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Lideranças indígenas comemoram resultado de reunião com Lula: “dragagem no Tapajós não vai avançar”

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Participaram do encontro representantes dos povos indígenas que, no início deste ano, ocuparam por mais de um mês o terminal da Cargill, em Santarém, em protesto contra projetos de ampliação da navegação no Tapajós e contra o Decreto nº 12.600/2025, que incluiu trechos dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins no Programa Nacional de Desestatização (PND).

Também estiveram presentes representantes da Casa Civil, dos ministérios do Meio Ambiente, dos Povos Indígenas, dos Portos e Aeroportos, da Agência Nacional de Águas (ANA), da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas) e de outros órgãos federais.

“Não viemos negociar”, dizem lideranças

Após a reunião, o líder indígena Lucas Tupinambá afirmou que o objetivo da comitiva era impedir qualquer intervenção no rio e que o compromisso foi assumido pelo presidente.

“Nós viemos dizer não à dragagem. Não viemos negociar, viemos garantir o direito dos nossos rios e conseguimos garantir o Rio Tapajós livre de dragagem. Acabamos de sair de mais de quatro horas de reunião com o presidente Lula e essa é uma grande vitória dos povos indígenas do Tapajós”, declarou.

Segundo ele, a decisão representa o resultado da mobilização realizada pelas comunidades tradicionais nos últimos meses.

As lideranças afirmam que a dragagem poderia comprometer a pesca, o turismo, áreas de reprodução da fauna, locais considerados sagrados pelos povos indígenas e ainda aumentar os riscos de contaminação por mercúrio devido ao revolvimento de sedimentos no leito do rio.

Carta entregue ao presidente

Durante o encontro, indígenas e representantes de organizações da sociedade civil entregaram ao presidente Lula e aos ministérios presentes uma carta intitulada “Salvar os rios da Amazônia – ameaças do Arco Norte, soberania alimentar e o futuro do Brasil”, assinada por 40 organizações e movimentos sociais.

O documento pede a suspensão de dragagens realizadas sem licenciamento ambiental e sem consulta prévia às comunidades tradicionais, além da elaboração de um plano regional de adaptação às mudanças climáticas. A carta também manifesta preocupação com outros empreendimentos ligados ao chamado Arco Norte, como a Ferrogrão e intervenções em rios da Amazônia.

No texto, os movimentos defendem que o governo priorize políticas voltadas à segurança alimentar, à preservação ambiental e aos direitos dos povos indígenas, ribeirinhos e quilombolas.

Debate sobre a dragagem

Durante a reunião, segundo as lideranças, a Casa Civil apresentou a proposta de dragagem emergencial como medida para minimizar possíveis impactos de uma futura estiagem associada ao fenômeno El Niño.

Os representantes indígenas contestaram a justificativa. Para eles, a intervenção beneficiaria principalmente o transporte de grandes comboios de grãos destinados à exportação, enquanto comunidades ribeirinhas e indígenas continuariam enfrentando dificuldades de acesso durante os períodos de seca.

Uma nota técnica apresentada pelo Grupo de Trabalho Infraestrutura e Justiça Socioambiental também questiona o projeto. O estudo aponta que os volumes previstos para retirada de sedimentos ultrapassariam a deposição natural anual em alguns trechos do rio, indicando que a obra poderia representar aprofundamento e ampliação do canal de navegação, e não apenas manutenção da hidrovia.

As organizações também alertam para possíveis impactos ambientais, como alterações em áreas de reprodução de peixes e tartarugas, riscos ao turismo e danos a locais considerados sagrados para os povos indígenas da região.

Apesar da comemoração das lideranças, a confirmação oficial sobre a suspensão da dragagem ainda depende de manifestação do governo federal e da adoção de medidas administrativas que formalizem o compromisso anunciado durante a reunião, segundo os participantes do encontro.

Fonte: g1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso 27/07/2026/07:42:34

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