O casal Thaís de Souza Santos e Itamar Nascimento da Silva foi condenado pelo homicídio e pela ocultação do cadáver de Sérgio William da Silva Correia, pai do filho de Thaís. A sentença foi publicada nesta terça-feira (18), após julgamento realizado na segunda-feira (17) pelo Tribunal do Júri da Comarca de Rondon do Pará, no sudeste do estado. As informações são do Correio de Carajás.
Thaís foi condenada a 17 anos e nove meses de prisão. Já Itamar recebeu pena de 14 anos e nove meses de reclusão. A pena dele foi menor porque houve confissão do crime.
O julgamento foi conduzido pelo juiz Rodrigo Tavares, presidente do Tribunal do Júri da Comarca de Rondon do Pará. O Conselho de Sentença reconheceu, por maioria de votos, a responsabilidade criminal dos dois acusados. A acusação foi sustentada pelo promotor de Justiça João Francisco Amaral.
Corpo foi encontrado dentro de fossa
O crime ocorreu em Abel Figueiredo. O corpo de Sérgio foi localizado em 9 de agosto de 2024, dentro de uma fossa situada nos fundos da residência onde Thaís e Itamar moravam.
Segundo a sentença de pronúncia, que analisou a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), o casal teria planejado a morte de Sérgio durante meses. A investigação apontou ainda que os dois chegaram a contratar uma terceira pessoa, identificada pelo apelido de “Bailarino”, para executar o homicídio.
Como o contratado demorou a cumprir o acordo, Thaís e Itamar teriam decidido cometer o crime pessoalmente. Sérgio foi atraído até a residência da mulher, onde acabou assassinado.
A motivação apontada no processo estaria relacionada a um desentendimento entre Thaís e Sérgio envolvendo a guarda do filho que os dois tinham em comum.
De acordo com a pronúncia, Sérgio foi atingido com uma paulada na cabeça e sofreu quatro golpes de canivete. Os ataques teriam sido realizados por Itamar.
Após o homicídio, o casal teria levado o corpo até a fossa localizada nos fundos do imóvel. O cadáver foi coberto com entulho e concreto na tentativa de ocultá-lo.
Desaparecimento
Sérgio estava desaparecido havia alguns dias quando o corpo foi encontrado. Em 7 de agosto de 2024, a mãe dele procurou a polícia para informar o desaparecimento. Segundo o relato, o homem havia sido visto pela última vez na casa de Thaís, no dia 5 de agosto.
Após a localização do cadáver, Itamar foi preso e confessou o crime à Polícia Civil. Thaís também foi presa na ocasião, mas recebeu liberdade provisória em maio de 2025.
Durante a investigação, Thaís afirmou que Sérgio esteve na residência, mas deixou o local ainda no dia 5 de agosto. Ela também admitiu ter apagado mensagens trocadas com a vítima e entregou à polícia uma mochila com documentos e roupas pertencentes a Sérgio.
Os elementos foram considerados pela investigação como indícios de que ela tinha conhecimento do que havia ocorrido.
Ao longo do processo, Thaís negou participação no homicídio e passou a atribuir a responsabilidade pelo crime ao companheiro, alegando que Itamar teria agido contra Sérgio. Depoimentos reunidos durante a investigação, contudo, apontaram em outra direção.
Encontro teria sido previamente combinado
Ainda segundo a sentença de pronúncia, um taxista ouvido pela polícia relatou que foi contratado para transportar Sérgio até a residência de Thaís. O motorista afirmou que recebeu um pedido expresso de sigilo.
Conforme o depoimento, Sérgio teria dito que apenas ele e os acusados sabiam que estava na cidade. Para a investigação, a informação reforçou a hipótese de que o encontro na residência havia sido previamente combinado.
A mãe da vítima também relatou ter recebido de Thaís alguns pertences pessoais de Sérgio após o desaparecimento. Para a acusação, a entrega dos objetos reforçou a suspeita de que Thaís tinha conhecimento sobre o paradeiro do homem.
No celular dela, os investigadores também encontraram registros de mensagens que haviam sido apagadas. A exclusão foi interpretada como uma possível tentativa de dificultar a investigação.
Prisões e desconto da prisão provisória
Itamar permanecia preso preventivamente desde o dia em que o corpo foi localizado. Já Thaís, que havia sido colocada em liberdade provisória em maio de 2025, deverá retornar à prisão para iniciar o cumprimento da pena.
Na sentença, o juiz Rodrigo Tavares determinou que o período em que os dois permaneceram presos provisoriamente seja descontado das respectivas penas. Para Thaís, foram considerados 10 meses e 18 dias de prisão provisória. No caso de Itamar, foram contabilizados dois anos e oito dias.
Fonte: oliberal e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 19/08/2026/07:32:32
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