Quem gosta de rock sempre sonha em um dia poder tocar no palco. Seja uma guitarra, uma bateria, um baixo ou um teclado. E se dá certo, é maravilha pura! E, aí, a banda paraense Álibi de Orfeu celebra neste sábado (8), às 20h, no Teatro do SESI, em Belém, 40 anos de estrada. Quem um dia sonhou em tocar para quem está na plateia, imagina bem como é legal compartilhar quatro décadas de parceria musical. Por isso, vai valer a pena sonhar, cantar e viver junto cada instante desse show histórico. Em particular, para a vocalista Lohane Takeda; o baixista Sidney Klautau, com mais de 20 anos na banda; Rafael Mergulhão, na guitarra solo e violão e há 14 anos na banda; André Sassim, na guitarra base e violão; e o baterista Rui Paiva (membro da primeira formação), todos fazendo o som do Álibi. Na compra de ingressos, o público pode contribuir com as ações da Associação Voluntariado de Apoio à Oncologia (AVAO), que atua no atendimento a pacientes em tratamento contra o câncer em Belém.
Esses cinco fãs de rock também sonharam na plateia e, nesses anos todos, fizeram e fazem a galera sonhar tocando um som criativo, que envolve rock em diálogo com outros ritmos. O baterista Rui Paiva diz como é celebrar 40 anos de estrada. “É um misto de sentimentos e de olhar para o início da carreira como se fosse ontem e pensar: como conseguimos essa proeza de chegar aos 40?”
“São memórias do início até agora que nos lembram os esforços, muitas vezes hercúleos, para simplesmente tocar. Mostrar nossa arte e nossas criações. Mostrar nossas interpretações das músicas dos primeiros álbuns, por exemplo, do AC/DC e do Led Zeppelin. Além dessas bandas, de outras como April Wine. Tudo isso quando nos chamávamos de Epsilon, banda de escola. Já com o nome de Álibi de Orfeu, era tudo ao mesmo tempo agora. Queríamos fazer o jazz fusion misturado com o lado pesado do rock. Do experimental ao punk. Pensávamos em mudar o mundo, coisa de garotos. E hoje chegamos a essa celebração com vontade e com a mesma energia de mostrar nossas criações”, conta Rui.
O músico adianta que esse show será uma passagem à linha do tempo para relembrar esses 40 anos de estrada; serão músicas de todas as fases da banda, perpassando por cada álbum. O Álibi foi fruto de uma banda escolar chamada Epsilon, que Rui e André Ferreira tinham para tocar uma vez por ano.
“Quando conseguíamos tocar mais de uma vez, era um acontecimento. Depois de um tempo, resolvemos deixar a coisa mais séria e, influenciados pelo rock progressivo experimental e também por bandas pesadas, resolvemos justificar no nome ‘Orfeu’ o fato de misturarmos tudo. E, se alguém reclamasse, era por culpa do deus grego da música – Orfeu. E o ‘Álibi’ tinha a ver com a história de amor dele, Orfeu, com a bela Eurídice. É mais ou menos aquela desculpa de ’eu toco desse jeito porque sim!’ “, detalha o baterista.
Mistura tudo!
O Alíbi tem fases musicais em sua trajetória. Isso porque a banda precisa estar se transformando, mas sempre obedecendo a sua identidade de hard rock com elementos da música negra. Rui Paiva destaca: “Misturamos o funk e o reggae com o rock pesado. Hoje o hard rock, com melodias, baladas e a mistura com os ritmos do Pará, abriu as portas para novas fontes criativas. Essa criação de melodias com arranjos é algo muito transformador, pois nos possibilita, por exemplo, com ritmos amazônicos, a partir da minha perspectiva de baterista e percussionista, explorar novos domínios”.
O Álibi conta com cinco álbuns: “Álibi de Orfeu” (vinil), “Só Veneno” (CD), “Desterro” (Ópera Rock), “Tributo aos Secos & Molhados” e o “3.8” (plataformas).
Em 40 anos, o Álibi de Orfeu sentiu na pele a experiência de contato com outras bandas, outras cidades, outras vivências, a fim de solidificar algo. “Passamos pelo vinil/fita cassete, CD, videocassete e, na era digital, pelas nuvens e plataformas. Está vindo uma nova revolução agora. No entanto, os shows continuam acontecendo e a tecnologia hoje nos proporciona outras possibilidades para poder criar e desenvolver nosso trabalho”, ressalta Rui.
Aquele sonho de ouvir e tocar permanece sendo cultivado pelos atuais integrantes da banda. Cada um deles tem as suas preferências, que vão de Black Sabbath, Rush, Guns N’ Roses, The Beatles, The Who, The Rolling Stones, Toto e Michael Jackson. E ainda tem os referenciais da MPB, como Rita Lee, Secos & Molhados, Ney Matogrosso, Marisa Monte, Hyldon. E no rock nacional, “nossos parceiros de estrada, como Ira!, Barão Vermelho, Edgard Scandurra e Frejat”.
A turma do Álibi topou e cumpre até hoje o propósito de fazer rock em plena Amazônia. “Ser músico é difícil dentro de uma sociedade moldada para profissões tradicionais. Ser músico de rock autoral, essa situação se torna mais difícil ainda. Mas isso não faz a gente esmorecer. Música para nós nunca foi diletantismo. Sempre foi algo que vem do coração com respeito à palavra mágica – música. E fazer música na Amazônia pode até ter lá dificuldades naturais por causa da distância e, talvez, isolamento continental, mas, quando há disposição, vontade, estímulo, garra e, ainda, satisfação (“Satisfaction”, referência aos Stones), podemos fazer nossa parte e mostrar nossa contribuição. O sentido da música também está nisso, de transformar as emoções em algo puro e certo dentro dos corações”, entrega Rui Paiva.
“A minha expectativa para o show de 40 anos do Alibi de Orfeu está imensa. E tá imensa porque a gente está com uma estrutura de som, luz, palco, figurino, cenografia extremamente diferenciada. Então, a gente poder fazer um show do jeito que a gente sempre quis, tudo arrumado, tudo direitinho, contando uma história com som de qualidade, com participações especiais, com músicas de todas as fases da banda, inclusive, da fase do vinil em 91, assim, vai ser uma festa. E a gente quer muito que o público esteja lá para comemorar e viver esse momento tão lindo da música paraense”, enfatiza o baixista Sidney Klautau. Não é à toa que a obra do Álibi de Orfeu é patrimônio cultural imaterial de Belém. Basta conferir tudo no show deste sábado (8).
Serviço:
Show de 40 anos do Álibi de Orfeu
Em 8 de agosto de 2026, às 20h
No Teatro do SESI, na avenida Almirante Barroso, 2540,
no bairro do Marco, Belém (PA)
Ingressos: no Sympla e na bilheteria do teatro
Ingresso Solidário: R$ 20,00 + 1 kg de alimento
não perecível (entregue na entrada do evento);
Combo Especial: 1 ingresso + camisa exclusiva da banda por R$ 70,00;
Inteira: R$ 60,00; meia-entrada: R$ 30,00.
Todos os alimentos arrecadados serão destinados à
AVAO (Associação Voluntariado de Apoio à Oncologia).
Mais informações: (91) 98026-7500.
Fonte: oliberal e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 05/08/2026/06:52:29
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