Desmatamento cai na Amazônia em 2026, mas Pará continua liderando devastação e concentra áreas protegidas mais afetadas
Levantamento do Imazon aponta menor índice de desmatamento para um primeiro semestre em oito anos, porém o Pará segue como o estado com maior área de floresta derrubada; Flona do Jamanxim está entre as unidades de conservação mais desmatadas.
Apesar da redução do desmatamento na Amazônia nos primeiros seis meses de 2026, o Pará continua ocupando a posição de maior destaque negativo no cenário ambiental brasileiro. Dados divulgados pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), por meio do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), mostram que o estado permaneceu como o maior responsável pela perda de cobertura florestal na Amazônia Legal e concentrou as unidades de conservação mais pressionadas pela devastação.
Entre janeiro e junho de 2026, a Amazônia perdeu 1.145 km² de floresta, uma redução de 10% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado representa o menor índice para um primeiro semestre desde 2018 e ficou 76% abaixo do registrado em 2022, quando o bioma atingiu o maior nível de desmatamento da série histórica para esse período.
Pará continua liderando o desmatamento
Considerando o chamado calendário do desmatamento, que compreende o período entre agosto de um ano e julho do ano seguinte, o Pará liderou novamente o ranking.
| Estado | Área desmatada (ago/2025 a jun/2026) |
|---|---|
| Pará | 684 km² |
| Mato Grosso | 509 km² |
| Amazonas | 378 km² |
Embora o estado tenha reduzido em 36% a área desmatada em relação ao ciclo anterior — quando registrou 1.072 km² —, o volume absoluto continua sendo o maior entre os nove estados da Amazônia Legal.
Segundo o Imazon, o Pará, Mato Grosso e Amazonas concentram grandes extensões de floresta e precisam reforçar as ações de fiscalização, monitoramento e responsabilização para reduzir novas derrubadas.
APA Triunfo do Xingu concentrou metade da devastação em áreas protegidas
O levantamento também aponta um dado preocupante: a Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, localizada no Pará, respondeu praticamente por metade de todo o desmatamento registrado em áreas protegidas da Amazônia durante o primeiro semestre.
Foram 47,85 km² de floresta destruídos no período.
Isso representa:
- cerca de 4.800 campos de futebol;
- média de aproximadamente 25 campos de futebol desmatados por dia.
A devastação foi quase quatro vezes superior à registrada na segunda colocada do ranking, a Floresta Nacional de Altamira, também no Pará, que perdeu 12,51 km² de vegetação.
Áreas protegidas mais desmatadas
Entre as unidades de conservação que registraram mais de 1 km² de desmatamento no primeiro semestre estão:
| Unidade de Conservação | Área desmatada |
|---|---|
| APA Triunfo do Xingu (PA) | 47,85 km² |
| Flona de Altamira (PA) | 12,51 km² |
| APA do Tapajós (PA) | 4,01 km² |
| Flona do Jamanxim (PA) | 3,45 km² |
| APA do Lago de Tucuruí (PA) | 1,41 km² |
| APA das Reentrâncias Maranhenses (PA/MA) | 1,32 km² |
Das oito áreas protegidas mais afetadas pela devastação, cinco estão total ou parcialmente localizadas no Pará.
No total, as áreas protegidas da Amazônia registraram 97,37 km² de desmatamento no primeiro semestre, sendo:
- 87,99 km² em unidades de conservação;
- 9,38 km² em terras indígenas.
Em contrapartida, mais de 80% das unidades de conservação e terras indígenas monitoradas permaneceram sem qualquer registro de desmatamento no período. Foram preservados 588 territórios, sendo 330 terras indígenas e 258 unidades de conservação.
Flona do Jamanxim permanece entre as mais pressionadas
A Floresta Nacional do Jamanxim, localizada no sudoeste do Pará, foi a quinta unidade de conservação mais desmatada da Amazônia entre janeiro e junho.
Segundo o Imazon, foram derrubados 3,45 km² de floresta, o equivalente a aproximadamente 350 campos de futebol.
A unidade voltou ao centro do debate nacional após a aprovação, pelo Senado Federal, de um projeto de lei que reduz seus limites territoriais. A proposta exclui áreas atualmente protegidas e regulariza ocupações realizadas após a criação da floresta nacional, em 2006.
Para a coordenadora do Programa de Direito e Sustentabilidade do Imazon, Brenda Brito, a medida pode estimular novas ocupações ilegais.
“As unidades de conservação são importantíssimas para conter o desmatamento e combater a crise climática. Por isso, esse projeto precisa ser vetado pela Presidência.”
Degradação florestal também apresentou queda
Além da redução do desmatamento, o monitoramento identificou diminuição significativa da degradação florestal, causada principalmente por queimadas e exploração madeireira.
Os números mostram:
| Período | Redução registrada |
|---|---|
| Junho de 2026 | 55% |
| Janeiro a junho | 86% |
| Agosto de 2025 a junho de 2026 | 93% |
Somente em junho, a área degradada passou de 207 km² em 2025 para 94 km² em 2026.
Panorama
Os dados indicam que as políticas de combate ao desmatamento continuam produzindo resultados positivos em escala regional, levando a Amazônia ao menor índice para um primeiro semestre em oito anos. Entretanto, o Pará segue concentrando a maior pressão sobre a floresta, especialmente em áreas protegidas como a APA Triunfo do Xingu e a Floresta Nacional do Jamanxim, reforçando o desafio de ampliar a fiscalização e impedir novas ocupações ilegais em territórios destinados à conservação ambiental.
Fonte: Ponto de Pauta e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 30/07/2026/08:02:00
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