O Outubro Rosa chama atenção para a prevenção e o diagnóstico do câncer de mama, doença que também pode atingir mulheres com menos de 40 anos, embora seja menos frequente nessa faixa etária.
Segundo o ginecologista Hamilton Franco, alterações como nódulos persistentes, mudanças na pele ou no formato da mama e secreção espontânea devem ser investigadas, independentemente da idade. O especialista também explica quais fatores aumentam o risco e esclarece dúvidas comuns, como a relação entre pancadas na mama e o desenvolvimento da doença.
De acordo com Hamilton Franco, o câncer de mama não aparece com maior frequência entre mulheres com menos de 40 anos, mas isso não significa que a doença não possa ocorrer nessa faixa etária.
“Não é a faixa etária em que o câncer de mama aparece com mais frequência, mas ele pode, sim, acontecer em mulheres jovens. Por isso, a idade não deve ser usada como motivo para ignorar uma alteração na mama. Se surgir alguma mudança diferente do habitual, ela precisa ser avaliada.”
Quais fatores aumentam o risco?
O histórico familiar e algumas condições genéticas estão entre os fatores que podem elevar o risco de câncer de mama em mulheres jovens. A exposição à radiação na região do tórax também pode estar relacionada a um risco maior.
“Histórico familiar importante de câncer de mama ou ovário, algumas alterações genéticas hereditárias e exposição à radiação na região do tórax estão entre os fatores que podem aumentar o risco. Mas também existem mulheres que desenvolvem câncer de mama sem apresentar nenhum fator de risco conhecido. Por isso, conhecer o próprio corpo e procurar atendimento diante de alguma alteração é tão importante.”
Quais sinais merecem atenção?
O ginecologista destaca que um caroço persistente está entre os principais sinais que precisam ser avaliados. Mudanças na aparência da mama e alterações no mamilo também merecem atenção.
“O principal sinal de alerta é um caroço que não desaparece, principalmente se for endurecido ou estiver aumentando. Também é importante procurar avaliação quando houver mudança no formato da mama, retração da pele ou do mamilo, saída espontânea de secreção, especialmente com sangue, vermelhidão persistente ou caroço na axila. Nem toda alteração significa câncer, mas é preciso investigar.”
A doença pode ser mais agressiva em mulheres jovens?
Segundo Hamilton Franco, em alguns casos, o câncer de mama pode apresentar características diferentes em pacientes mais jovens. Além disso, a própria idade pode contribuir para um atraso na investigação quando sintomas são minimizados.
“Em alguns casos, sim. Mulheres mais jovens podem apresentar tipos de tumor com comportamento mais agressivo e, às vezes, o diagnóstico demora porque existe aquela ideia de que ‘sou muito nova para ter câncer de mama’. Esse é justamente um dos motivos pelos quais não devemos desvalorizar um sintoma apenas pela idade da paciente.”
Mulheres com menos de 40 anos precisam fazer exames?
A necessidade de exames de rastreamento varia de acordo com a idade, os sintomas e o histórico de cada mulher. Para aquelas que não apresentam sintomas e não possuem risco aumentado, o especialista explica que a mamografia de rastreamento normalmente não é realizada de rotina antes dos 40 anos.
“Para uma mulher jovem, sem sintomas e sem um risco aumentado, normalmente não se faz mamografia de rastreamento de rotina antes dos 40 anos. Mas isso muda completamente quando existe um sintoma ou um histórico familiar importante. Se aparece um nódulo, uma secreção ou qualquer outra alteração suspeita, a investigação deve ser feita independentemente da idade. Mulheres com risco elevado também podem precisar começar o acompanhamento mais cedo, de forma individualizada.”
Pancada na mama pode causar câncer?
Uma dúvida comum é se uma pancada na região pode provocar câncer de mama. De acordo com o ginecologista, não há essa relação.
“Não. Uma pancada não causa câncer de mama. O trauma pode provocar dor, hematoma ou até um endurecimento local, mas não é considerado causa da doença. O que pode acontecer é a pessoa perceber um nódulo depois de uma pancada porque passou a tocar e observar mais aquela região. Se o caroço ou a alteração persistirem, o correto é procurar avaliação médica.”
Durante o Outubro Rosa, a orientação é que mulheres estejam atentas ao próprio corpo e procurem avaliação profissional diante de alterações persistentes. A presença de um sintoma não significa necessariamente câncer, mas a investigação adequada é fundamental para identificar a causa.
Fonte: DOL e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 29/09/2026/16:12:20
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