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Avanço de portos, pecuária e seca ameaçam pesca artesanal no Maicá e Ituqui, em Santarém, aponta estudo

Cartilha lançada pelo Conselho Pastoral dos Pescadores alerta para contaminação da água e riscos à soberania alimentar. Material será apresentado nas comunidades a partir do dia 17 de outubro.

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A redução dos estoques de peixes, a contaminação das águas e o avanço desordenado de atividades econômicas ameaçam a sobrevivência de famílias ribeirinhas nas regiões do Maicá e do Ituqui, em Santarém, no oeste do Pará.

O alerta faz parte do levantamento que deu origem à cartilha “Pesca Artesanal e Soberania Alimentar nas Regiões do Maicá e Ituqui”, lançada pelo Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP) da Arquidiocese de Santarém.

Para ampliar a mobilização e debater os resultados da pesquisa, o material será apresentado diretamente nas comunidades ribeirinhas a partir deste mês.

Portos clandestinos e pecuária na mira

Entre os principais problemas apontados pelo levantamento do CPP estão o avanço das atividades portuárias — tanto legalizadas quanto clandestinas —, a pecuária em larga escala e a poluição das águas nos territórios pesqueiros.

A coordenadora do CPP, Valdeci Oliveira, destaca que a falta de fiscalização ambiental e a omissão do Estado em criar políticas públicas eficientes para o setor agravam a situação.

“Dentre os principais desafios aos modos de vida dessas comunidades, temos a ameaça do avanço das atividades portuárias nos territórios pesqueiros, a pecuária em larga escala, a poluição e a contaminação das águas. A pesca predatória e os efeitos das mudanças climáticas também ampliam esses riscos”, explica a coordenadora.

O peixe como ‘pão de cada dia’

Para as populações tradicionais, o peixe vai muito além de uma fonte de renda: é a base da alimentação diária. A pesquisa identificou que muitas famílias das duas regiões consomem pescado até cinco vezes por semana.

O pescador João Paulo Costa dos Santos, morador da Aldeia São Francisco da Cavada, ressalta a dependência vital do recurso para a sobrevivência das comunidades.

“Nós vivemos mesmo da pesca. O peixe é o pão de cada dia, tanto para mim quanto para as famílias que moram na beirada. É o nosso alimento”, relata João Paulo.

O CPP alerta que a diminuição dos estoques de peixe pode causar um cenário de grave insegurança alimentar, principalmente em períodos de seca extrema, quando o acesso das comunidades à cidade e a outros insumos fica severamente prejudicado.

Fortalecimento e apresentações nos territórios

A publicação também busca dar visibilidade às reivindicações locais e cobrar posicionamentos da Secretaria Municipal de Pesca, da Câmara Municipal de Santarém e de órgãos de controle ambiental.

Como estratégia para envolver os moradores na defesa dos rios, o CPP realizará novas apresentações da cartilha nos territórios. As atividades ocorrem sempre às 9h. Veja o cronograma:

17 de outubro: Aldeia São Francisco da Cavada (região do Planalto);

20 de outubro: Comunidade Aracampina.

A distribuição do material é gratuita e tem como foco fortalecer as ferramentas de preservação das próprias comunidades, como os acordos de pesca comunitária.

Fonte: g1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 14/10/2026/14:44:42

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