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Cyclospora: surto de ‘diarreia explosiva’ mata 2 nos EUA; saiba os riscos para o Brasil

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Nos últimos meses, um surto de infecção intestinal tem acendido o alerta das autoridades de saúde nos Estados Unidos. O culpado é um inimigo microscópico conhecido como Cyclospora cayetanensis, um parasita unicelular (protozoário) que coloniza o intestino delgado e causa a ciclosporíase.

Abaixo, explicamos em detalhes como o parasita age, o cenário atual do surto norte-americano e se nós, no Brasil, devemos nos preocupar.

O que é o Cyclospora e como ele ataca?

O Cyclospora cayetanensis é um protozoário transmitido principalmente pela ingestão de água ou alimentos frescos contaminados com fezes humanas.

Diferente de vírus e bactérias intestinais comuns, ele não é transmitido diretamente de pessoa para pessoa.

Quando alguém infectado elimina o parasita nas fezes, o micro-organismo ainda não está pronto para infectar outra pessoa. Ele precisa passar por um processo chamado esporulação, que leva de uma a duas semanas no meio ambiente (sob calor e umidade) para se tornar ativo.

Uma vez ingerido através de vegetais mal lavados ou água sem tratamento, o parasita se aloja no intestino delgado.

O sintoma mais marcante é uma diarreia aquosa intensa, frequentemente descrita por médicos e pacientes como “explosiva”, acompanhada de fadiga extrema, perda de apetite, cólicas severas e perda de peso rápida. Se não tratada, a infecção pode durar semanas ou até meses, alternando períodos de melhora e piora.

O cenário nos EUA: Surto recorde em 2026

De acordo com informações divulgadas pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) e por veículos de imprensa dos Estados Unidos, o surto de ciclosporíase, doença causada pelo parasita Cyclospora cayetanensis, continua avançando no país e já provocou as duas primeiras mortes registradas no estado de Michigan.

As autoridades norte-americanas contabilizam mais de 6,7 mil casos confirmados e outros 11,5 mil ainda sob investigação. A principal linha de apuração aponta para a contaminação de alface-americana distribuída pela empresa Taylor Farms e utilizada por redes de alimentação, entre elas o Taco Bell.

Os sintomas mais comuns incluem diarreia intensa, náuseas, cólicas abdominais, fadiga e desidratação, sendo que idosos e pessoas com o sistema imunológico comprometido apresentam maior risco de complicações. Especialistas acreditam que o número de infecções ainda pode crescer ao longo de agosto.

Existe risco de o surto chegar ao Brasil?

A resposta curta é: não na forma de um surto importado dos EUA, mas o risco local é permanente porque o parasita já existe no Brasil.

Aqui estão os pontos fundamentais sobre o risco no território brasileiro:

O parasita é endêmico no Brasil: Por ser um país de clima predominantemente tropical e subtropical, o Brasil possui o ambiente ideal para a maturação do Cyclospora na natureza. O parasita circula silenciosamente por aqui, especialmente em regiões com saneamento básico precário.
Subnotificação massiva: No Brasil, os casos de ciclosporíase são considerados raros, mas especialistas alertam que a doença é altamente subnotificada. Exames de fezes de rotina (parasitológicos comuns) frequentemente não conseguem detectar o Cyclospora. É necessário solicitar colorações especiais de laboratório (como Ziehl-Neelsen modificada) ou testes moleculares (PCR de painel gastrointestinal), que não estão disponíveis no dia a dia da maioria dos postos de saúde.
Cadeia de alimentos independente: O surto atual nos EUA é de transmissão doméstica e está associado à cadeia de distribuição agrícola interna deles. O Brasil não importa vegetais frescos de consumo cru dos Estados Unidos, o que anula o risco de “importarmos” o surto de alface americano.

Atenção especial para viajantes: Brasileiros que viajarem para os Estados Unidos neste período devem redobrar a atenção ao consumir saladas, vegetais crus e frutas vermelhas, preferindo alimentos cozidos e água mineral engarrafada.

Como se proteger?

A higienização do Cyclospora é um desafio. O parasita é altamente resistente ao cloro e aos desinfetantes químicos usados rotineiramente para lavar saladas. Deixar as folhas de molho no cloro reduz o risco de outras bactérias, mas não garante a eliminação do protozoário.

Para minimizar os riscos, os órgãos de saúde recomendam:

Lavar sob água corrente: Esfregue vigorosamente as frutas e verduras em água limpa corrente. Se o alimento for firme (como pepino ou melão), utilize uma escova limpa própria para vegetais.
Descarte as camadas externas: No caso de alfaces e repolhos, jogue fora as duas ou três primeiras camadas de folhas, que ficam mais expostas à contaminação externa.
Cozimento: O calor é o método mais eficaz. Cozinhar alimentos acima de 70ºC elimina o parasita por completo.
Tratamento: Caso seja diagnosticada a ciclosporíase, o tratamento padrão é feito com o antibiótico sulfametoxazol-trimetoprima (conhecido popularmente como Bactrim), prescrito sob orientação médica.

Fonte: Diário do Pará e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 05/08/2026/06:52:29

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