Ocultação de provas e indiciamento
Com o encerramento do inquérito nesta semana, a Polícia Civil indiciou quatro pessoas por homicídio com dolo eventual, modalidade em que se assume o risco de matar: Evelyne dos Santos, apontada como chefe da equipe, além de Vitor de Freitas, Maicon Cintra e Luis Felipe Egoroff, que aparecem nas imagens arremessando a jovem da estrutura.
Duas pessoas que haviam sido detidas inicialmente tiveram as prisões revogadas e foram soltas.
A investigação também apontou um padrão de tentativa de ocultação de provas nos dois casos. Pelo menos três testemunhas disseram ter visto uma pessoa retirar a câmera que estava com Maria Eduarda logo após a queda.
O funcionário Luis Gustavo admitiu que recebeu ordens diretas da organizadora para pegar o aparelho. “Ela falou: ‘Gustavinho, a gente precisa. Traz a câmera, a gente precisa dessa câmera, a gente precisa apagar o vídeo.’ Essas foram as palavras”, afirma Gustavo.
Uma mensagem de áudio enviada por outra ex-funcionária confirma que Evelyne fez a mesma exigência logo após o acidente com o menino de nove anos em março. Por conta disso, ela também responderá por fraude processual.
Questionados sobre a falha, Maicon e Luis Felipe reconheceram em depoimento que a responsabilidade de checar se a corda estava presa ao peito da jovem era deles, mas declararam não saber explicar o motivo de não terem verificado.
O relatório policial concluiu que os saltos “eram feitos com significativa desorganização operacional”, apontando a “ausência de isolamento adequado da área” e um “elevado número de saltos em reduzido intervalo de tempo, o que potencializa falhas humanas e compromete a segurança”. O “Entre Cordas” operava de forma clandestina há mais de um ano, sem registro de empresa formal.
A Ponte do Esqueleto pertencia à antiga Rede Ferroviária Federal e está sob custódia da Secretaria do Patrimônio da União. Após a tragédia, o acesso foi bloqueado nos dois extremos com cercas de arame farpado, placas de aviso, valas e montes de terra para impedir a entrada de novos frequentadores.
O que dizem as defesas
O advogado de Evelyne dos Santos declarou que discorda do indiciamento e que as teses da defesa serão apresentadas no momento oportuno do processo.
A defesa de Vitor de Freitas contesta a tipificação do crime como dolo eventual. Os advogados de Maicon Cintra e Luis Felipe Egoroff sustentam a posição de que se trata de um crime culposo, quando não há a intenção ou a assunção do risco de matar.
Fonte: G1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 06/07/2026/15:24:50
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