A banda Caldo de Piranha e a cantora, compositora e liderança quilombola Cleide do Arapemã, são as atrações da primeira edição do Banzeiro Cultural, novo projeto da Secretaria Municipal de Cultura de Santarém, no oeste do Pará, que nasce com o propósito de fortalecer a cena artística local e ampliar a visibilidade de talentos independentes da Amazônia. O evento gratuito será neste sábado (24), no Theatro Victória, a partir das 19h.
Nascida em 2023, a banda Caldo de Piranha vem se destacando em eventos e festivais locais ao unir ritmos amazônicos e latino-americanos em uma estética própria, marcada por força, identidade e presença de palco.
Mais que entretenimento, o grupo se posiciona como expressão cultural de território, defendendo a Amazônia e valorizando as populações tradicionais por meio da música e da arte. Caldo de Piranha é a tradução sonora de uma Amazônia viva e contemporânea. Transita pelo brega pop e pelo carimbó do Pará, mas também incorpora a cadência do bolero, o swing da cumbia, o gingado da lambada e a pulsação da toada.
A cantora, compositora e liderança quilombola Cleide do Arapemã, do Quilombo do Arapemã, em Santarém, construiu uma trajetória marcada pelo encontro potente entre arte, identidade e luta coletiva. Reconhecida como símbolo de resistência na Amazônia, utiliza a música como instrumento de defesa da terra, do povo e da cultura quilombola, especialmente diante das pressões e ameaças que atingem territórios tradicionais.
Cantora Cleide Arapemã convida para Banzeiro Cultura;
Como liderança, Cleide atua diretamente pela regularização territorial do quilombo e pela proteção do modo de vida comunitário, transformando sua voz em ferramenta de mobilização e pertencimento. Suas composições são atravessadas pelo rio, pela natureza e pela força da negritude amazônica, guiadas pela ancestralidade e inspiradas nas memórias e histórias transmitidas por sua avó. Sua trajetória de luta já foi tema de filme, e seu trabalho está disponível nas plataformas digitais, com canções marcantes como “Beira do Rio”, “Amanhecer no Quilombo” e “Rio Amazonas”.
O nome do projeto é inspirado no movimento rítmico e na força das águas, e surge como uma iniciativa pensada para apoiar e dar visibilidade a artistas da música, da dança e do canto coral, oferecendo suporte técnico, logístico e promocional, além de garantir que esses profissionais ocupem espaços culturais oficiais com estrutura adequada e público ampliado. Muitos desses artistas já são reconhecidos por sua trajetória e contribuição cultural, porém ainda enfrentam dificuldades de acesso a equipamentos institucionais de apresentação.
Integrando o calendário cultural da cidade a partir de um processo de chamamento público, as apresentações ocorrerão bimestralmente. Desse modo, o poder público espera fortalecer a identidade local ao conectar a energia criativa desses artistas ao grande público, e assim, consolidar Santarém como um território de potência cultural amazônica.
Secretária de Cultura Priscila Castro fala sobre Banzeiro Cultural
Para a secretária municipal de Cultura, Priscila Castro, o lançamento do projeto marca um novo momento de fortalecimento das políticas culturais no município.
“O Banzeiro Cultural nasce com um propósito muito claro: valorizar quem faz cultura em Santarém e na Amazônia, especialmente os artistas que vêm das comunidades, dos territórios ribeirinhos e periféricos e que, muitas vezes, não conseguem acessar os equipamentos culturais oficiais. A Prefeitura, por meio da Secretaria de Cultura, está criando esse espaço contínuo para garantir visibilidade, estrutura e reconhecimento a esses talentos, que são patrimônio vivo do nosso povo”, afirmou a secretária.
Ela reforça ainda que o projeto integra uma política pública de incentivo e democratização do acesso à cultura.
“É uma iniciativa que fortalece a nossa identidade cultural e amplia o acesso do público a produções artísticas locais de altíssimo valor. Santarém tem artistas incríveis, e o Banzeiro chega para ser essa ponte entre o palco e o território, entre o centro e as comunidades, com respeito e cuidado com quem mantém a cultura viva”, completou.
Fonte: G1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 24/01/2026/10:54:07
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