Trump havia dado até às 21h desta terça-feira para que o Irã chegasse a um acordo com os Estados Unidos e reabrisse a rota, por onde passa grande parte do petróleo mundial. No início do dia, ele afirmou que uma “civilização inteira” iria morrer com os ataques previstos para esta terça.
Essa foi a mais grave ameaça desde o início da guerra e deixou o mundo em tensão nas 10 horas que seguiram o anúncio.
Algumas horas antes da ameaça de Trump, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, disse que milhões de iranianos estavam “prontos para se sacrificar” pelo país.
Confira a cronologia de terça-feira, um dos dias mais tensos desde o início da guerra:
A ameaça de Trump
9h06 – Trump publica ameaça na rede social Truth Social.
Na manhã da terça-feira, por volta das 9h, Trump fez a mais grave ameaça desde o início da guerra entre EUA-Israel e Irã. “Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada”, escreveu o presidente em uma publicação no Truth Social.
O presidente dos EUA deu prazo até as 21h (horário de Brasília) da terça-feira para que o Irã reabrisse o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de petróleo, fechada por Teerã em resposta a ataques dos EUA e de Israel.
Irã reage e afirma que ameaça pode causar genocídio
Amir-Saeid Iravani, representante de Teerã na ONU, afirmou que as ameaças de Trump “constituem incitação a crimes de guerra e potencialmente genocídio”.
Durante uma sessão do Conselho de Segurança sobre o Estreito de Ormuz, Iravani instou a comunidade internacional a denunciar a retórica de Trump antes que seja tarde demais.
EUA fazem novos bombardeios contra ilha de Kharg
A Ilha de Kharg, responsável por 90% do petróleo exportado pelo Irã, foi bombardeada novamente pelos Estados Unidos na terça. O vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, confirmou o ataque, denunciado pelo Irã e reportado por agências de notícias e a imprensa norte-americana.
Políticos dos EUA, ONU e Papa reagem a ameaça de Trump
A fala de Trump gerou uma onde de reações por parte de políticos Democratas e Republicanos, a secretaria-geral da ONU e até o Papa Leão XIV.
Secretário-geral da ONU está ‘muito preocupado’
O secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou sua preocupação com a ameaça do presidente Donald Trump.
Aliados políticos de Trump se colocam contra escala de ataques
O senador Ron Johnson, do partido republicano (o mesmo que Trump), afirmou que não apoia um possível bombardeio americano contra infraestrutura civil iraniana. “Acho que seria um grande erro”, disse.
O influente podcaster de direita Tucker Carlson também criticou a possibilidade de escalada militar, afirmando que autoridades americanas deveriam resistir a qualquer tentativa de ataques em massa que possam matar civis iranianos.
Democratas rechaçam ameaça
O líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, do partido democrata, chamou Trump de “uma pessoa extremamente doente” após o presidente afirmar que “uma civilização inteira morrerá”.
Na Câmara, a liderança democrata pediu o retorno imediato dos parlamentares a Washington para votar o fim da guerra com o Irã.
Além disso, a ex-vice-presidente dos EUA Kamala Harris chamou as ameaças de Donald Trump contra o Irã de “abomináveis” em um post na rede social X. A democrata, que perdeu as últimas eleições para Trump, afirmou:
Papa diz que ameaça é ‘inaceitável
O Papa Leão XIV chamou de “inaceitáveis” as ameaças contra todo o povo do Irã durante uma coletiva de imprensa. Leão fez um apelo e pediu que cidadãos de todo o mundo entrem em contato com representantes políticos e cobrem o fim da guerra. Ele disse ainda que todos precisam pensar nas vítimas do conflito, incluindo crianças.
Em referência às ameaças de Trump de bombardear pontes e usinas de energia, o papa afirmou que ataques à infraestrutura civil são violações do direito internacional.
Regime iraniano convoca população
Alireza Rahimi, identificado pela televisão estatal iraniana como secretário do Conselho Supremo da Juventude e dos Adolescentes, fez a convocação para “todos os jovens, atletas, artistas, estudantes e universitários e seus professores”.
11h – população do Irã faz cordão humano
Iranianos atenderam à convocação do regime e foram até a usina termoelétrica de Kazeroon, na província de Fars, no sudoeste do Irã, para formar uma corrente humana em torno do local.
Em vídeo divulgado pela agência de notícias iraniana Fars, centenas de pessoas aparecem na porta da instalação, segurando bandeiras e cartazes para demonstrar seu apoio ao governo.
População do Irã vai às ruas
Imagens divulgadas pelas agências de notícia iranianas no Telegram (veja abaixo) mostram centenas de pessoas na porta da usina termoelétrica de Kazeroon, na província de Fars, no sudoeste do país, segurando bandeiras e cartazes para demonstrar seu apoio ao governo.
TV israelense faz contagem regressiva
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atua como mediador nas negociações da guerra entre EUA, Israel e Irã, pediu ao presidente dos EUA, Donald Trump, que adiasse o prazo dado a Teerã em duas semanas.
O primeiro-ministro do Paquistão também solicitou ao Irã a reabertura do Estreito de Ormuz pelo mesmo período, como gesto de boa vontade e pediu que todas as partes em conflito adotem um cessar-fogo de duas semanas para permitir o avanço da diplomacia.
Nova onda de ataques do Irã
Países do Oriente Médio relatam uma série de ataques provenientes do Irã. Catar, Bahrein e Emirados Árabes Unidos disseram ter sido alvos de mísseis e drones de Teerã poucas horas antes do fim do prazo dado por Trump para Teerã fechar um acordo favorável a Washington.
Embaixadas brasileiras no Oriente Médio emitem alertas
Diversas embaixadas brasileiras nos países do Oriente Médio emitiram alertas para os brasileiros da região em meio a possível escalada do conflito entre Donald Trump e Irã. As embaixadas de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos; Doha, no Catar; Kuwait; e no Bahrein enviaram alertas.
Agência americanas alertam para hackers iranianos
O alerta foi emitido pelo FBI, pela Agência de Segurança Nacional (NSA), pela Agência de Defesa Cibernética (CISA), pela Agência de Proteção Ambiental (EPA), pelo Comando Cibernético dos EUA e pelo Departamento de Energia.
Trump adia ultimato contra o Irã por 2 semanas
19h32 – Trump recua
Em um post no Truth Social, Trump disse que resolveu adiar os ataques após um pedido de autoridades do Paquistão, que estão mediando conversas indiretas entre os Estados Unidos e o Irã.
O presidente norte-americano alegou que todos os objetivos militares dos EUA no Irã já foram cumpridos e que as negociações para um acordo definitivo de paz estão avançadas.

Donald Trump anuncia cessar-fogo com o Irã faltando 1h30 para ultimato
Irã concorda com acordo de cessar-fogo
Araghchi disse ainda que a passagem pelo Estreito de Ormuz será segura durante a trégua, com algumas condições.
O ministro iraniano também declarou que os Estados Unidos pediram negociações com base em uma proposta de 15 pontos e aceitaram o plano de 10 pontos do Irã como base para o diálogo.
Guerra completa 40 dias
A guerra no Irã completou 40 dias nesta quarta-feira (8) após o momento mais crítico do conflito até então. A terça-feira começou com ameaças e terminou com um acordo de cessar-fogo mediado pelo Paquistão. Inicialmente, a trégua envolvia o Líbano, que vem sendo alvo de ataques israelenses, porém, o Primeiro-ministro Netanyahu afirmou que o país não faz parte do acordo.
Noventa minutos antes do fim do prazo, Trump disse em uma rede social que havia concordado em adiar os ataques por duas semanas. Segundo ele, a decisão foi condicionada à reabertura do Estreito de Ormuz, fechado pelo Irã após o início da guerra.
Cerca de 20% das exportações mundiais de petróleo passam pela rota marítima.
O fechamento do Estreito de Ormuz pressionou os preços do petróleo e gerou impactos econômicos em vários países, incluindo os Estados Unidos.
Além da reabertura da via, os EUA já haviam listado outras condições para encerrar a guerra, como o compromisso do Irã de não desenvolver armas nucleares. Entre os pontos estão:
limitação do alcance e da quantidade de mísseis iranianos;
desativação de usinas de enriquecimento de urânio;
fim do financiamento a grupos aliados na região, como Hamas e Hezbollah;
criação de uma zona marítima livre no Estreito de Ormuz.
A mídia estatal iraniana classificou o acordo como um “recuo humilhante de Trump” e afirmou que os EUA aceitaram os termos de Teerã. Agências oficiais do país disseram que o Irã resistiu e que os americanos não atingiram seus objetivos.
Em comunicado, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, confirmou o fim dos ataques e a reabertura do Estreito de Ormuz. Segundo ele, a passagem de navios será segura, com coordenação das forças iranianas e dentro de limitações técnicas.
Araghchi disse ainda que as negociações entre os dois países terão como base um plano de 10 pontos elaborado pelo Irã. Segundo a agência de notícia Associated Press (AP), o plano de 10 pontos do Irã divulgado em inglês não incluía uma frase importante, divulgada apenas na versão farsi. O tópico inclui “aceitação do enriquecimento” para o programa nuclear do país.
Fonte: g1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 08/04/2026/07:00:36
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