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Drone explosivo em aeroporto alemão foi derrubado com chute

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Fontes de segurança ouvidas pela reportagem afirmam que ele escapou por pouco de um acidente ao atingir o equipamento, que voava próximo a uma aeronave de transporte ucraniana no aeroporto. A revista Der Spiegel afirma que o artefato só não explodiu porque o detonador teria se desprendido anteriormente.

Especialistas da Polícia Federal da Alemanha conseguiram posteriormente desativar a carga explosiva acoplada ao drone. O funcionário não ficou ferido. O caso é tratado pelas autoridades alemãs como um “ataque híbrido que inaugura um novo nível de ameaça”.

Na sexta-feira, o Conselho Nacional de Segurança, presidido pelo chanceler federal alemão Friedrich Merz, realizou uma reunião por telefone para discutir o incidente. Segundo uma porta-voz do governo, Merz mantém contato constante com o ministro do Interior, Alexander Dobrindt, e com outros integrantes do governo sobre o caso.

Na quinta-feira, a Procuradoria-Geral Federal assumiu a investigação do suposto ataque e alertou para uma tentativa de comprometer a segurança nacional.

Drone armado com explosivo plástico

O número de avistamentos de drones em aeroportos alemães aumentou significativamente no primeiro semestre de 2026. Ao todo, 166 ocorrências foram registradas nos 15 aeroportos internacionais do país nos seis primeiros meses do ano, segundo dados da DFS, a autoridade responsável pelo controle do tráfego aéreo.

O total supera os 101 casos registrados no mesmo período de 2025. Apenas em Leipzig/Halle, 18 aeronaves não autorizadas foram avistadas.

Contudo, a confirmação de que os equipamentos carregavam explosivos é incomum. No caso desta semana, o drone estaria armado com Semtex, um explosivo plástico utilizado em operações de detonação controlada. Durante a Guerra Fria, o material foi empregado em diversos atentados e esteve entre os explosivos usados no ataque de Lockerbie, em dezembro de 1988, quando um avião de passageiros explodiu sobre a Escócia.

“Trata-se de um explosivo de uso militar instalado em um drone altamente especializado, equipado com baterias adicionais. É muito provável que houvesse outro aparelho em grande altitude observando e registrando a operação. Isso se assemelha às ações com drones vistas na guerra entre Rússia e Ucrânia. É algo sofisticado, muito sério e extremamente perigoso”, disse Nico Lange à DW, fundador e diretor do Instituto para Análise de Risco e Segurança Internacional.

Na avaliação dele, o atentado só não teve sucesso por um “golpe de sorte”. “Isso não foi resultado da ação das defesas alemãs. Não dispomos das redes de sensores necessárias para detectar todos os tipos de drones, especialmente os que voam baixo e lentamente”, continuou.

Estados cobram reforço na segurança

Diversos estados alemães defenderam reforço da proteção em aeroportos e a ampliação dos poderes dos operadores de infraestrutura crítica. Além da investigação do caso, autoridades e especialistas discutem se o país dispõe dos mecanismos necessários para prevenir e neutralizar ataques semelhantes e quais mudanças podem ser necessárias.

O presidente da Comissão de Defesa do Parlamento alemão, Thomas Röwekamp, da conservadora União Democrata Cristã (CDU), defendeu a centralização das competências no Ministério do Interior ou na Polícia Federal. Em entrevista à rede de jornais Redaktionsnetzwerk Deutschland, afirmou que a Alemanha precisa de uma autoridade central em vez da atual estrutura federativa de segurança aérea, além de equipamentos capazes de responder à diversidade das ameaças.

Já o deputado Sebastian Fiedler, especialista em segurança interna do Partido Social-Democrata (SPD), avaliou que a existência de diferentes competências nos aeroportos não representa um problema em si. Em entrevista ao jornal Rheinische Post, afirmou que o mais importante é garantir cooperação eficiente entre os órgãos envolvidos e deixar explícito quem responde por cada tarefa em cada situação.

O deputado da CDU Bastian Ernst sugeriu que a Alemanha consulte formalmente a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan)com base no artigo 4 do tratado, mecanismo que permite discussões quando um país considera ameaçadas sua segurança, integridade territorial ou independência política.

Estônia e Polônia recorreram a esse instrumento no ano passado após graves violações de seus espaços aéreos. Naqueles casos, a responsabilidade da Rússia era considerada evidente. No episódio de Leipzig/Halle, porém, ainda não há uma atribuição oficial de responsabilidade.

Relembre o incidente

Um drone equipado com explosivos e detonador foi encontrado nas proximidades de aeronaves de transporte ucranianas no aeroporto de Leipzig/Halle.

Com uma das pistas interditada após a descoberta, um avião cargueiro que se aproximava precisou arremeter e acabou colidindo com um pequeno objeto voador não identificado, possivelmente um segundo drone.

Em entrevista à emissora ZDF, o deputado Sebastian Fiedler afirmou que “ou foi a Rússia ou alguém quis fazer parecer que foi a Rússia”. Segundo ele, se surgir evidência de que um explosivo foi levado a um aeroporto alemão com a intenção de destruir uma aeronave em solo alemão, isso poderia ser considerado “um ato de guerra”.

Kiesewetter declarou à rádio Deutschlandfunk que o padrão da ação é compatível com métodos frequentemente atribuídos à Rússia, mas ressaltou que um Estado de Direito precisa de provas conclusivas. Segundo ele, a identificação definitiva dos responsáveis pode levar muito tempo ou talvez nunca seja possível.

Fonte: g1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 08/08/2026/08:15:49

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