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Justiça solta empresário apontado como membro do PCC acusado de matar esposa em SP

Fantástico teve acesso a imagens que mostram a última madrugada da mulher que morreu ao cair do 10º andar de um prédio

O crime aconteceu na madrugada de 29 de novembro. Câmeras de vigilância do prédio registraram a agressão. Alex Bispo foi denunciado pelo Ministério Público pelo crime de feminicídio e se tornou réu.

A decisão pela liberação do réu foi tomada pelo juiz da 5ª Vara do Tribunal do Júri, na Barra Funda.

Ao revogar a prisão, o juiz determinou que Alex Bispo não se ausente da cidade por mais de oito dias, não mude de endereço, compareça em juízo bimestralmente e mantenha o telefone atualizado. Ele também está proibido de se aproximar das testemunhas do crime.

Por meio de nota, o Tribunal de Justiça de São Paulo disse que “não se manifesta sobre questões jurisdicionais”.

“Os magistrados têm independência funcional para decidir de acordo com os documentos dos autos e seu livre convencimento. Essa independência é uma garantia do próprio Estado de Direito. Quando há discordância da decisão, cabe às partes a interposição dos recursos previstos na legislação vigente”, afirmou.

Investigação do wi-fi

Antes de ser preso, Alex Bispo dos Santos era dono da empresa Favela Conectada Serviços e Tecnologia Ltda., que foi contratada pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), da empresária Karina da Gama.

O acordo de R$ 12 milhões previa a instalação de parte dos pontos de wi-fi que a ONG deveria levar às periferias da cidade de São Paulo.

Karina é proprietária do ICB e também da produtora Go UP, responsável pela produção do filme “Dark Horse”. As duas empresas funcionam no mesmo endereço, segundo os registros públicos.

Mesmo sem experiência no setor de internet pública, a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) contratou o ICB de Karina por R$ 108 milhões por ano para instalar 5 mil pontos de wi-fi na cidade de São Paulo.

Para executar os serviços, Karina subcontratou ao menos três empresas terceirizadas. Uma delas foi a Favela Conectada, de Alex Bispo, em um contrato inicial de R$ 12 milhões para a instalação de parte desses pontos.

Após a prisão de Alex, a empresa Favela Conectada mudou de dono e de nome. Em janeiro de 2026, segundo registros da Junta Comercial de São Paulo (Jucesp), ele deixou de ser sócio da empresa, e o controle passou para Tatiane Camargo de Oliveira Fernandes, que morava no mesmo endereço de Alex, segundo o registro na Jucesp.

A empresa, que passou a se chamar Urban Connect Serviços e Tecnologia Ltda., continuou recebendo valores do ICB mesmo após a prisão do antigo dono.

William Silva Ferreira, dono da Ultra IP, afirma que a empresa dele foi responsável pela instalação dos 3.500 pontos de wi-fi que a ONG de Karina instalou na cidade até agora e que a Favela Conectada/Urban Connect foi usada pela produtora de “Dark Horse” para sustentar uma fraude no contrato do ICB com a Prefeitura de São Paulo.

O ICB nega as acusações e afirma que a Ultra IP descumpriu o acordo, interrompeu parte do serviço e tentou extorquir R$ 2,5 milhões (entenda mais aqui).

Na ocasião, a polícia apreendeu documentos nos endereços ligados a Karina e seus fornecedores. O celular e os computadores da empresária também foram apreendidos.

Compartilhamento de provas

Nesta segunda-feira (24), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinou que a Polícia Civil paulista compartilhe os documentos apreendidos na chamada ‘Operação Wi-fi’ com a Polícia Federal,.

A PF investiga emendas que deputados federais ligados ao bolsonarismo que foram repassaram para as empresas de Karina da Gama.

Segundo a determinação de Dino, a Polícia Civil tem prazo de cinco dias para fornecer os dados brutos, extrações de celulares e documentos apreendidos durante a operação.

A TV Globo apurou que o delegado responsável pela investigação em São Paulo já entrou em contato com o delegado da Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores, em Brasília, para providenciar a remessa do material o mais rápido possível.

A empresária sempre negou uso de dinheiro público no filme, mas não apresentou na perícia nenhum recibo, transferência ou nota fiscal da origem e destino do dinheiro para a produção

Fonte: g1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 25/08/2026/07:22:22

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