
Os patrocínios de casas de apostas representaram 7,9% das receitas dos clubes da Série A do Campeonato Brasileiro em 2025, segundo levantamento baseado nos balanços financeiros das equipes.
No ano passado, os aportes das empresas de apostas chegaram a aproximadamente R$ 1,14 bilhão, enquanto os 20 clubes da Série A somaram R$ 14,9 bilhões em receitas.
O levantamento também mostra que, apesar do crescimento das receitas, os clubes seguem apresentando elevado nível de endividamento. Em 2025, as dívidas das equipes chegaram a aproximadamente R$ 14,3 bilhões, segundo dados citados no levantamento.
Corinthians teve maior participação das bets na receita
Quatro clubes tiveram, em 2025, receitas diretamente provenientes de casas de apostas equivalentes a mais de 10% do faturamento anual.
O Corinthians teve a maior participação, com 17,3%, seguido por Flamengo (12,71%), Sport (12,64%) e Juventude (10,49%).
No Corinthians, o acordo com a Esportes da Sorte foi de R$ 150 milhões anuais, valor equivalente a 17,3% da receita total do clube no último exercício, de R$ 863,68 milhões.
O São Paulo recebeu R$ 80 milhões da Superbet em 2025, o equivalente a 7,48% de seu faturamento de R$ 1,07 bilhão. O Santos, por sua vez, recebeu R$ 51 milhões da 7k, correspondentes a cerca de 8% de uma receita de R$ 573,6 milhões.
Já o Palmeiras recebeu R$ 120 milhões da Sportingbet em 2025, valor equivalente a 6,93% das receitas totais de R$ 1,73 bilhão.
Medida provisória proíbe bets no Brasil
A discussão sobre os contratos ganhou novo peso após o governo federal publicar, nesta sexta-feira (25), a Medida Provisória nº 1.394/2026, que proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa em todo o território nacional.
A medida alcança tanto apostas esportivas quanto jogos on-line e também se aplica às autorizações estaduais e distritais.
A MP estabelece um período de transição. As autorizações concedidas com base na legislação anterior serão extintas após 30 dias da publicação da medida, enquanto os sites e aplicativos deverão deixar de oferecer acesso às apostas 10 dias após a publicação.
A legislação também determina a retirada de publicidade, propaganda, marketing e patrocínios relacionados às apostas de quota fixa. O prazo para retirada de materiais publicitários e sinais de patrocínio é de até 10 dias.
O governo informou ainda que os apostadores terão até 5 de outubro para solicitar voluntariamente a retirada dos valores mantidos nas plataformas. A partir de 6 de outubro, os sites e aplicativos deverão sair do ar.
Receitas cresceram, mas dívidas também aumentaram
O levantamento financeiro citado aponta que os clubes da Série A registraram crescimento expressivo de receitas nos últimos anos. Em 2025, o faturamento conjunto chegou a R$ 14,9 bilhões, alta de 33% em relação ao ano anterior.
No acumulado entre 2021 e 2025, o crescimento das receitas chegou a 73%. No mesmo período, porém, o endividamento aumentou 46%, alcançando R$ 14,3 bilhões.
Os números ajudam a dimensionar o peso dos contratos de patrocínio com empresas de apostas nas finanças do futebol brasileiro, embora esses acordos representassem uma parcela minoritária da receita total dos clubes em 2025.
Fonte: Estadão Conteúdo e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 26/09/2026/07:14:17
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