integrantes do projeto religioso e presos da Penitenciária Central do Estado (PCE). A Polícia Civil identificou mensagens de teor sexual e afetivo que, segundo os investigadores, indicariam que algumas visitas extrapolavam a atividade religiosa.

Pai de Rhavenna morreu

O pastor Nivaldo de Almeida, pai de Rhavenna e marido de Orminda, também havia sido investigado no caso, mas não foi denunciado pelo Ministério Público porque morreu no dia 5 de setembro. A Justiça determinou que o MP apresente a certidão de óbito para posterior deliberação no processo.

Já Wiara Lima Cadore, Karolina Lopes Padilha, Jéssi Mariane Araújo dos Anjos e Lais Barbosa Lopes, indiciadas por falso testemunho, não integram o grupo dos seis réus desta ação. Conforme a decisão, o Ministério Público informou que pretende tratar separadamente de eventual acordo de não persecução penal com as quatro.

Rhavenna já teve a prisão preventiva decretada em procedimento cautelar separado. O juiz registrou que eventuais pedidos para revogar ou substituir a prisão deverão ser apresentados naquele processo específico.

Fonte: Repórter MT e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 19/09/2026/07:10:45

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