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Ameba ‘comedora de cérebros’ avança pelo mundo e assusta com letalidade de 97%

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Jordan Smelski tinha 11 anos e nadou uma única vez em uma fonte natural de águas quentes perto do hotel onde a família estava hospedada, na Costa Rica. Sete dias e meio depois, em 2014, o menino morreu de uma infecção cerebral causada pela Naegleria fowleri, a chamada ameba ‘comedora de cérebros’.

De volta para casa, Jordan começou a sentir dores de cabeça e a vomitar. Foi levado a um hospital local, onde passou a ter alucinações e sofreu uma convulsão, sendo então transferido para a UTI. O pai, Steve Smelski, hoje com 67 anos, descreveu ao Serviço Mundial da BBC a deterioração rápida do filho.

‘Ele olhava para nós, mas não sabia quem nós éramos’, relatou Steve. ‘Acho que ele não sabia quem ele próprio era.’

Segundo o pai, nada indicava o desfecho. ‘Ele não tinha problemas até então. Sua saúde era perfeita’, afirmou. ‘Sete dias e meio depois de nadar, ele se foi.’ Steve resume o efeito da doença de forma direta: ‘Ela leva seu cérebro embora, retira seus pensamentos, você deixa de ser quem é.’ E completa: ‘Jordan nadou um dia, uma vez, e, agora, ele se foi.’

Uma infecção rara, mas quase sempre fatal

A Naegleria fowleri provoca a meningoencefalite amebiana primária. Uma análise publicada em 2025 no periódico Journal of Infection and Public Health contabilizou 488 casos relatados em todo o mundo entre 1962 e 2023. Desse total, cerca de 97% das vítimas morreram.

Apesar da baixa incidência, o microrganismo tem ganhado atenção. Anastasios Tsaousis, da Universidade de Kent, prevê expansão. ‘Acho que haverá mais casos no futuro. Nós iremos observá-los em todo o mundo’, disse.

Para ele, parte do fenômeno pode ser explicada pela capacidade atual de diagnóstico: ‘Minha hipótese é que os números podem ter sido sempre altos e, agora, estamos simplesmente percebendo o aumento destes casos porque sabemos como fazer o teste.’

Outro fator apontado é a temperatura da água. ‘Quando a água se aquece, a ameba fica mais ativa’, explicou Tsaousis. ‘Com isso, aumenta a possibilidade de infecção das pessoas durante atividades recreativas.’

Casos se multiplicam em vários países

No ano passado, a Índia registrou o maior surto já documentado no mundo, com mais de 200 infecções, e novos casos continuam a surgir nos últimos meses. Uma pesquisa acompanhou o surto em Kerala, onde 200 pessoas foram contaminadas: mais da metade sobreviveu, número acima do índice histórico de sobrevivência, de cerca de 3%.

O avanço geográfico chama atenção. Nos últimos 20 anos, casos foram detectados em países do hemisfério norte, como Itália e Bélgica. Nos últimos 15 anos, novas infecções surgiram no norte dos Estados Unidos, incluindo Minnesota. No ano passado, a Eslováquia confirmou seu primeiro caso.

O Brasil também entrou na lista: em abril, uma criança de nove anos morreu em Rondônia. Menos de 500 casos foram identificados em todo o mundo até então.

Do banho ao clipe nasal: os caminhos da contaminação

A infecção não se limita a lagos e fontes. Em 2023, em Taiwan, um homem morreu após exposição em um local fechado de surfe. No mesmo ano, uma criança contraiu a infecção fatal nos Estados Unidos após usar um tapete de água contaminado. No Texas, uma mulher de 71 anos morreu no ano passado depois de usar um sistema de irrigação nasal por duas semanas.

Ian Wright, da Universidade do Oeste de Sydney, destaca o risco entre os mais jovens. ‘A idade em que mais pessoas sofrem da doença ao contraírem a infecção é aos 12 anos, pois as crianças adoram esguichar água quente’, afirmou. Para ele, ‘é muito cruel’, e a experiência lembra ficção: ‘É como um pesadelo, um filme de terror ou um romance de Stephen King.’

O pesquisador resume a combinação de baixa probabilidade e alta letalidade. ‘É muito improvável contrair a infecção, mas, se ela ocorrer, você provavelmente irá morrer’, disse. A recomendação é direta: ‘Na dúvida, simplesmente não coloque sua cabeça dentro da água.’

Fonte: Diário do Pará e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 09/07/2026/07:32:43

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