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Produtor de Urubici chora ao ver 50 toneladas de ameixa apodrecendo sem comprador

Um produtor rural de Urubici, na Serra catarinense, descartou 50 toneladas de ameixa porque não conseguiu vender a produção e gravou um vídeo emocionado colocando as frutas à disposição de quem quisesse ir até a propriedade buscá-las antes que apodrecessem no chão, expondo um problema que atinge produtores de frutas em todo o Brasil

Um vídeo de um produtor rural de Urubici, na Serra catarinense, viralizou nas redes sociais ao mostrar 50 toneladas de ameixa jogadas no chão da propriedade. Emocionado, o agricultor explica que não conseguiu vender a produção e pede que qualquer pessoa vá até o local pegar as frutas

antes que apodreçam. “É isso, 50 toneladas de ameixa fora, porque não tem comércio. Quem quiser vir pegar, pode vir pegar”, diz o produtor na gravação, visivelmente abalado diante de meses de trabalho descartados no chão.

Segundo reportagem do NDMais, o caso expõe um problema que vai muito além de uma propriedade em Urubici. Produtores de frutas em diversas regiões do Brasil enfrentam a mesma situação: colheitas fartas que não encontram comprador porque o mercado não absorve o volume, os preços não cobrem os custos e a logística de escoamento é cara demais. A ameixa que apodrece no chão da Serra catarinense é o retrato de um sistema que produz alimentos em abundância mas não consegue fazê-los chegar à mesa de quem precisa.

O produtor rural colheu a safra de ameixa no período esperado, mas não encontrou comprador para o volume produzido. perecível que precisa ser comercializada rapidamente após a colheita, e quando o mercado não absorve a produção, o produtor tem poucas alternativas.

Armazenar 50 toneladas de ameixa em câmara fria custa mais do que muitos pequenos agricultores conseguem bancar, e o frete até centros consumidores distantes pode inviabilizar o negócio.

Sem comprador e sem condições de armazenar, o agricultor tomou a decisão de descartar a produção e gravar o vídeo como forma de pelo menos evitar o desperdício total. Ao colocar a ameixa à disposição de quem quisesse buscar, o produtor transformou uma perda em um gesto de solidariedade.

O vídeo circulou rapidamente nas redes sociais e gerou comoção, mas também levantou uma pergunta incômoda: como é possível que 50 toneladas de fruta fresca não encontrem destino em um país com milhões de pessoas passando fome?

Por que a ameixa de Urubici não encontrou comprador

Urubici é uma das regiões mais frias do Brasil e possui condições climáticas ideais para a produção de frutas de clima temperado como ameixa, maçã e pêssego.

O problema é que a Serra catarinense está longe dos grandes centros consumidores, e o custo do frete para transportar ameixa fresca até São Paulo, Rio de Janeiro ou Curitiba pode consumir toda a margem de lucro do produtor.

Além da logística, há o fator de mercado: quando a safra é boa em toda a região produtora, a oferta de ameixa sobe ao mesmo tempo e os preços despencam.

O produtor que investiu meses de trabalho no cultivo se depara com uma fruta que vale menos do que o custo para colhê-la e transportá-la.

É nesse ponto que 50 toneladas de ameixa saudável e madura acabam no chão em vez de chegar à mesa de alguém. O problema não é falta de produção; é falta de estrutura para escoar o que se produz.

O caso da ameixa de Urubici viralizou por causa do vídeo, mas situações como essa acontecem todos os anos em diferentes regiões produtoras do Brasil. Frutas perecíveis como ameixa, morango, pêssego e tomate são especialmente vulneráveis porque têm prazo curto de validade e exigem refrigeração durante o transporte.

Quando o produtor não tem acesso a câmara fria, veículo refrigerado ou contrato de venda antecipado, o descarte no campo se torna a única opção.

O Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do mundo, mas também é um dos que mais desperdiça. O problema não é exclusivo da ameixa nem de Urubici; é estrutural.

A falta de infraestrutura de armazenamento a frio na zona rural, a concentração de intermediários que controlam preços e a ausência de políticas públicas eficientes para conectar produtores a bancos de alimentos transformam safras fartas em montanhas de desperdício.

Cinquenta toneladas de ameixa são o suficiente para alimentar dezenas de milhares de pessoas. Com essa quantidade, seria possível abastecer bancos de alimentos, programas de merenda escolar, abrigos e instituições de caridade em toda a região.

O problema é que a logística para fazer essa ameixa chegar do campo até quem precisa exige transporte refrigerado, coordenação e dinheiro que o produtor sozinho não tem.

Outra alternativa seria o processamento da ameixa em polpa, geleia, suco ou fruta desidratada, produtos que têm validade longa e podem ser transportados sem refrigeração.

Mas agroindústrias de pequeno porte próximas às regiões produtoras são raras, e quando existem, muitas vezes não têm capacidade para absorver volumes de 50 toneladas de uma vez.

A transformação da ameixa em produto processado poderia ter salvado toda essa produção, mas a infraestrutura simplesmente não existe na escala necessária.

Um produtor que chora, 50 toneladas no chão e um sistema que não funciona

O vídeo do produtor de Urubici com 50 toneladas de ameixa no chão é mais do que uma cena triste.

em abundância mas falha em distribuí-los, que obriga agricultores a descartar o resultado de meses de trabalho e que permite que frutas saudáveis apodreçam enquanto milhões de brasileiros não têm o que comer.

A ameixa que o produtor ofereceu de graça para quem quisesse buscar é a prova de que o problema não é falta de alimento

Fonte: clickpetroleoegas e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 30/03/2026/09:17:22

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