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Vorcaro admite em áudio ter dado R$ 30 milhões para filme de Lula: ‘Foi por fora’; e cita fundos de pensão

Ex-dono do Banco Master afirmou, em material entregue à PGR, que recursos teriam sido negociados por fora em meio a articulações para credenciar a instituição financeira junto a fundos de pensão

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Um relato atribuído ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, trouxe à tona alegações sobre um pagamento de aproximadamente R$ 30 milhões em dinheiro vivo relacionado à produção de um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O material também menciona pagamentos ao Instituto Lula e articulações que, segundo a versão apresentada pelo ex-banqueiro, teriam como objetivo facilitar o credenciamento do Banco Master junto a estruturas ligadas a fundos de pensão de servidores públicos.

As informações foram divulgadas pela revista Veja, que teve acesso a um áudio e a documentos encaminhados à Procuradoria-Geral da República (PGR). Conforme a reportagem, as declarações foram apresentadas no contexto de uma tentativa de negociação de delação premiada, mas a apuração não avançou na Procuradoria porque, segundo a publicação, foram consideradas insuficientes as provas dos pagamentos relatados.

É importante ressaltar que os fatos descritos fazem parte de alegações atribuídas a Vorcaro. O material divulgado não permite tratar os supostos repasses como pagamentos comprovados, nem concluir, por si só, que as pessoas citadas tenham cometido irregularidades.

Suposto pagamento de R$ 30 milhões para documentário

De acordo com a reportagem da Veja, Vorcaro relatou que teria sido negociado um repasse de aproximadamente R$ 30 milhões em espécie para cobrir despesas relacionadas à produção de um documentário sobre Lula, dirigido pelo cineasta norte-americano Oliver Stone.

Na versão atribuída ao ex-banqueiro, o dinheiro teria sido destinado a despesas da produção realizadas no exterior. Ele teria afirmado que o financiamento ocorreu de maneira diferente de um patrocínio formal, fazendo uma distinção entre o apoio financeiro ao documentário sobre Lula e o patrocínio associado ao filme Dark Horse, relacionado ao senador Flávio Bolsonaro.

Em trecho de áudio reproduzido pela publicação, Vorcaro teria afirmado que o dinheiro destinado ao documentário sobre Lula foi repassado “por fora” e reconhecido que a operação teria sido irregular. A gravação também menciona uma solicitação de recursos para o filme.

A existência do áudio, conforme relatado pela Veja, não significa que o montante de R$ 30 milhões tenha sido integralmente comprovado por documentos financeiros ou que a destinação dos recursos tenha sido confirmada de forma independente.

A reportagem também descreve separadamente os supostos pagamentos ao Instituto Lula. No material atribuído a Vorcaro, os repasses à instituição aparecem relacionados às articulações envolvendo o Banco Master, enquanto os recursos destinados ao documentário são mencionados em outro contexto. O valor total que teria sido destinado ao Instituto Lula não foi especificado no relato reproduzido.

Banco Master e a tentativa de acesso a fundos de pensão

Além das alegações sobre o documentário, o relato atribuído a Vorcaro aborda uma suposta articulação para viabilizar o credenciamento do Banco Master junto a instituições e estruturas relacionadas a fundos de pensão.

Segundo a versão apresentada pelo ex-banqueiro, a aproximação com integrantes ligados ao Partido dos Trabalhadores (PT) teria sido parte de uma estratégia para facilitar o acesso da instituição financeira a esses mercados.

Entre as estruturas mencionadas no material estão o Banco do Brasil, a Caixa Asset e a Previ, entidade de previdência complementar dos funcionários do Banco do Brasil.

A alegação central é que a aproximação política e os pagamentos mencionados teriam relação com a tentativa de obter apoio ao credenciamento do Banco Master. Entretanto, o relato, por si só, não comprova que tenha ocorrido pagamento ilícito para favorecer a instituição, tampouco demonstra que eventuais decisões de credenciamento tenham sido tomadas em troca de recursos.

O credenciamento de uma instituição financeira para atuar com fundos de pensão envolve procedimentos próprios e requisitos institucionais. Para confirmar eventual irregularidade, seria necessário verificar documentos, decisões administrativas, registros financeiros e a participação efetiva de cada pessoa mencionada.

Quem são as pessoas citadas no relato?

Conforme a reportagem da Veja, Vorcaro atribuiu a articulação inicial a Augusto Lima, seu então sócio e executivo do Banco Master. Ele teria atuado na aproximação com pessoas ligadas ao PT na Bahia, com o objetivo de viabilizar um encontro com João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do partido.

O material também menciona o senador Jaques Wagner (PT-BA), a quem Vorcaro teria atribuído participação na intermediação do primeiro encontro com Vaccari.

João Vaccari Neto aparece no relato como uma das pessoas com quem, segundo Vorcaro, teriam sido tratadas as negociações envolvendo o acesso do Banco Master aos fundos de pensão.

Paulo Okamotto, amigo de Lula e dirigente ligado ao Instituto Lula, também é citado. No trecho de áudio reproduzido pela reportagem, Vorcaro menciona uma suposta antecipação de recursos para Okamotto e faz referência tanto ao instituto quanto ao documentário.

A inclusão dos nomes no material não comprova, por si só, a participação em qualquer irregularidade. As informações apresentadas correspondem à versão atribuída ao ex-banqueiro e precisam ser diferenciadas de fatos confirmados por investigação independente ou decisão judicial.

O que diz o áudio apresentado à Procuradoria?

Um dos pontos destacados pela reportagem é um trecho da gravação em que Vorcaro fala sobre a estruturação de negócios envolvendo o Banco do Brasil, menciona Augusto, Okamotto e o Instituto Lula e, em seguida, aborda o financiamento do documentário.

Na transcrição divulgada pela publicação, o ex-banqueiro afirma que o dinheiro destinado ao filme sobre Lula teria sido repassado “por fora”. Ele também compara essa operação ao patrocínio relacionado ao filme Dark Horse, dizendo que, nesse segundo caso, o apoio teria ocorrido como patrocínio normal.

A comparação é relevante para compreender a versão apresentada por Vorcaro sobre a forma como os recursos teriam sido transferidos. Ainda assim, o trecho de áudio não esclarece sozinho todos os detalhes da operação, como a origem de cada parcela, a totalidade dos valores, os destinatários finais e a documentação que eventualmente respaldaria os repasses.

A defesa do ex-banqueiro, segundo a reportagem, afirmou que ele teria elementos para sustentar as declarações, incluindo mensagens de WhatsApp, registros de saques e informações sobre as pessoas que teriam retirado o dinheiro, além de locais e rotas usados nas supostas entregas.

Esses elementos, conforme descritos, foram apresentados como informações que poderiam dar suporte ao relato. Sua existência, autenticidade, conteúdo e capacidade de comprovar os pagamentos, contudo, não devem ser presumidos sem verificação independente.

Qual é o documentário mencionado?

A produção citada é Lula, documentário dirigido pelo cineasta norte-americano Oliver Stone. O filme apresenta um retrato do presidente brasileiro e reúne depoimentos de pessoas próximas a Lula e de aliados políticos.

Segundo o relato atribuído a Vorcaro, parte dos recursos teria sido utilizada para custear despesas da produção no exterior. A reportagem também faz referência a pagamentos que teriam sido destinados ao Instituto Lula, mas não apresenta um valor total confirmado para esses supostos repasses.

A distinção entre o financiamento de uma produção audiovisual, o patrocínio formal e eventuais pagamentos não declarados é importante para a compreensão do caso. A forma como o dinheiro teria sido transferido e sua finalidade precisariam ser demonstradas por registros financeiros, contratos, comprovantes e outros elementos verificáveis.

Até as informações descritas na reportagem, não é possível concluir apenas com base nas declarações atribuídas a Vorcaro que o documentário tenha recebido comprovadamente R$ 30 milhões em dinheiro vivo ou que todo esse montante tenha sido efetivamente utilizado na produção.

Por que a PGR não deu prosseguimento ao caso?

De acordo com a reportagem da Veja, as informações foram encaminhadas à Procuradoria-Geral da República em um anexo apresentado em junho, durante uma tentativa de negociação de delação premiada que acabou não avançando.

Segundo a publicação, a Procuradoria não deu prosseguimento ao caso por considerar que não havia provas suficientes dos pagamentos mencionados.

A defesa de Vorcaro contestou essa avaliação e afirmou que o ex-banqueiro teria mensagens, registros de saques e informações sobre as supostas entregas dos valores. Esses materiais, segundo a defesa, poderiam ajudar a esclarecer como os recursos teriam sido movimentados e quem teria participado das operações.

Há, portanto, uma diferença entre o que Vorcaro teria relatado, o que sua defesa afirma poder demonstrar e o que foi considerado suficientemente comprovado para justificar o avanço da apuração. A existência de uma tentativa de delação não equivale à confirmação das acusações, assim como a apresentação de um relato não significa que todos os fatos narrados tenham sido reconhecidos como verdadeiros pelas autoridades.

A ausência de avanço, conforme descrita pela reportagem, também não deve ser interpretada automaticamente como uma declaração definitiva de que todos os fatos são falsos. Significa que, segundo a publicação, as informações apresentadas não foram consideradas suficientes para que a Procuradoria prosseguisse naquele momento.

O que ainda precisa ser esclarecido?

As alegações levantam questões sobre a origem dos recursos, a forma de movimentação do dinheiro, a eventual existência de contratos ou comprovantes, a destinação dos valores e a relação entre os supostos pagamentos e a tentativa de credenciar o Banco Master junto a fundos de pensão.

Para estabelecer o que efetivamente ocorreu, seria necessário verificar os registros financeiros, a autenticidade e o contexto integral do áudio, as mensagens mencionadas pela defesa, os documentos relacionados à produção do filme e os procedimentos de credenciamento das instituições citadas.

Também é necessário distinguir eventual apoio financeiro a uma produção audiovisual de uma possível contrapartida indevida em negociações comerciais ou institucionais. Uma conclusão sobre irregularidade dependeria de provas que demonstrassem as circunstâncias e a finalidade dos pagamentos, além da participação individual de cada envolvido.

Até o momento descrito na reportagem utilizada como base para esta matéria, o suposto pagamento de R$ 30 milhões e as demais transferências relatadas permanecem como alegações atribuídas a Vorcaro, sem comprovação suficiente apontada pela publicação para o avanço do caso na PGR.

Fonte: Revista Veja e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 09/10/2026/18:15:10

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