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Interrogatório de tenente-coronel acusado de feminicídio é adiado pela 2ª vez

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O interrogatório do tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, de 54 anos, acusado do feminicídio da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, de 32, foi adiado pela segunda vez pela Justiça de São Paulo. O depoimento, que estava previsto para esta sexta-feira (28/08), foi remarcado para 8 de setembro, às 10h, no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste da capital paulista. Preso desde 18 de março, o oficial nega ter cometido o crime e sustenta que a mulher morreu por suicídio.

A nova mudança ocorreu após uma perita criminal do Instituto de Criminalística solicitar mais prazo para concluir uma complementação do laudo produzido durante a investigação. A defesa do tenente-coronel havia argumentado que o documento era necessário antes que o réu fosse interrogado.

Justiça determina conclusão de laudo em cinco dias

A decisão foi tomada pela juíza Michelle Porto de Medeiros Cunha Carreiro, que determinou o envio urgente de um ofício ao Instituto de Criminalística. O órgão terá prazo suplementar de cinco dias para finalizar o material.

A magistrada classificou o período como “improrrogável”, levando em consideração que o acusado está preso. As partes envolvidas no processo também deverão ser comunicadas sobre a nova data do interrogatório.

O Presídio Militar Romão Gomes, onde Rosa Neto está detido, também será informado para evitar que o réu seja levado desnecessariamente ao fórum nesta sexta-feira.

Defesa diz que laudo é necessário

O pedido de complementação surgiu durante uma audiência realizada em 2 de julho. Na ocasião, a perita criminal responsável pelo trabalho foi ouvida de forma virtual e solicitou prazo adicional para responder aos questionamentos relacionados ao laudo.

A defesa de Rosa Neto sustentou que o interrogatório deveria ocorrer somente depois que essas questões fossem esclarecidas. Em julho, o advogado Eugênio Malavasi afirmou que a perita não teria conseguido responder aos questionamentos considerados “profundos” apresentados pelo assistente técnico da defesa. Segundo ele, as perguntas seriam incorporadas ao processo para posterior manifestação da especialista.

A defesa também informou que pretende buscar a impronúncia do tenente-coronel, ou seja, uma decisão que impeça que ele seja levado a julgamento pelo Tribunal do Júri.

Família de Gisele vê estratégia para ganhar tempo

O advogado da família de Gisele, José Miguel Júnior Silva, criticou o novo adiamento. Para ele, a solicitação de uma nova complementação pericial pode representar uma estratégia para prolongar o processo. “Entendemos que esse laudo complementar que eles estão exigindo, mais um, porque os autos estão repletos de laudos, é mais uma forma de ganhar tempo para o caso cair no esquecimento e eles tentarem um Habeas Corpus em Brasília.”

O advogado acrescentou que a família respeita a estratégia adotada pela defesa, mas não concorda com a medida e espera que o caso avance. “É uma tática da defesa, a gente respeita, mas não concorda porque a família exige que seja feita justiça.”

A reportagem informou que buscava contato com a defesa de Rosa Neto para obter um posicionamento sobre as declarações. O espaço permanece aberto para manifestação.

Primeiro adiantamento ocorreu em julho

O depoimento do tenente-coronel havia sido adiado pela primeira vez em julho, quando estava inicialmente previsto para aquele período. Na ocasião, a defesa solicitou a complementação do laudo do Instituto de Criminalística e o interrogatório acabou sendo transferido para 28 de agosto.

Com a nova decisão, a audiência foi novamente postergada, agora para setembro.

Trinta testemunhas foram ouvidas

A fase de depoimentos das testemunhas foi encerrada pela 5ª Vara do Júri da Capital no início de julho. Ao todo, 30 pessoas foram ouvidas entre os dias 29 de junho e 2 de julho, entre testemunhas indicadas pela acusação e pela defesa.

Inicialmente, a previsão era de que 40 testemunhas prestassem depoimento e que Rosa Neto fosse interrogado ao final da etapa de produção das provas orais.

No último dia de audiências, estavam previstas 14 testemunhas, sendo 13 indicadas pela defesa. Nove chegaram a ser ouvidas. Entre elas estava a filha do tenente-coronel, cujo depoimento foi antecipado para aquele mesmo dia.

A defesa desistiu de ouvir outras sete testemunhas que haviam sido indicadas. Segundo Malavasi, a decisão ocorreu porque seria improdutivo apresentar pessoas que apenas repetissem versões já relatadas ao Judiciário.

Depoimentos reuniram policiais e familiares

Durante os três dias de audiência, prestaram depoimento policiais militares, bombeiros, uma sargento da Corregedoria da PM, amigos da vítima, familiares e outras testemunhas relacionadas ao caso.

No primeiro dia, duas pessoas foram ouvidas remotamente. Entre elas estava o delegado Lucas de Souza Lopes, responsável pela investigação no 8º Distrito Policial (Brás), além de uma vizinha do casal que acionou a Polícia Militar após ouvir o disparo.
No segundo dia, uma testemunha protegida e outros nove depoentes foram ouvidos em aproximadamente cinco horas e meia. Uma das testemunhas previstas não compareceu por motivos pessoais.
No terceiro dia, nove testemunhas prestaram depoimento, entre elas os pais de Gisele, Marinalva e José Simonal de Santana, o irmão dela, Pedro, a filha da policial, que depôs em caráter especial por ser criança, o ex-companheiro e pai da menina e policiais militares.

Entre as 21 testemunhas de acusação ouvidas nos três primeiros dias, apenas uma prestou declarações na presença do tenente-coronel na sala de audiência.

Tenente-coronel está preso desde março

Rosa Neto está preso desde 18 de março no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo. Ele responde pelo feminicídio da esposa e também por fraude processual.

A acusação sustenta que Gisele foi baleada na cabeça em fevereiro. O tenente-coronel, por sua vez, nega o feminicídio e afirma que a morte da soldado foi resultado de suicídio.

O novo interrogatório está marcado para 8 de setembro, às 10h, no Fórum Criminal da Barra Funda. A audiência deverá representar uma etapa importante para o prosseguimento do processo.

Onde denunciar casos de violência contra a mulher

Casos de violência contra a mulher podem ser denunciados pelo Ligue 180, serviço gratuito que funciona 24 horas por dia. O canal oferece orientação e encaminhamento para serviços de proteção e atendimento. Também é possível buscar atendimento pelo WhatsApp (61) 99656-5008.

Denúncias de violações de direitos humanos podem ser feitas ainda pelo Disque 100 e pelo aplicativo Direitos Humanos Brasil. Em situações de risco, a mulher também pode solicitar medidas protetivas de urgência, previstas na Lei Maria da Penha.

Fonte: dol e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 28/08/2026/07:24:28

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