Uma das maiores tragédias aéreas da história do Pará voltou a ser lembrada nas redes sociais por uma voz conhecida entre os apaixonados por aviação. O influenciador Lito Sousa, que morreu nesta quinta aos 59 anos, contou em seu canal no YouTube a história do acidente do voo 903 da Paraense Transportes Aéreos, que caiu na Baía do Guajará em 1970 e deixou 37 mortos.
O caso aconteceu na madrugada de 14 de março de 1970, por volta das 5h. O avião, um Fairchild Hiller FH-227B, havia saído de Recife e seguia para Belém com escalas. Durante a aproximação para o aeroporto de Val-de-Cans, a aeronave encontrou uma forte chuva e condições de visibilidade bastante ruins.
O avião perdeu o controle e caiu na Baía do Guajará, a aproximadamente 800 metros da pista 6. Entre os passageiros estava o comediante Luiz Jacinto da Silva, conhecido como Coronel Ludugero, cuja morte fez a tragédia ganhar repercussão em todo o país.
Um acidente que marcou a história de Belém
Segundo a história recontada por Lito, a aeronave era considerada moderna para a época e havia recebido da companhia o nome de Hirondelle, palavra francesa para “andorinha”.
O voo transportava 35 passageiros e cinco tripulantes. As investigações não apontaram explosão ou falha técnica como causa da queda. As condições meteorológicas e a dificuldade de manter referências visuais durante a aproximação tiveram papel central no acidente.
Com a visibilidade prejudicada pela chuva, o comandante teria confundido o reflexo da água com a pista do aeroporto. Durante a aproximação, a asa direita atingiu a superfície da Baía do Guajará e a aeronave caiu.
Ao todo, 37 pessoas morreram. Três passageiros chegaram a sobreviver ao impacto, mas um deles morreu posteriormente em consequência dos ferimentos.
Apenas duas pessoas sobreviveram: o radiotelegrafista Norberto Castro e a artista Nédia Magalhães.
Um dos sobreviventes já havia escapado de outro acidente
A história de Norberto Castro é um dos capítulos mais impressionantes da tragédia. O radiotelegrafista já havia sobrevivido a outro acidente aéreo da mesma companhia, em Belém, em 1964.
Seis anos depois, ele estava novamente a bordo de uma aeronave da Paraense Transportes Aéreos quando o voo 903 terminou na Baía do Guajará.
O episódio faz parte da série de histórias da aviação brasileira resgatadas por Lito Sousa em seu canal. Conhecido por explicar acidentes aéreos e os fatores que levaram às tragédias, o influenciador voltou ao caso de Belém para apresentar detalhes de uma ocorrência que permanece entre os acidentes mais marcantes da aviação paraense.
Bisneta comenta versões
Décadas depois, a história segue viva na memória familiar. Em comentário público, a bisneta de Norberto fez questão de corrigir versões equivocadas: “Meu avô, Norberto, não faleceu de acidente de carro. Ele sofreu um infarto, isso que o levou. No dia do acidente, em 1970, eu ia fazer sete anos e fui a primeira bisneta que ele conheceu”.
O acidente marcou uma era. Entre as décadas de 1950 e 1960, a PTA acumulou 13 acidentes, ganhou apelidos populares devido inúmeras broncas, como “Pobre Também Avua” e “Protege Tua Alma”, teve sua licença cassada pelo Ministério da Aeronáutica e encerrou as atividades. Em 1986, o escritor Walcyr Monteiro eternizou o episódio no conto “O Fantasma do Hirondelle”, reforçando o lugar da tragédia no imaginário paraense.
Fonte: Diário do Pará e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 02/10/2026/07:10:45
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