Um fazendeiro foi preso preventivamente pela Polícia Federal nesta terça-feira (6), em Sinop, no norte de Mato Grosso, suspeito de manter uma propriedade rural utilizada como ponto de apoio para uma organização criminosa envolvida no transporte aéreo de cocaína da Bolívia para o Brasil.
A prisão faz parte da segunda fase da Operação Mállku, que investiga uma estrutura responsável pela logística de entrada e distribuição de drogas em território brasileiro.
Segundo a PF, a aeronave utilizada pelo grupo para transportar a cocaína realizava pousos na fazenda do investigado. A propriedade teria sido utilizada como parte da estrutura logística necessária para a movimentação da droga.
O homem foi alvo de um mandado de prisão preventiva. Até a última atualização, a Polícia Federal não havia divulgado o nome do suspeito nem detalhes sobre a propriedade.
Investigação começou após apreensão de 511 kg de cocaína
A investigação teve início em fevereiro de 2026, depois que aproximadamente 511 quilos de cocaína foram apreendidos em Marcelândia, em Mato Grosso.

De acordo com a Polícia Federal, a droga era transportada por uma aeronave que havia decolado de uma região rural no leste da Bolívia.
A apreensão permitiu aos investigadores identificar integrantes que, segundo a apuração, desempenhavam diferentes funções na cadeia logística do tráfico internacional.
A investigação passou a mapear não apenas os responsáveis pelo transporte da droga, mas também pessoas que poderiam atuar no financiamento, pilotagem das aeronaves, apoio em solo e disponibilização de propriedades rurais utilizadas para pousos e decolagens.
Fazenda era usada como apoio para aeronaves
Um dos pontos identificados pelos investigadores foi a utilização de propriedades rurais como suporte para os voos clandestinos.
Segundo a PF, a fazenda localizada em Sinop e pertencente ao homem preso nesta terça-feira fazia parte dessa estrutura. A aeronave ligada ao transporte da cocaína teria realizado pousos no local.
A utilização de áreas rurais para pouso e decolagem permite que aeronaves utilizadas no tráfico evitem estruturas aeroportuárias regulares e dificulta a fiscalização das autoridades.
A investigação busca esclarecer qual era exatamente a participação de cada integrante e o grau de envolvimento dos responsáveis pelas propriedades utilizadas pelo grupo.
Primeira fase prendeu piloto e mirou outros integrantes
A primeira fase da Operação Mállku foi deflagrada em junho deste ano. Na ocasião, a Polícia Federal cumpriu sete mandados judiciais, sendo dois de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão.
As ordens foram cumpridas em municípios de Mato Grosso e também em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.
Entre os presos estava um piloto de avião investigado por participação no esquema. Outro investigado, ligado a uma propriedade rural, não havia sido localizado naquela etapa.
As diligências realizadas após a apreensão dos 511 quilos de cocaína permitiram, segundo a PF, avançar na identificação da estrutura responsável pela operação.
PF procura financiadores e outros envolvidos
A prisão realizada em Sinop não encerra a investigação.
A Polícia Federal informou que continua trabalhando para identificar outros integrantes do grupo. Entre os possíveis envolvidos estão financiadores, pilotos, operadores logísticos e pessoas que teriam disponibilizado propriedades rurais e pistas para as aeronaves.
A apuração também pretende esclarecer como funcionava a logística utilizada para retirar a droga da Bolívia, transportá-la por via aérea e posteriormente distribuí-la em território brasileiro.
A operação é tratada pela PF como parte do combate ao tráfico internacional de drogas e às estruturas criminosas que utilizam aeronaves e propriedades rurais para facilitar a entrada de entorpecentes no país.
Até o momento, a Polícia Federal não informou se novas prisões serão realizadas.
ENTENDA A OPERAÇÃO MÁLLKU
- Fevereiro de 2026: cerca de 511 kg de cocaína são apreendidos em Marcelândia;
- Origem da droga: segundo a PF, a cocaína havia saído de uma região rural no leste da Bolívia;
- Primeira fase: sete mandados judiciais foram cumpridos em junho, com duas prisões preventivas e cinco buscas;
- Piloto: um dos investigados foi preso em Ribeirão Preto (SP);
- Segunda fase: um fazendeiro foi preso preventivamente em Sinop nesta terça-feira (6);
- Investigação: PF procura identificar financiadores, pilotos, operadores logísticos e responsáveis por propriedades e pistas usadas pelos aviões.

