Quem protege nossas crianças? Quatro crianças morrem em menos de 30 dias em casos que chocaram o Brasil
Gustavo, Helena, Laís e Heloísa. Quatro histórias diferentes, quatro crianças que perderam a vida e um alerta que precisa ser ouvido: quando uma mãe demonstra preocupação com a segurança do próprio filho, o pedido de ajuda não pode ser tratado como exagero.

Em menos de 30 dias, o Brasil acompanhou uma sequência de casos envolvendo crianças pequenas que morreram em circunstâncias investigadas pelas autoridades. São histórias ocorridas em diferentes estados, com contextos distintos e investigações que ainda seguem caminhos próprios, mas que provocam a mesma reflexão: o que está sendo feito para proteger uma criança quando os adultos ao redor percebem que existe algum risco?
Entre os casos que mais comoveram o país estão as mortes de Gustavo, de 3 anos, em Palmas (TO); Helena, de apenas 10 meses, em Fortaleza (CE); e das irmãs Laís, de 3 anos, e Heloísa, de 5 anos, encontradas mortas em São Paulo.
Não se trata de afirmar que os quatro casos possuem a mesma dinâmica ou que exista uma relação entre eles. Não existe. Cada ocorrência está sendo investigada individualmente. Mas, diante da sequência de tragédias, fica uma pergunta que ultrapassa os boletins de ocorrência:
Quantas vezes uma mãe precisa dizer “eu estou com medo” até que alguém leve isso a sério?
Gustavo, 3 anos: uma morte que chocou Palmas

Gustavo de 3 anos, morreu em Palmas, no Tocantins, depois de passar o fim de semana com o pai.
A criança foi encontrada morta na segunda-feira, 3 de agosto de 2026, na residência onde estava com o pai e a madrasta. Inicialmente, surgiu a versão de que o menino teria sofrido um afogamento. Entretanto, a investigação avançou e o laudo do Instituto Médico Legal apontou que a morte não foi causada por afogamento.
Segundo as informações divulgadas sobre a perícia, foram identificadas múltiplas lesões e sinais de agressões. O caso passou a ser investigado pela Polícia Civil, e o pai, Igor Gustavo Veloso de Souza, e a madrasta, Kathellen Moreira, foram presos preventivamente.
A mãe de Gustavo, Sabrina da Silva Feitosa, já havia relatado preocupações relacionadas ao filho e ao período em que ele ficava com o pai. Segundo relatos apresentados durante a investigação, ela afirmou que a criança teria voltado anteriormente de visitas apresentando sinais que despertaram sua preocupação.
O caso ganhou ainda mais repercussão após a divulgação de informações sobre um vídeo em que Gustavo teria demonstrado medo de ser agredido pelo pai.
A investigação busca esclarecer exatamente o que aconteceu durante o período em que o menino esteve com o pai e a madrasta e identificar as responsabilidades pela morte.
O que permanece para além da investigação criminal é a dor de uma mãe que afirma ter demonstrado preocupação com o próprio filho.

Helena, 10 meses: uma tragédia dentro de casa, em Fortaleza

No Ceará, outro caso envolvendo uma criança muito pequena também causou comoção nacional.
Helena R. A. tinha apenas 10 meses quando morreu, em 13 de julho de 2026, em um apartamento no bairro Dionísio Torres, em Fortaleza.
Inicialmente, o caso foi divulgado como uma possível morte decorrente de violência sexual, e dois homens foram presos. Porém, a investigação teve uma mudança importante após a conclusão dos exames periciais.
A Perícia Forense do Estado do Ceará concluiu que a bebê morreu por asfixia mecânica indireta e informou que os exames não identificaram violência sexual. A informação foi divulgada pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará.
Posteriormente, a Polícia Civil indiciou a mãe da criança por homicídio culposo por omissão e um homem relacionado ao caso. O Ministério Público do Ceará também apresentou denúncia contra a mãe e o primo do namorado dela. O processo tramita sob sigilo na Justiça.
O caso mostra também como uma investigação pode mudar de direção conforme novas provas e exames são produzidos. Por isso, é fundamental que a informação seja atualizada conforme as autoridades concluem cada etapa.
Mas a pergunta permanece: como uma criança de apenas 10 meses chegou a uma situação que terminou em morte?
Laís, 3 anos, e Heloísa, 5: duas irmãs mortas em São Paulo

Em São Paulo, a comoção aumentou ainda mais no domingo, 9 de agosto de 2026, justamente no Dia dos Pais.
Duas meninas, Laís, de 3 anos, e Heloísa, de 5, foram encontradas mortas dentro de um carro na Rua Luiz Supertti, no bairro Jardim Guanabara, na Zona Sul da capital paulista.
Segundo as primeiras informações divulgadas sobre o caso, o pai havia buscado as crianças no sábado, 8 de agosto, e, desde então, teria realizado ligações para a mãe fazendo ameaças.
No domingo, as meninas foram encontradas sem vida dentro do veículo. A ocorrência passou a ser investigada pelas autoridades para esclarecer as circunstâncias das mortes e o que aconteceu durante o período em que as crianças estavam sob os cuidados do pai.
O caso provocou enorme revolta justamente porque ocorreu em uma data que deveria representar celebração da paternidade e da convivência familiar.
Em vez de comemoração, duas famílias enfrentaram uma das maiores dores possíveis: a perda de duas crianças pequenas.
As circunstâncias ainda precisam ser esclarecidas pela investigação, e eventuais responsabilidades deverão ser determinadas pelas autoridades competentes.

Quatro crianças. Quatro histórias. Um alerta.
Gustavo tinha 3 anos.
Helena tinha apenas 10 meses.
Laís tinha 3 anos.
Heloísa tinha 5.
Em comum, além da pouca idade, essas crianças tinham algo que deveria ser suficiente para mobilizar qualquer adulto: a necessidade absoluta de proteção.
Uma criança não consegue compreender todas as disputas, conflitos e decisões dos adultos ao seu redor. Não consegue escolher onde estará, com quem estará ou quais medidas serão tomadas para garantir sua segurança.
Por isso, quando um adulto responsável manifesta preocupação, especialmente uma mãe que relata medo, mudanças de comportamento, sinais de sofrimento ou episódios que considera suspeitos, essa preocupação precisa ser recebida com responsabilidade.
Não significa condenar alguém antecipadamente.
Não significa transformar uma suspeita em sentença.
Significa investigar.
Significa ouvir.
Significa verificar.
Significa colocar a segurança da criança acima das disputas entre adultos.
“Criança não é objeto de disputa”
Em separações e conflitos familiares, muitas vezes os adultos entram em disputas por guarda, convivência e visitas. Mas existe uma pessoa que não pode ser tratada como instrumento dessa disputa: a criança.
Criança não é propriedade do pai.
Criança não é propriedade da mãe.
Criança não deve ser usada para atingir o outro.
E, principalmente, criança não pode ser colocada em uma situação de risco simplesmente porque os adultos não conseguiram enxergar ou enfrentar os sinais de alerta.
Quando uma mãe diz que está com medo, é preciso perguntar:
Por que ela está com medo?
Quando uma criança demonstra medo, é preciso perguntar:
O que está fazendo essa criança ter medo?
Quando aparecem sinais de que algo não está certo, é preciso perguntar:
Quem está ouvindo? Quem está investigando? Quem está protegendo?
O Brasil precisa ouvir antes que seja tarde
As mortes de Gustavo, Helena, Laís e Heloísa não devem ser reduzidas a números ou manchetes que desaparecem depois de alguns dias.
Cada nome representa uma vida interrompida.
Uma família destruída.
Uma infância que não continuará.
Brincadeiras que não acontecerão.
Aniversários que não serão comemorados.
Abraços que não serão dados.
E mães e familiares que terão de conviver para sempre com a ausência.
Não é possível afirmar que todas essas tragédias poderiam ter sido evitadas. As investigações precisam apontar responsabilidades e esclarecer os fatos.
Mas é possível fazer uma cobrança que vale para qualquer situação envolvendo crianças:
que toda denúncia seja recebida com seriedade; que todo sinal de possível violência seja investigado; e que a proteção da criança venha antes de qualquer conflito entre adultos.
Porque, quando uma mãe diz “eu estou com medo”, talvez aquela seja a oportunidade de alguém agir antes que seja tarde demais.
E talvez a pergunta mais dolorosa que o Brasil precise fazer seja justamente esta:
Quantas vezes uma mãe precisa dizer “eu estou com medo” até que alguém leve isso a sério?
Criança não é objeto de disputa entre adultos. Criança precisa de proteção.
Fonte: Texto: Chellsen Carneiro e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 10/08/2026/09:10:55
O formato de distribuição de notícias do Jornal Folha do Progresso pelo celular mudou. A partir de agora, as notícias chegarão diretamente pelo formato Comunidades, ou pelo canal uma das inovações lançadas pelo WhatsApp. Não é preciso ser assinante para receber o serviço. Assim, o internauta pode ter, na palma da mão, matérias verificadas e com credibilidade. Para passar a receber as notícias do Jornal Folha do Progresso, clique nos links abaixo siga nossas redes sociais:
Apenas os administradores do grupo poderão mandar mensagens e saber quem são os integrantes da comunidade. Dessa forma, evitamos qualquer tipo de interação indevida. Sugestão de pauta enviar no e-mail:folhadoprogresso.jornal@gmail.com.
Envie vídeos, fotos e sugestões de pauta para a redação do JFP (JORNAL FOLHA DO PROGRESSO) Telefones: WhatsApp (93) 98404 6835– (93) 98117 7649.
“Informação publicada é informação pública. Porém, para chegar até você, um grupo de pessoas trabalhou para isso. Seja ético. Copiou? Informe a fonte.”
Publicado por Jornal Folha do Progresso, Fone para contato 93 981177649 (Tim) WhatsApp:-93- 984046835 (Claro) -Site: www.folhadoprogresso.com.br e-mail:folhadoprogresso.jornal@gmail.com/ou e-mail: adeciopiran.blog@gmail.com

