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Fiscalização Ambiental em Novo Progresso: prefeito, vereador e motorista contestam versão do ICMBio

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A operação de fiscalização ambiental realizada na segunda-feira, 29 de junho de 2026, na região da Floresta Nacional de Jamanxim, em Novo Progresso, continua gerando repercussão e levantando questionamentos sobre a atuação das equipes envolvidas. Enquanto o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) divulgou uma nota oficial apresentando sua versão dos fatos, o prefeito de Novo Progresso, o vereador Demétrio, familiares das vítimas, o motorista do caminhão e testemunhas contestam diversos pontos do comunicado.

Vereador divulga vídeo no hospital

Um vídeo divulgado pelo vereador Demétrio mostra o parlamentar no Hospital Municipal de Novo Progresso conversando com as vítimas, familiares e com o empresário Flávio, patrão do jovem Vando.

Durante a gravação, Demétrio apresenta o estado de saúde das vítimas e questiona a atuação dos agentes durante a operação.

“Não tem motivo algum para uma ação dessas. Era um caminhão em via pública, com uma motocicleta em cima. Não tem motivo para o ICMBio atirar com fuzil.”

O empresário Flávio também aparece no vídeo e afirma que tanto o motorista do caminhão, Fernando, quanto o jovem Vando trabalham para ele. Segundo Flávio, o caminhão trafegava normalmente por uma via pública transportando apenas uma motocicleta na carroceria.

“Eles estão ali para fiscalizar, não para matar ninguém. Da maneira que eles agiram, eles agiram para matar.”

O vereador também relata no vídeo que a mãe e a criança atingida são moradores de Manaus (AM) e estavam em Novo Progresso apenas para visitar o avô do menino, o motorista Fernando, que conduzia o caminhão no momento da ocorrência. Segundo o relato apresentado, eles não possuem qualquer ligação com atividades de garimpo.

Conforme os relatos apresentados no vídeo, Vando foi atingido por um disparo de arma de fogo na região do abdômen, enquanto a criança foi ferida por um disparo que atingiu o braço.

Prefeito aponta inconsistências na nota do ICMBio

O prefeito de Novo Progresso, Gelson Dill, também se manifestou sobre o caso e afirmou que existem inconsistências na nota divulgada pelo ICMBio.

Segundo o prefeito, um dos principais pontos contestados diz respeito ao estado de saúde da criança.

“O ICMBio informou que a criança chegou ao hospital por causa de uma crise asmática. Isso não procede. Ela chegou em estado de choque após ter sido alvejada durante a ação. Essa é uma das informações que precisam ser corrigidas na nota”, afirmou.

Gelson Dill também rebateu a informação de que o caminhão estaria prestando serviço ao garimpo ilegal transportando equipamentos.

“Outra informação que não condiz com a realidade é dizer que o caminhão estava carregando uma escavadeira hidráulica. Todas as imagens feitas após a ocorrência mostram que o caminhão estava vazio, transportando apenas uma motocicleta. Não havia escavadeira nem qualquer equipamento utilizado em garimpo ou atividade madeireira.”

Segundo o prefeito, a versão apresentada pelo ICMBio “não condiz com a verdade dos fatos ocorridos no município”.

Motorista relata momento dos disparos

O motorista do caminhão, Fernando, também apresentou sua versão sobre a ocorrência a TV Regional.

Segundo ele, no veículo estavam apenas ele, seu neto, de 10 anos, e o jovem Vando.

Fernando afirma que retornava de uma fazenda com destino a outra propriedade rural em Novo Progresso, transportando somente uma motocicleta na carroceria do caminhão.

De acordo com seu relato, uma aeronave utilizada na operação se aproximou da estrada e, logo em seguida, começaram os disparos.

“Eles vieram por cima de nós e deram uma primeira rajada de aproximadamente quinze tiros. Depois que desci a serra, vieram de frente e fizeram mais disparos. Acho que foram cerca de vinte tiros.”

Segundo Fernando, um dos disparos atingiu o braço do neto, de apenas 10 anos, enquanto outro acertou Vando, próximo ao umbigo.

O motorista afirma ainda que os estilhaços dos vidros quebrados pelos tiros provocaram diversos ferimentos em seu rosto.

Fernando também nega ter desobedecido qualquer ordem ou reagido contra os agentes.

“Eu não reagi de forma alguma. Não deu tempo de fazer nada. Eu não tinha arma, não tinha nada no caminhão.”

Alegação de intimidação

Outro relato apresentado por Fernando é que, após a abordagem, ele teria sido pressionado pelos agentes para afirmar que havia reagido à fiscalização.

Segundo ele, os agentes também teriam tentado incendiar o caminhão, mas a ação foi interrompida.

“Eles queriam que eu falasse que reagi para não comprometer a equipe deles. Eu disse que não ia mentir. Falei: ‘Se vocês quiserem me matar, podem me matar, mas eu não vou dizer uma coisa que não aconteceu’.”

Fernando afirma ainda que foi orientado pelos agentes a seguir dirigindo o caminhão mesmo com o neto e Vando feridos.

O que diz o ICMBio

Em nota oficial, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) informou que está apurando os acontecimentos registrados durante a operação de combate ao garimpo ilegal na Floresta Nacional de Jamanxim.

Segundo o órgão, uma apuração preliminar aponta que a equipe abordou um caminhão-prancha e que o condutor, apontado pelo instituto como prestador de serviço ao garimpo ilegal, não teria obedecido à ordem de parada.

Ainda conforme a nota, policiais militares efetuaram um disparo de advertência, e estilhaços atingiram de raspão a perna de um dos ocupantes do caminhão.

O ICMBio informou que essa pessoa foi socorrida por helicóptero e, posteriormente, encaminhada de ambulância ao hospital, onde estaria em situação estável.

O instituto também declarou que a criança que estava no caminhão foi atendida por apresentar uma crise asmática e afirmou que informações de que ela teria sido atingida diretamente por disparo de arma de fogo seriam falsas, acrescentando que a divulgação dessas informações poderá ser encaminhada para investigação pela Justiça.

Versões divergentes

Os relatos do prefeito Gelson Dill, do vereador Demétrio, do motorista Fernando, do empresário Flávio, das vítimas e de familiares apresentam divergências em relação à versão oficial divulgada pelo ICMBio, especialmente quanto às circunstâncias dos disparos, ao estado de saúde da criança, ao conteúdo transportado pelo caminhão e à dinâmica da abordagem.

População cobrou registro da ocorrência e reagiu à saída dos agentes

Conforme apurado pela reportagem, após o encaminhamento das vítimas ao Hospital Municipal de Novo Progresso, moradores que acompanhavam a ocorrência passaram a cobrar que os integrantes da operação comparecessem à Delegacia de Polícia Civil para registrar um boletim de ocorrência e prestar esclarecimentos sobre os fatos, possibilitando o início das investigações.

No momento em que os agentes embarcaram na aeronave utilizada na operação para deixar o local, a população se revoltou, cobrando que permanecessem no município para prestar esclarecimentos às autoridades policiais. As imagens registradas mostram o momento em que os agentes entram na aeronave e deixam a área, sem comparecer à delegacia naquele momento.

A saída da equipe provocou forte reação entre os moradores, que defendiam que os fatos fossem formalmente registrados perante a Polícia Civil para que as circunstâncias da ocorrência fossem imediatamente investigadas.

Fonte: Jornal Folha do Progresso com informações Tv Regional  e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 30/06/2026/16:36:52

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