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Médico aciona entidades por fala de Lula sobre “tomar toque”

Victor Augustho pediu posicionamento da Sociedade Brasileira de Pediatria e da Febrasgo sobre declaração do presidente; post teve 284 mil visualizações

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O médico Victor Augustho Barbosa afirmou na 3ª feira (29.set.2026) em suas redes sociais que notificou a SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) e a Febrasgo (Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia) e pediu um posicionamento oficial sobre a fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acerca de exames ginecológicos.

Em ato de campanha em Belém (PA) na 2ª feira (28.set.2026), Lula criticou os homens por não fazerem exame de próstata. Afirmou que as mulheres aprendem a “tomar toque” desde pequenas.

Eis a fala de Lula: “Nós, hoje, fizemos a 1ª operação robótica de próstata aqui no Estado do Pará e no norte do país. A 1ª operação robótica. E por que isso é importante? Porque o homem é covarde. O homem não gosta de fazer teste de próstata. Ele não gosta de toque. As mulheres aprendem a tomar toque desde pequenas. O homem não, ele é cheio de trejeitos. Ele não sabe que, quando ele tiver câncer de próstata, vão dar muito toque nele.”

Na publicação no X, Barbosa afirmou que “aprender a tomar toque desde pequena não é protocolo. Menina que é tocada desde pequena é vítima de abuso”. Até a publicação desta reportagem, a postagem do médico tinha 284.500 visualizações.

post de médico sobre fala de Lula – “tomar toque”

O médico afirmou que o preventivo do colo de útero não se faz em menina, começa aos 25 anos e só se já houve relação sexual, salvo exceções clínicas.

A parte da afirmação referente ao rastreamento do câncer do colo do útero está de acordo com as diretrizes do Ministério da Saúde. O rastreamento deve ser oferecido a mulheres ou qualquer pessoa com colo do útero de 25 a 64 anos que já tenha tido atividade sexual. As diretrizes também afirmam que pessoas sem história de atividade sexual não devem ser incluídas no rastreamento.

As Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer de Colo do Útero foram aprovadas em 2025. O principal aspecto da atualização foi a adoção do teste molecular de DNA-HPV oncogênico como método primário de rastreamento. Após um resultado negativo, o teste deve ser repetido a cada 5 anos. Onde o teste ainda não estiver disponível, o Papanicolau segue como método de rastreamento.

Na notificação, Barbosa também escreve que, em quem não iniciou a atividade sexual, “exame ginecológico não inclui toque. Se for estritamente necessário: indicação escrita, consentimento e termo de responsabilidade assinado pelo médico. Sem isso, o médico responde –inclusive na esfera criminal”.

O toque vaginal é um exame clínico cuja indicação depende da história da paciente, da queixa, do contexto e da avaliação do profissional. Não se confunde com o rastreamento do câncer do colo do útero, que possui faixa etária e critérios específicos.

Segundo o documento “Proteger e cuidar da saúde de adolescentes na atenção básica”, do Ministério da Saúde, “o exame físico nunca deve ser forçado, devendo ser adiado, quando necessário. Recomenda-se a presença do acompanhante e/ou outro profissional de saúde da equipe durante o procedimento”.

A avaliação ginecológica de adolescentes considera a atividade sexual, a história clínica e os achados do exame. O documento do Ministério da Saúde prevê o exame com espéculo para adolescentes sexualmente ativas.

O Parecer nº 191.042/2021 do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo), que analisa o caso de uma paciente de 14 anos que não havia iniciado atividade sexual, afirma que “os procedimentos de exame interno do canal vaginal poderão deixar de ser realizados e poderão eventualmente ser substituídos por exames de imagens não invasivos, dependendo das circunstâncias clínicas de caso a caso, bem como do consentimento da paciente e/ou responsáveis legais”.

O parecer afirma ainda que, segundo o art. 22 da Resolução nº 2.217/2018, é vedado ao médico deixar de obter consentimento do paciente ou de seu representante legal após esclarecê-lo sobre o procedimento a ser realizado. O documento não estabelece, contudo, que esse consentimento tenha obrigatoriamente de ser formalizado por escrito.

O Poder360 procurou a SBP e a Febrasgo por meio de suas assessoras de imprensa para perguntar se receberam a notificação de Barbosa e se vão atender aos pedidos feitos. Também se gostariam de se manifestar a respeito das falas de Lula. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.

Fonte: PODER360 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 30/09/2026/17:25:06

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