Quem são Maria Helena e Maria Eva? Gêmeas siamesas vão passar por cirurgia de separação em Goiânia
Maria Helena e Maria Eva, gêmeas siamesas, se preparam para uma delicada cirurgia de separação em Goiânia. O procedimento, realizado pelo SUS, será liderado pelo cirurgião pediátrico Zacharias Calil.
Unidas desde o primeiro instante de vida, Maria Helena e Maria Eva nunca passaram um segundo sequer separadas. As duas bebês, nascidas ligadas pelo abdômen, agora se preparam para enfrentar o momento mais importante de suas vidas: uma delicada cirurgia de separação que será realizada em Goiânia, em Goiás, por uma equipe especializada liderada pelo cirurgião pediátrico Zacharias Calil, uma das maiores referências do país nesse tipo de procedimento.
A história das irmãs tem mobilizado milhares de pessoas nas redes sociais. Enquanto o procedimento será realizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a família iniciou uma campanha de arrecadação para custear despesas com viagens, hospedagem e permanência na capital goiana durante todo o tratamento.
A descoberta aconteceu ainda na gravidez
A gestação parecia seguir normalmente até que um exame morfológico revelou uma notícia inesperada: a mãe não esperava apenas um bebê, mas duas meninas que estavam unidas pelo abdômen.
O diagnóstico de gêmeas siamesas trouxe preocupação à família. Durante o pré-natal, realizado com acompanhamento especializado, os pais ouviram diversas vezes que as chances de sobrevivência eram pequenas.
Segundo o relato da mãe, os médicos chegaram a alertar que as bebês poderiam não resistir ao parto ou viver apenas algumas horas após o nascimento.
Hoje, com pouco mais de três meses de vida, Maria Helena e Maria Eva desafiam essas previsões e seguem em preparação para a cirurgia que pode permitir que cada uma tenha uma vida independente.
Por que a cirurgia será feita em Goiânia?
Desde que receberam o diagnóstico, os pais conheciam o trabalho do cirurgião pediátrico Zacharias Calil, reconhecido internacionalmente pela experiência em separação de gêmeos siameses.
Após entrar em contato com a equipe médica e enviar os exames das meninas, a família recebeu a confirmação de que elas poderiam ser tratadas no Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad), em Goiânia, referência nacional em procedimentos de alta complexidade realizados pelo SUS.
Antes da cirurgia principal, as irmãs passarão por uma etapa considerada essencial: a colocação de expansores de pele, que estimulam o crescimento de tecido suficiente para reconstruir o abdômen após a separação. Essa preparação pode durar semanas ou meses, dependendo da evolução clínica de cada paciente.
Zacharias Calil é referência mundial
A escolha de Goiânia não aconteceu por acaso.
Ao longo de mais de duas décadas, Zacharias Calil se tornou um dos principais especialistas brasileiros em cirurgia de separação de gêmeos siameses. Segundo informações do Governo de Goiás e da própria equipe médica, ele já participou de mais de vinte procedimentos desse tipo, considerados entre os mais complexos da cirurgia pediátrica.
Nos últimos anos, o médico coordenou operações de grande repercussão nacional, como as separações das gêmeas Valentina e Heloá, em 2023, e de Kiraz e Aruna, em 2025, ambas realizadas pelo SUS no Hecad. Esses procedimentos mobilizaram dezenas de profissionais e utilizaram tecnologia de alta precisão para aumentar as chances de sucesso.
A cirurgia será pelo SUS, mas a família precisa de ajuda
Embora todo o atendimento médico seja custeado pelo Sistema Único de Saúde, a família terá que deixar o interior de São Paulo para permanecer em Goiânia durante toda a preparação, a cirurgia e o período de recuperação.
Gastos com transporte, hospedagem, alimentação e outras despesas não são cobertos pelo SUS. Por isso, os pais criaram uma campanha de arrecadação virtual para receber doações.
Segundo eles, qualquer contribuição ajuda a garantir que Maria Helena e Maria Eva tenham toda a estrutura necessária durante essa longa jornada.
Um novo capítulo para as duas irmãs
Até hoje, Maria Helena e Maria Eva dividiram tudo: o nascimento, o crescimento, os primeiros sorrisos e os primeiros meses de vida.
Se a cirurgia ocorrer conforme o planejado, será a primeira vez que cada uma poderá trilhar o próprio caminho.
Para os pais, esse momento representa muito mais do que uma separação física: é a esperança de oferecer às filhas uma nova oportunidade de desenvolvimento, autonomia e qualidade de vida, marcando o início de uma história que poderá ser escrita, pela primeira vez, por cada uma delas individualmente.
Fonte:DIARIO DO PARÁ e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 29/07/2026/14:26:12
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