Uma cadela de oito meses foi encontrada morta, com sinais de violência, dentro de um balde em um terreiro localizado no bairro Jutaí, em Santarém, no oeste do Pará. O caso foi registrado na Polícia Civil, que investiga as circunstâncias da morte e tenta identificar quem cometeu o ato.
O animal, chamado Chica, era criado no terreiro Jurema Preta. Segundo o tutor e zelador do local, Julyan Tello Bessa, a cadela desapareceu na quinta-feira. Depois de procurarem pelo animal durante alguns dias, ele e outras pessoas encontraram o corpo no domingo (23), após sentirem um forte odor vindo da área de um banheiro utilizado no terreiro.
Segundo o tutor, Chica estava dentro de um balde e havia muito sangue no recipiente. O animal apresentava o corpo inchado, os olhos projetados para fora, ferimentos na cabeça e uma parte da cabeça raspada, sem pelos.
Julyan contou que o caso aumentou a preocupação dos integrantes do terreiro porque, segundo ele, já teriam ocorrido episódios anteriores de perseguição e intolerância religiosa contra a comunidade.
“Já tinha ocorrido outros fatores que levavam à intolerância religiosa”, relatou.
De acordo com o tutor, em uma ocasião, durante um culto no terreiro, o fio de energia elétrica teria sido cortado. Ele também afirma que uma pessoa teria mostrado uma faca e feito ameaças aos integrantes do local. Ainda conforme o relato, caixas de som e outros barulhos teriam sido utilizados para atrapalhar os rituais.
O caso foi registrado na Delegacia de Polícia Civil do Santarenzinho na segunda-feira (24). De acordo com o delegado Gustavo Ceccagno, o tutor procurou a unidade e apresentou o relato sobre a morte da cadela.
A Polícia Civil solicitou perícia para analisar o corpo do animal e verificar a causa da morte. Investigadores também receberam uma ordem de missão para buscar imagens de câmeras de segurança e possíveis testemunhas que possam ajudar na identificação do responsável.
O delegado explicou que uma possível motivação relacionada à intolerância religiosa é uma das hipóteses investigadas, mas ainda não há confirmação de que o crime tenha ocorrido por esse motivo.
Segundo o delegado, o tutor relatou que a cadela já havia desaparecido anteriormente e retornado ao imóvel com um enforca-gato preso ao pescoço, o que levantou a suspeita de que o animal já tivesse sido alvo de violência.
A Polícia Civil também apura se a morte pode ter sido motivada por outras razões, como uma possível ação de alguém que tivesse algum conflito específico com o animal.
“A gente ainda tá apurando se se trata de uma questão de intolerância religiosa ou se não seria essa a motivação do fato”, afirmou o delegado.
O inquérito policial já foi instaurado e os procedimentos de investigação estão em andamento. Até o momento, nenhum suspeito foi identificado ou preso.
O caso também gerou indignação entre pessoas que frequentam o terreiro e moradores da região. A investigação deverá esclarecer as circunstâncias da morte da cadela, a motivação e quem foi responsável pela violência.
Fonte: g1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 31/08/2026/07:28:54
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