A deputada federal Duda Salabert, do PSOL de Minas Gerais, afirmou ter sido vítima de uma tentativa de homicídio durante a madrugada desta sexta-feira, 4 de setembro. O caso aconteceu durante uma fiscalização em uma área conhecida por denúncias de roubo de minério, na divisa entre Belo Horizonte e Nova Lima.
A ocorrência, no entanto, foi registrada inicialmente pela Polícia Militar como lesão corporal. Duda estava acompanhada do engenheiro ambiental Felipe Gomes, assessor da parlamentar e candidato a deputado estadual pelo PSOL. Os dois devem prestar depoimento à Polícia Civil e também à Polícia Federal.
Fiscalização de roubo de minério
Segundo o relato da deputada, Felipe Gomes entrou em contato com ela na noite anterior após identificar uma retroescavadeira em operação em um ponto monitorado pela equipe, às margens da MG-356.
Felipe contou que voltava para casa quando percebeu a movimentação da máquina. Ele decidiu acionar Duda para que os dois fossem até o local. A intenção era confirmar a atividade e, em seguida, chamar a polícia para tentar flagrar um possível roubo de minério.
Ataque e fuga
Quando chegaram à área, porém, a retroescavadeira já estava desligada. Duda e Felipe se aproximaram para tentar observar melhor o local. Eles entraram por um portão que estava aberto e, segundo a deputada, foram surpreendidos por três homens, que começaram as agressões.
“Eu tinha convicção de que iam me matar. Eles estavam muito frios, e falavam ‘nós te pegamos’ e ‘vamos resolver lá dentro’”, afirmou Duda Salabert.
A parlamentar relatou momentos de desespero durante o ataque. “Eles começaram a dar chutes e socos. Eu corri e caí. Foi quando escutei ‘pega o cano, pega o cano’. Nessa hora pensei, eu vou morrer”, contou.
Duda afirmou que conseguiu escapar ao correr por um barranco. Ela caiu às margens da rodovia e começou a pedir socorro. Nesse momento, um carro passou pelo local.
“Por sorte passou um carro, gritei por socorro, o carro parou e ligou o pisca alerta. Eu tenho total certeza de que foi esse carro que salvou a nossa vida. Quando ele parou ali, os homens fugiram”, relatou a deputada.
Depois da fuga dos agressores, Duda e Felipe conseguiram retornar ao local onde haviam estacionado. Eles acionaram a polícia e seguiram para atendimento médico.
Além de escoriações pelo corpo, a deputada sofreu uma luxação no ombro. Duda afirmou ainda que acredita que os homens envolvidos no ataque já sabiam quem ela era.
“Pra mim ficou claro que eles sabiam quem eu era. Enquanto dois estavam batendo no Felipe, o que estava comigo falou: ‘por que você insiste em fazer isso?’. Interpretei que ele já sabia e já nos acompanhava nesse processo de fiscalização e denúncias de roubos de minério”, declarou.
Investigação e denúncias
A deputada deve prestar depoimento sobre o caso ainda nesta sexta-feira. Paralelamente, ela tenta obter imagens de câmeras instaladas na região para ajudar na investigação.
Duda Salabert relacionou o episódio às denúncias que faz há anos sobre uma suposta rede de roubo de minério na região metropolitana de Belo Horizonte. Para ela, o crime pode ter ligação com interesses econômicos e políticos.
“A gente denuncia essa máfia da mineração há anos. Esse roubo de minério tem impacto na política, no meio ambiente, na soberania nacional. Todo mundo sabe que há roubo recorrente de minério ali e ninguém faz nada”, afirmou.
A parlamentar também levantou questionamentos sobre o destino do material retirado ilegalmente e sobre os responsáveis pelos possíveis lucros da atividade.
“A pergunta é: pra onde vai esse minério? Quem lucra com isso? Qual a consequência desse lucro?”, questionou.
O caso agora deve ser investigado pelas autoridades. Enquanto a ocorrência policial foi registrada inicialmente como lesão corporal, Duda Salabert sustenta que sofreu uma tentativa de homicídio e afirma que as circunstâncias do ataque indicam que os agressores conheciam sua atuação e acompanhavam o trabalho de fiscalização realizado por sua equipe.
Projetos deram projeção nacional à deputada
Além do episódio ocorrido em Minas Gerais, Duda Salabert ganhou projeção nacional por projetos apresentados durante seu mandato na Câmara dos Deputados. Um dos mais conhecidos teve ligação direta com Belém e a COP30.
A parlamentar foi autora do projeto que determinou a transferência simbólica da capital do Brasil para Belém durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, realizada entre 11 e 21 de novembro de 2025.
A proposta estabeleceu que Belém se tornaria simbolicamente a capital brasileira durante o período da conferência. A medida permitiu a instalação temporária dos Três Poderes na capital paraense.
Assim, atos oficiais assinados pelo presidente da República e por ministros durante aquele período puderam ser datados oficialmente de Belém.
O objetivo da iniciativa era dar ainda mais visibilidade à Amazônia e colocar os desafios e as potencialidades da região no centro das decisões nacionais durante a COP30. A proposta foi aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado.
Duda Salabert também tem atuação voltada à proteção animal e apresentou projetos relacionados ao combate aos maus-tratos, ao abandono e à conscientização sobre a guarda responsável de pets.
Entre as propostas está um projeto que prevê o fortalecimento da punição contra crimes de maus-tratos cometidos para produção e monetização de conteúdo audiovisual. Outra iniciativa apresentada pela deputada busca ampliar a educação sobre proteção e bem-estar animal nas escolas.
Duda também apresentou proposta para incluir mensagens educativas em embalagens de alimentos destinados aos animais. A ideia é estimular a guarda responsável, combater maus-tratos e abandono e divulgar informações sobre adoção e canais de denúncia.
A parlamentar ainda defende medidas voltadas ao apoio de protetores de animais e mudanças na legislação para tornar mais explícita a responsabilização pelo abandono.
Fonte: Diário do Pará e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 05/09/2026/07:03:52
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