A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vetou, nesta terça-feira (3), a comercialização, o uso e a divulgação publicitária de sete produtos voltados à perda de peso e ao ganho muscular.
A decisão, publicada no Diário Oficial da União por meio da Resolução-RE nº 4.246/2026, determina a apreensão imediata de todos os lotes das substâncias identificadas.
A motivação central é a ausência de qualquer registro, notificação ou cadastro dessas fórmulas junto à agência reguladora.
Afinal, sem o registro sanitário, não há como saber quais ingredientes compõem cada cápsula ou ampola. Tampouco se conhecem as concentrações dos componentes nem as condições em que cada lote foi fabricado.
Esse vácuo regulatório torna o consumo uma prática de risco imprevisível.
Os sete produtos vetados pela agência
A resolução, assinada em 28 de outubro pela gerente-geral substituta de Inspeção e Fiscalização Sanitária, Liana Tieko Evangelista Kusano Fonseca, relaciona os seguintes itens:
Lipo 6 Black;
Brontel;
Black Mamba;
Boldenona Landerlan Gold;
Anastrazol Groth Labs;
Primobol;
Acetato de Testosterona King Pharma.
A medida abrange fabricação, importação, transporte, armazenamento, distribuição, venda, propaganda e uso de cada um deles.
Termogênico e esteroides já acumulavam alertas anteriores
O Lipo 6 Black não estreia na lista de preocupações da autoridade sanitária. Em 2012, a agência emitiu alertas sobre os riscos de suplementos termogênicos, e esse produto figurou entre os citados.
Posteriormente, lojas virtuais que veiculavam anúncios da versão ultra concentrada receberam multas. Uma análise técnica da própria entidade apontou substâncias sem avaliação de segurança na composição do item.
Os anabolizantes vetados também carregam histórico de irregularidades.
Em decisões anteriores, a mesma agência já havia ordenado a apreensão de boldenona, testosterona e anastrozol comercializados sem identificação de fabricante.
Vale destacar que a boldenona é um esteroide criado para uso veterinário, não humano.
Proibição não atinge todos os medicamentos com essas substâncias
A resolução mira marcas específicas, não as substâncias em si.
O anastrozol, por exemplo, integra protocolos de tratamento do câncer de mama, e certas versões de testosterona possuem registro regular e circulam com prescrição médica em farmácias.
Pacientes sob tratamento com medicamentos regularizados não são afetados pela medida. Para checar a situação de qualquer produto, basta consultar o portal de Consultas da Anvisa ou questionar o farmacêutico responsável.
O que fazer com produto proibido já adquirido?
Quem tiver qualquer um desses itens em casa deve seguir os passos abaixo:
Interromper o uso imediatamente. No caso de hormônios e esteroides, a suspensão exige acompanhamento médico, pois interfere no organismo;
Não repassar nem revender o produto, já que a comercialização está vetada;
Descartar o item corretamente, em pontos de coleta de medicamentos disponíveis em farmácias, sem jogá-lo no lixo comum ou no esgoto;
Registrar reações adversas no sistema VigiMed, da própria agência, após buscar atendimento médico;
Denunciar anúncios irregulares à vigilância sanitária municipal ou à Ouvidoria da Anvisa, por meio da plataforma Fala BR.
A proibição da propaganda torna ilegais tanto os anúncios em plataformas de comércio eletrônico quanto as publicações de perfis nas redes sociais que divulgam esses produtos.
Fonte: Anvisa e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 04/11/2026/15:08:43
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