O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, durante comício realizado na noite desta segunda-feira (28), na Praça da República, em Belém, que não haverá dragagem no rio Tapajós para o transporte de cargas enquanto estiver na Presidência da República. No mesmo discurso, Lula prometeu concluir até o fim do ano o trecho da BR-163 até Santarém e abordou temas como saúde, educação, exploração de petróleo, minerais críticos, tecnologia e geração de empregos.
O ato reuniu apoiadores e lideranças políticas do Pará que integram o palanque de Lula no Estado. Entre os participantes estavam Hana Ghassan (MDB), candidata ao governo do Pará, e seu vice, Dirceu Ten Caten (PT), além dos candidatos ao Senado Helder Barbalho (MDB), Chicão (MDB) e Celso Sabino (PDT). Também participaram do evento o senador Beto Faro (PT), Jader Barbalho (MDB), suplente de Helder na disputa pelo Senado, o prefeito de Belém, Igor Normando (PSDB), e a primeira-dama Janja Lula da Silva.
A concentração de apoiadores começou ainda no fim da tarde. Enquanto Lula cumpria agenda no complexo hospitalar da Beneficente Portuguesa, militantes se reuniam na Praça da República carregando bandeiras, faixas e cartazes em apoio ao presidente e aos candidatos aliados.
Ao falar sobre a dragagem, o presidente afirmou que a discussão chegou ao governo federal depois de manifestações de indígenas contrários à intervenção no rio. Lula disse que ouviu representantes indígenas, ministros e a governadora do Pará, Hana Ghassan (MDB), antes de tomar a decisão. “Enquanto eu for presidente da República, não haverá dragagem para transportar carga no rio mais bonito que o país tem, que é o rio Tapajós”, declarou.
BR-163
Na sequência, Lula falou sobre a BR-163 e afirmou ter autorizado a continuidade das obras para concluir a ligação da rodovia até Santarém. A via é um dos principais corredores de transporte entre o Centro-Oeste e o Pará e tem importância para o escoamento da produção em direção aos terminais do Arco Norte.
Segundo ele, faltam cerca de 30 quilômetros para completar o trecho. “Eu autorizei terminar uma rodovia que começou comigo no primeiro mandato, a BR-163, que falta apenas 30 quilômetros para ela chegar em Santarém. Pois até o final do ano, eu e você vamos inaugurar o fim da estrada”, prometeu.
Saúde
Antes do comício, Lula visitou o complexo hospitalar da Benemérita Sociedade Portuguesa Beneficente do Pará, onde conheceu a nova estrutura do Hospital São João de Deus. A visita ocorreu antes do ato político na Praça da República.
No palanque, o presidente voltou a falar sobre a saúde e destacou a realização de cirurgia robótica no hospital. Lula apresentou o procedimento como exemplo da ampliação do acesso da população a tecnologias de alta complexidade. “Era uma coisa de gente rica. Era uma coisa do Sul do país. E agora a gente vai ter no Estado do Pará”, afirmou.
Lula também relacionou a ampliação do atendimento especializado à defesa do SUS. “É um direito do povo ser tratado com respeito”, declarou. Em outro momento, o presidente falou sobre o acesso a medicamentos e consultas especializadas e defendeu políticas públicas voltadas à população de baixa renda. “Ninguém pode morrer por ser pobre. Ninguém pode morrer porque não tem dinheiro”, afirmou.
Educação e formação profissional
A educação também ocupou parte significativa do discurso. Lula afirmou que pretende ampliar a oferta de escolas em tempo integral e universalizar o programa Pé-de-Meia. “Se a gente não investir na educação, a gente vai ter que investir em cadeia. E eu prefiro investir em educação”, disse.
O presidente também relacionou a formação educacional à geração de empregos e à autonomia econômica das mulheres. Segundo ele, a ampliação da qualificação profissional deve ser acompanhada pela criação de postos de trabalho com melhores salários. “Quanto mais preparada você estiver, mais chances você tem de ter emprego”, afirmou.
Petróleo, minerais críticos e tecnologia
Lula também dedicou parte do discurso à exploração de petróleo na Margem Equatorial. Ao citar a atividade, afirmou que os recursos devem ser utilizados para financiar áreas como educação, saúde, ciência e tecnologia. “Esse petróleo vai ser outra vez o passaporte do futuro para a gente investir na educação, na saúde e na ciência e tecnologia”, afirmou.
O presidente também falou sobre as chamadas terras raras e os minerais críticos e defendeu que o Brasil desenvolva tecnologia e industrialize esses recursos dentro do próprio país. “Desta vez, ninguém vai meter a mão nos nossos minerais críticos e nas nossas terras raras. Nós vamos explorar aqui, desenvolvermos aqui, industrializá-los aqui”, declarou.
Ao abordar a relação do Brasil com os Estados Unidos, Lula afirmou que não pretende estabelecer um conflito com o país, mas defendeu uma relação baseada no respeito entre as nações. “Eu não quero guerra contra os Estados Unidos, eu quero respeito. Eu quero respeito”, afirmou.
Na sequência, o presidente defendeu investimentos em formação profissional e tecnologia para que o Brasil tenha maior autonomia em áreas estratégicas. Lula citou cursos de engenharia, matemática quântica, inteligência artificial, cirurgia robótica e transição energética como setores que, segundo ele, deverão receber investimentos.
‘Eu gosto de viver’
Durante o discurso, Lula também falou sobre sua idade e sobre a motivação para disputar novamente a Presidência da República. “Eu tenho 80 anos de idade. E quero confessar pra vocês que aos 80 anos de idade, eu hoje estou mais preparado fisicamente do que quando eu fui eleito presidente pela primeira vez”, disse.
Em seguida, afirmou que sua disposição está relacionada às causas que defende. “Um ser humano envelhece quando ele não tem causa. Quando ele não tem motivação. E eu tenho uma causa e uma motivação que me deixa jovem. E a minha causa chama-se povo brasileiro e chama-se a pátria chamada Brasil”, afirmou.
Fonte: oliberal e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 29/09/2026/07:10:45
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