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Caso José Arthur: investigação é transferida para Delegacia de Homicídios e família pede apoio da PF após operação que resgatou 163 crianças nos EUA

Menino desapareceu em março, na zona rural de Eldorado do Carajás, no sudeste do Pará. Após mais de cinco meses sem respostas, defesa da família busca ampliar as investigações e pediu que a Polícia Federal verifique se a criança pode estar entre os menores localizados nos Estados Unidos.

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José Arthur Sousa Barros desapareceu na noite de 26 de março de 2026, na Vila Peruana, área rural de Eldorado do Carajás, no sudeste do Pará. Na época, o menino tinha um ano e seis meses e brincava com os primos no quintal da casa onde morava com a família quando desapareceu.

Desde então, familiares, moradores e equipes de segurança realizaram buscas na região, mas o menino ainda não foi localizado.

Investigação passa para Delegacia de Homicídios de Marabá

Após mais de cinco meses sem informações sobre o paradeiro da criança, a investigação passou por uma nova mudança.

Na quinta-feira, 3 de setembro, o inquérito, que estava sob responsabilidade da Delegacia de Eldorado dos Carajás, foi transferido para a Delegacia de Homicídios de Marabá.

Segundo a Polícia Civil, a mudança ocorreu devido à estrutura especializada da unidade de Marabá, que dispõe de mais recursos para dar continuidade às diligências.

De acordo com o advogado da família, Elisson de Sousa Araújo, a transferência também foi solicitada pela própria defesa, com o objetivo de fortalecer e ampliar as investigações.

Mais de 25 pessoas foram ouvidas

Ao longo do inquérito, a Polícia Civil ouviu mais de 25 pessoas e apreendeu aparelhos celulares que passaram por perícia.

Duas semanas após o desaparecimento, em 10 de abril, dois homens, apontados como amigos da família, foram presos temporariamente por suspeita de envolvimento no caso.

As prisões, no entanto, não resultaram até o momento em uma conclusão sobre o paradeiro da criança. Os dois suspeitos foram colocados em liberdade em junho, após o encerramento do período das prisões temporárias.

As autoridades não divulgaram uma conclusão definitiva que esclareça o que aconteceu com José Arthur.

Buscas mobilizaram equipes especializadas

Logo após o desaparecimento, as forças de segurança realizaram buscas intensivas na região onde a criança foi vista pela última vez.

Participaram das operações equipes do Corpo de Bombeiros, policiais, cães farejadores, drones e mergulhadores. A área apresenta características que dificultam as buscas, com trechos de mata, rios e uma rodovia federal nas proximidades da residência.

Apesar da mobilização, José Arthur não foi encontrado.

Em abril, o Ministério Público do Pará informou que nenhuma linha de investigação havia sido descartada e que o caso continuava sendo acompanhado pela Promotoria de Justiça.

Senado acompanha o caso

O desaparecimento também passou a receber acompanhamento institucional do Senado Federal.

Em 17 de agosto, uma diligência externa foi realizada em Eldorado do Carajás no âmbito do acompanhamento do desaparecimento de José Arthur. O relatório da diligência foi posteriormente analisado pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado e aprovado em 2 de setembro.

No mesmo período, o caso foi discutido em audiência pública na Câmara Municipal de Eldorado do Carajás. A família voltou a pedir apoio das autoridades para ampliar as investigações e localizar o menino.

Família aciona a Polícia Federal após operação nos Estados Unidos

Uma nova frente de investigação surgiu após uma operação realizada nos Estados Unidos.

A defesa da família encaminhou um pedido à Polícia Federal no Pará para que as autoridades brasileiras façam contato com órgãos norte-americanos e verifiquem se José Arthur pode estar entre as crianças localizadas durante a Operação Statewide Shield, realizada entre os dias 17 e 21 de agosto.

A solicitação surgiu depois que autoridades da Flórida anunciaram a localização de 163 crianças e adolescentes desaparecidos ou em situação de vulnerabilidade.

A defesa pediu que as informações e características de José Arthur sejam comparadas com os registros dos menores localizados nos Estados Unidos. Entre as possibilidades levantadas estão a utilização de reconhecimento facial, impressões digitais, documentos e outros registros que possam auxiliar na identificação.

Até o momento, não há confirmação oficial de que José Arthur esteja entre as crianças localizadas nos Estados Unidos. A possibilidade está sendo tratada como uma linha de verificação solicitada pela família.

O que foi a Operação Statewide Shield

De acordo com o Florida Department of Law Enforcement (FDLE), a Operation Statewide Shield foi uma operação de cinco dias voltada à identificação, localização e recuperação de menores de 18 anos desaparecidos na Flórida.

A operação resultou na localização de 163 crianças, com idades que variavam de dois meses a 17 anos. As autoridades informaram que muitas delas haviam passado por diferentes níveis de abuso, negligência, exploração ou exposição a outras atividades criminosas.

As recuperações ocorreram em diferentes regiões da Flórida, incluindo Tampa Bay, Miami, Jacksonville, Orlando, Fort Myers, Pensacola e Tallahassee. A força-tarefa também registrou localizações em outros seis estados norte-americanos, um território dos Estados Unidos e 12 países.

Segundo o FDLE, as crianças recuperadas que precisavam de assistência foram encaminhadas a estruturas de atendimento, onde receberam apoio de serviços sociais, profissionais de proteção infantil, equipes médicas e representantes especializados no atendimento às vítimas.

A operação também resultou em três casos criminais encaminhados para acusação, enquanto outras investigações permanecem em andamento.

Por que a operação nos EUA chamou a atenção da família

A divulgação de que a operação alcançou casos relacionados a crianças desaparecidas em diferentes localidades e países fez com que a família de José Arthur pedisse uma nova verificação internacional.

A defesa levantou a possibilidade, ainda não comprovada, de que uma criança estrangeira pudesse estar entre os menores encontrados, eventualmente sem documentação ou com identidade diferente.

A Polícia Federal foi acionada justamente para verificar essa possibilidade junto às autoridades norte-americanas.

A iniciativa, entretanto, não significa que exista evidência de que José Arthur tenha sido levado para os Estados Unidos. Até o momento, as autoridades não divulgaram qualquer informação que confirme essa hipótese.

Caso continua sem resposta

Em agosto, José Arthur completou dois anos de idade. A família continua sem saber onde está o menino e mantém a esperança de encontrá-lo com vida.

A transferência da investigação para uma unidade especializada em Marabá, o acompanhamento do Senado e o pedido de cooperação internacional feito à Polícia Federal representam novas frentes para tentar esclarecer o desaparecimento.

A Polícia Civil ainda não divulgou uma conclusão sobre o que aconteceu com a criança, e o paradeiro de José Arthur permanece desconhecido.

Como ajudar

Qualquer informação que possa contribuir para localizar José Arthur pode ser repassada de forma anônima pelo Disque Denúncia, pelo número 181.

A orientação é que informações, imagens ou relatos relacionados ao caso sejam encaminhados diretamente às autoridades, evitando a divulgação de acusações ou informações não confirmadas nas redes sociais.

José Arthur Sousa Barros está desaparecido desde 26 de março de 2026.

Fonte: G1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 05/09/2026/15:21:58

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