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Auto do Círio está na rua para alertar pela preservação do patrimônio amazônico

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A identidade de uma pessoa, de um povo, é formada por tudo aquilo que as pessoas constroem e preservam ao longo de sua trajetória no tempo e no espaço onde se situam. Então, cuidar do acervo de bens culturais, históricos e artísticos em um território é manter referências para a construção do futuro. Nesse contexto, o Auto do Círio 2026, como programa de extensão da Universidade Federal do Pará (UFPA), está nas ruas com o tema “Maria, Salvai e Guardai Nosso Patrimônio Sagrado e Nossa Fé” e o cartaz oficial do evento, cuja revelação oficial nas redes sociais ocorrerá nesta sexta-feira (21).

Entretanto, no final da manhã dessa quinta-feira (20), integrantes da coordenação do Auto do Círio apresentaram o cartaz oficial do evento ao reitor da UFPA, pedagogo Gilmar Pereira da Silva. A partir da divulgação do tema e cartaz do Auto, a expectativa agora dos participantes desse cortejo cultural na sexta-feira que antecede o domingo do Círio de Nazaré em outubro é pelo lançamento oficial do Auto do Círio 2026 em 13 de setembro.

Ao receber a comitiva em seu gabinete, o reitor Gilmar Pereira destacou o significado do Auto do Círio. “O Auto do Círio surgiu, a princípio, como projeto de extensão da UFPA e hoje se pode dizer que é um programa, um evento da sociedade (como programa da UFPA). A gente olha e encontra cerca de 100 mil pessoas na rua, na sexta-feira que antecede o Círio. É algo muito bonito e que envolve a cultura. Nós temos um colega que já se aposentou, o Miguel Santa Brígida, que diz que, na verdade, o Auto do Círio é uma grande peça de teatro a céu aberto”.

“Se você pegar a sequência feita durante o Auto do Círio, você coloca elementos do teatro, da música, da dança num processo só. Então, é algo extraordinário e envolve toda a nossa comunidade”, declarou Gilmar Pereira.

O reitor destacou que o evento traz uma combinação muito forte entre o profano e o sagrado, reunindo pessoas religiosas, devotas de Nossa Senhora de Nazaré; pessoas que vão ao Auto por curiosidade, por divertimento, pela cultura, pela estética que o evento representa. “Acaba, na verdade, sendo um pouco a síntese a nossa cidade”, acrescentou.

Gilmar Pereira da Silva não tem dúvida de que o Auto do Círio reforça e revitaliza a identidade amazônica. “A UFPA tem dado uma atenção especial a essa discussão, da fé e da Amazônia. O Círio é algo indescritível;” você não precisa ser religioso para se fascinar pelo Círio, para se emocionar com o Círio. O Círio é um espaço de emoção”.

“E tudo que gira em torno do Círio. E o Auto do Círio é isso, uma combinação entre ciência, entre arte, entre cultura; essa grande mistura, inclusive, de saberes ancestrais”, pontua. Tanto no Auto como no próprio Círio são encontradas pessoas de religiões diferentes. “O Círio é fascinante!”, exclamou.

A UFPA, como frisou o reitor, tem feito um trabalho forte com relação ao patrimônio. “É o Estado que tem o maior patrimônio, depois o Município de Belém, e, em âmbito privado, a Igreja Católica, que tem maior patrimônio de prédios, estruturas, e, depois, somos nós, a UFPA. A Universidade tem o Mercedários, a Capela Pombo (ou Capela do Senhor dos Passos), o Fórum Landi, a Escola de Teatro e Dança, o Museu da UFPA, o programa de pós-graduação, que é num prédio histórico, O Centro de Memória”.

O Gilmar Pereira observou que Belém tem um dos principais centros históricos do Brasil, mas que precisa ser melhor cuidado. “Eu digo que a UFPA tem um papel que é também de ser um grande laboratório. Os nossos prédios são um laboratório, porque nós queremos que a cidade inteira fique naquela mesma estrutura. Eu já tenho conversado, conversei com o prefeito anterior, com esse agora, sempre colocando a UFPA à disposição”, destaca. “Preservar a cultura, o patrimônio histórico, é preservar a história da nossa cidade, é preservar o que a gente foi e o que a gente é”, completou.

Nas ruas

Professora da Escola de Teatro e Dança da UFPA (ETDUFPA), Inês Ribeiro atua como coordenadora do Auto do Círio 2026. “Nós vamos trazer alas que referendem os patrimônios materiais e imateriais da cidade de Belém, que é a missão da extensão na Universidade. E a missão do Auto do Círio começou assim, com a salvaguarda do patrimônio tanto da Cidade Velha quanto da Campina. Então, nós vamos organizar todas as alas, a estrutura do Auto em cima dessa temática”.

Desse modo, como explica Inês Ribeiro, o tema deste ano está atrelado ao próprio surgimento do Auto. “O Auto do Círio é filho de Nossa Senhora de Nazaré, que protege a Amazônia, nossa Mãe. Então, pensamos que, nos tempos atuais, a gente precisa sempre estar trazendo Maria para fazer os nossos milagres, os milagres da fé, os milagres do patrimônio, da nossa cultura, da nossa identidade amazônica, para que a gente se fortaleça na nossa cultura”.

O lançamento oficial do Auto do Círio com a comunidade se dará em 13 de setembro, na Praça da República, por meio de um debate reunindo dirigentes e professores da Universidade, profissionais que atuam pela preservação do patrimônio, como o historiador Michel Pinho, a jornalista e produtora cultural Adelaide Oliveira, a professora Goretti Tavares, do projeto Roteiro Geoturístico UFPA.

Esta será a 32ª edição do Auto do Círio. No dia 9 de outubro, sexta-feira antes do Círio, o Auto sairá às 18h da Praça do Carmo e seguirá, passando pela frente da Catedral Metropolitana e do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, e terá sua apoteose diante do Museu do Estado do Pará (MEP), movimentando artistas e não artistas. Ao todo, serão quatro paradas nesse cortejo cultural.

O professor, arquiteto e artista Neder Charone pensou o cartaz do Auto do Círio 2026. Ele explica que, na abordagem do patrimônio histórico, cultural e artístico, é relembrada a arquitetura de fachada intitulada Raio Que o Parta, uma digressão e criação da arquitetura do Pará em cima do Modernismo paulistano que veio do sul do Brasil.

“Vamos também partir do fato histórico do naufrágio do navio São João Batista, que saiu de Belém para Lisboa e naufragou; e, aí, os marujos se salvaram por um milagre da santa a qual eles pediram a intercessão. E nós estamos revivendo isso no Auto do Círio como uma memória histórica. Por que o barco? Ninguém sabe por que as canoas estão no Auto do Círio, mas foi a canoa que pegou os marujos no mar e salvou”.

“Segundo diz a lenda, esse navio que naufragou era ele que levou em alguns momentos a imagem da santa para se recuperar”. Neder conta que, no cartaz, a imagem de Nossa Senhora de Nazaré surge da floresta e o manto dela acaba em cima dos patrimônios paraenses. O desenho do cartaz foi feito pelo artista plástico Henri Brand.

Fonte: oliberal e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 21/08/2026/07:25:36

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